A Espanhola no Rio
 
 
É um quadro profundamente desolador, macabro mesmo, o que se observa, nestes últimos dias no Cemitério do Caju. Dia e noite ali se trabalha no penoso serviço de enterramento dos mortos, e apesar dos esforços que a polícia tem empregado para auxiliar a administração de necrópole, restavam ainda ontem, às primeiras horas da tarde, cerca de 700 corpos a serem sepultados.

O governo, como já se disse, lançou mão dos sentenciados da correção e presos da detenção para este serviço, mas os reclusos não têm prática, e daí a morosidade que se observa.

Por toda parte, nas alamedas laterais, nos corredores, nos depósitos, por entre sepulturas, se vêem corpos insepultos, alguns de quatro e cinco dias. Cem homens trabalham dia e noite e não dão conta do recado. A todo momento param ali caminhões cheios de corpos vindos dos dois necrotérios da Santa Casa...


                                  Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 22 de outubro de 1918.
 
VARIEDADES