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Mesa de Reis

15 de abril de 1998

Exposição no Rio mostra jóias da porcelana portuguesa

Travessa e prato coberto: dourados e brasão do marquês de Abrantes


 
Fanáticos por porcelanas, os europeus aristocráticos ou burgueses acostumaram-se a gastar rios de dinheiro para enfeitar a mesa de jantar, primeiro com peças da China e, depois, com os finíssimos objetos produzidos na França por Limoges e Sèvres, na Alemanha pela Messein e na Inglaterra pela Royal Dalton. No começo do século passado, o time das porcelanas nobres ganhou um reforço: a Vista Alegre, fábrica fundada em 1824 na cidade de Aveiros, com direito a imprimir em suas peças o timbre da casa real portuguesa. Era o retorno merecido de Portugal, pioneiro na propagação da porcelana chinesa, ao mundo das frágeis preciosidades, tanto que as peças mais antigas da Vista Alegre passaram a ser disputadas por museus e colecionadores. Destas, 284 poderão ser apreciadas a partir de quinta-feira dia 16 em uma exposição no Museu Histórico Nacional, no Rio de Janeiro, que depois segue para Brasília e, em seguida, para São Paulo.

A maioria das porcelanas trazidas ao Brasil faz parte dos acervos do Museu de Arte Antiga e do Museu Vista Alegre, ambos em Portugal. Seu valor é de tirar o fôlego - só o seguro ficou em 600.000 dólares. A peça mais valiosa é uma jarra de 1 metro de altura, na cor salmão, com desenho do busto do fundador da empresa, José Ferreira Pinto Basto. Comerciante riquíssimo, ele passou três anos sem vender um bibelô, só bancando a pesquisa de uma técnica de porcelana com cara portuguesa. Datada de 1827, a primeira peça, um conjunto de xícara e pires com nítidas imperfeições, faz parte da exposição. Já o aparelho de chá com trevos em fundo verde, de 1917, é um perfeito exemplar da linha art nouveau da Vista Alegre.

No Brasil imperial, porcelanas Vista Alegre, devidamente timbradas com o brasão do imperador, eram presença certa na decoração e nas refeições dos palácios. A convivência com a nobreza continua íntima. A rainha Elizabeth II da Inglaterra tem um aparelho de jantar bordô debruado a ouro e o rei Juan Carlos da Espanha, um de chá, nas cores amarela e ouro. No ano passado, o rei Hassan II, do Marrocos, pagou 100.000 dólares por um aparelho de jantar de 200 peças. Mesmo a linha mais simples e acessível não é para ser usada num almoço de família: uma legítima baixela Vista Alegre custa entre 1.500 e 2.000 reais.

Peças do Museu Vista Alegre