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Helio Smidt
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O que é o Avião
 
Santos Dumont
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Santos Dumont, o Pai da Aviação

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Santos-Dumont inscreveu seu aparelho, que tinha 10 metros de comprimento, 12 metros de asas duplas, e pesava 160 quilos com seu motor de 24 cavalos de força. O nome que deu a esse aparelho foi 14-Bis. É 23 de outubro de 1906. Grande multidão de curiosos se apinha no campo de Bagatelle, em Paris. Todos os olhares estão ansiosamente cravados num estrambólico veículo. É na sua ré que ronca o motor. À frente do motor, o público pode divisar a figura de Santos-Dumont, que de pé, cabeça erguida, comanda o aparelho, manejando suavemente o leme. Eis que subitamente, suavemente, semnenhuma sacudida, sem nenhum choque nem abalo, as rodas se separam do solo, o aparelho se levanta no ar, e prossegue como um pássaro a uma altura de 2 ou 3 metros acima do chão.

- Está voando! - exclama a multidão maravilhada.

De volta ao gabinete de trabalho, Santos-Dumont passa a concentrar-se num novo tipo de aparelho aéreo, que obedecesse suavemene ao seu controle, que fosse mais leve e mais rápido, mais acessível a todos. Sonhava, na verdade, com o monoplano. O genial brasileiro já vislumbrava todo o futuro da aviação. Concebida a idéia, passou a executá-la. O novo aparelho era oito vezes menor do que o 14-Bis e peava somente 56 quilos. O motor foi totalmente idealizado pelo próprio Santos-Dumont, constituindo notável inovação que abriu caminhos à mecânica aviatória: consistia em dois cilindros opostos, com maior rendimento de força e muito maior equilíbrio.
Um belo dia, no ano de 1907, os habitantes de Paris perceberam nos céus de sua cidade um minúsculo monoplano. Tinha-se a impressão que ia despencar ao primeiro pé-de-vento. Mas isso jamais aconteceu. Elegante, delicado, esbelto, diáfano, o novo avião de Santos-Dumont conquistou o coração dos parisienses, que o batizaram logo com o nome de "Damoiselle" (Libélula), que se tornou célebre nos anais da locomoção aérea.

O inventor, apaixonado por seu pequeno monoplano, construiu três modelos dele, cada qual com melhoramentos. Para estimular o progresso dessa nova ciência e desse novo esporte, permitiu que as fábricas construíssem livremente cópias do "Damoiselle", que se tornou o mais popular avião da época e que era, então, o melhor que existia para o treinamento dos pilotos que iam se formando. Poucos anos bastaram para que a aviação tivesse um surto extraordinário. Em todos os qadrantes surgiam novos aviadores, e novos aviões, sempre com inovações e aperfeiçoamentos.

Santos-Dumont, exausto por anos e anos consecutivos de trabalho ininterrupto, iniciou uma série de viagens a diversos países da Europa e das Américas. Depois fixou residência no Brasil. Por toda parte recebia honrosos convites e homenagens, pronunciava conferências, concedia entrevistas, sendo aclamado como um dos maiores inventores e homens do século. A França, terra onde efetuou suas memoráveis façanhas, erigiu-lhe um monumento e o condecorou como Grande Oficial da Legião de Honra.

Santos-Dumont jamais se preocupou em registrar uma patente de invenção. Sendo autor de outras invenções, ademais do dirigível e do avião, é admirável esse traço do seu caráter. Não queria nenhum lucro para si;suas invenções não eram negócios pessoais. Elas pertenciam à humanidade. Entregava-as imediatamente ao domínio público para que qualquer pessoa, qualquer fábrica, pudesse logo pô-las ao serviço do progresso e da sociedade.

Seu desapego e seu senso de solidariedade humana eram marcantes. Ao receber o prêmio Deutsch, que somava ponderável quantia, distribuiu quase metade do dinheiro entre os operários e mecânicos que o auxiliavam em suas construções e experiências. O dinheiro restante, ele encaminhou ao Chefe de Polícia de Paris para que mandasse tirar das casas de penhores da cidade todas as ferramentas de trabalhadores que nela se encontrassem empenhadas. Se alguma coisa ainda sobrasse, deveria ser repartida entre os necessitados. Para si próprio, Santos-Dumont nada reservou. O pensamento do grande brasileiro estava sempre voltado para os seus semelhantes.

Santos-Dumont chegou a prever , idealizar, planejar, e às vezes mesmo executar em miniatura: o helicóptero, até com dois rotores; o avião bi-motor; o aparelho de vôo individual; o ornitóptero, isto é, um avião de asas movediças, capaz de voar como os pássaros; e ainda um avião de asas em delta, que faz lembrar os jatos e hoje. Quanto a motores e hélices, foram várias as suas contribuições. Fazia estudos acurados de meteorologia e astronomia. Em 1918, publicou seu segundo livro, "O que eu vi e o que nós veremos", no qual, depois de apreciar tudo o que fôra feito até então com o aeroplano, alinhava as suas profecias relativas ao futuro da aviação, todas perfeitamente confirmadas posteriormente.

Nascido a 20 de julho de 1873, na cidade de Palmira, hoje Santos-Dumont, o grande aeronauta veio a falecer a 23 de julho de 1932. Foi univeral a tristeza causada pela morte do grande inventor. O Governo da República, decretando luto oficial por três dias, afirmou em nome da Nação:

"O brasileiro Alberto Santos-Dumont, inventor da direção dos balões e do vôo mecânico, dotando a humanidade de novos engenhos para o seu desenvolvimento, estreitou os laços entre as nações e cooperou para a paz e solidariedade entre os povos, tornando-se assim, merecedor da gratidão do Brasil cujo nome honrou e glorificou."
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