Ruben Berta foi, então eleito presidente. Já conhecedor profundo da companhia, uma de suas primeiras preocupações foi traçar o novo plano de rotas domésticas e internacionais. Já no ano seguinte, inaugurava-se uma linha para Montevidéu. Logo depois, Buenos Aires. Algum tempo depois, novas linhas foram estabelecidas: Florianópolis, Curitiba, São Paulo e Rio de Janeiro, completando-se assim, a interligação de todas as capitais do sul do Brasil. Mais tarde, as linhas seriam estendidas até o norte do país.
Enquanto isso, entretanto, Berta aos poucos ia conquistando uma vitória mais decisiva de que qualquer processo técnico: a lealdade e a admiração de seus funcionários. E, ao final da segunda guerra mundial, com a Varig em ritmo de franco desenvolvimento, ele resolveu dar novos rumos para o problema da valorização do empregado e suas relações com o patrão. Assim, por proposta de Berta, foi aprovada em 1945, pela Assembléia de Acionistas da empresa, a constituição de uma fundação dos funcionários, que ele próprio concebera, baseando em suas convicções pessoais e nos princípios da Encíclica "Rerun Novarum", do Papa Leão XIII.
Pertencem à Fundação todos os funcionários da empresa, sendo ela dirigida por um colégio deliberante, constituído, atualmente por 462 funcionários eleitos por antiguidade e mérito reconhecido. Em cada cinco anos, o colégio elege o presidente da fundação o qual sendo esta acionista majoritária, é também, o presidente da empresa. Através da fundação - hoje denominada Fundação Ruben Berta - são proporcionados aos funcionários e seus dependentes diversos benefícios tais como assistência médica e dentária, serviço social, etc. totalmente gratuitos, além de oferecer a preços extremamente módicos, refeições, retiro de férias, empréstimos e outros benefícios.
Depois da guerra, a Varig adquiria uma grande frota de aviões Douglas DC-3. Até 1951, entretanto, tinha suas operações limitadas até o sul do Rio de Janeiro, mas naquele ano com a aquisição da Aerogeral, uma pequena e deficitária companhia, prolongou sua rota até Natal, ao norte do país. A grande expansão começou realmente em 1953, quando o governo brasileiro garantiu à Varig o direito de voar para Nova York como linha regular. Foi então reestruturada a frota, com a aquisição de aparelhos Super-Constellation, Convair 240 e Curtiss Comando C-46, destinados respectivamente, às rotas de Nova York, rotas tronco, domésticas e rede do interior.
Em julho de 1955 era inaugurada a linha de Rio de Janeiro-Nova York. Com suas novas responsabilidades, a Varig criou um serviço de bordo de alto padrão. Empenhou-se igualmente no cumprimento rigoroso de seus horários e a oferecer o melhor atendimento aos passageiros, em terra e no vôo. Mas, conjugado com tudo isso, estava a necessidade de oferecer aviões mais modernos, à altura do prestígio e das responsabilidades da empresa e capaz de mantê-la à frente de toda a competição na importante linha de Nova York.
Foram adquiridos então, os jatos Caravelle, em 1957 e os quadri-reatores Boeing 707 com turbinas Rolls Royce, em 1960. Mais tarde, os Caravelles foram vendidos, pois haviam sido substituídos pelos Boeings.
Já com seu conceito firmado no cenário mundial do transporte aéreo, a posição da Varig como empresa internacional recebeu novo impulso em 1961, com a incorporação do consórcio Real-Aerovias, o que lhe abriu uma rota para o Pacífico até Los Angeles, com escala em Lima, Bogotá e México e uma linha para Miami, passando pela América do Sul, banhada pelo Atlântico e as Caraíbas. Quadruplicou, assim, a Varig sua quilometragem internacional, dobrou as rotas domésticas e recebeu os encargos de uma vasta rede deficitária e subdividida com mais de 6.500 empregados e uma frota heterogênea de aviões. Mas, em pouco tempo, graças à sua sólida estrutura, a firmeza de sua administração e a colaboração de seus funcionários, a Varig refazia-se das dificuldades, normalizando sua atividade.