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Palmeiras Brasileiras
 
 
 
 
Palmeiras Brasileiras

28 de janeiro de 1998

Livro traz dados científicos e informações pitorescas sobre as palmeiras brasileiras

Foto: A palmeira barriguda atinge 30 metros, a altura de um prédio de dez andares

Imagine uma paisagem tropical. Nela certamente haverá uma palmeira. Agora pense no maior país tropical do planeta, o Brasil. Ele reúne a maior variedade de espécies nativas de palmeira. Das cerca de 2.500 existentes no mundo, pelo menos 140 são brasileiras. Apesar dessa exuberância toda, até pouco tempo atrás a única obra sobre o assunto era um livro editado em francês no final do século passado.Essa lacuna acaba de ser preenchida com a publicação de Palmeiras no Brasil. Seu autor, Harri Lorenzi, é um engenheiro agrônomo que há 25 anos se dedica a catalogar as plantas nacionais. Seguindo a mesma fórmula de outra obra sua, Árvores Brasileiras o mais importante livro sobre o assunto, Lorenzi dedica uma página a cada palmeira, com fotos da árvore, dos frutos e das sementes e informações que interessam tanto ao leigo quanto ao cientista. Quem acha que palmeira tem sempre o mesmo formato descobre, por exemplo, que existem espécies sem caule que não ultrapassam 30 centímetros de altura. Fica-se sabendo também que dessas árvores resultam não só frutos saborosos, mas produtos que vão de cobertura de casas a remédio, vinho, óleo, tecido, sal e sabão.


 
A primeira parte do livro mostra 132 palmeiras nativas. "Ficaram faltando apenas algumas espécies amazônicas", explica Lorenzi. "Elas constam de coleções de herbários, mas não conseguimos encontrar nenhuma no campo." Na segunda parte estão 152 palmeiras originárias de outros países, mas que agora já fazem parte da paisagem de praças e jardins brasileiros, como a palmeira imperial. O pesquisador passou dois anos viajando pelo Brasil para fotografar e observar as plantas em seu habitat. Nessas viagens constatou, por exemplo, a extinção da Syagurus leptospatha, espécie descrita cientificamente em 1930 como uma palmeira comum na região ao sul de Campo Grande. "Vasculhamos toda a área, que agora está tomada por plantações de soja, e não encontramos nada", conta Lorenzi. "Ela está definitivamente extinta." Várias outras palmeiras correm o risco de extinção porque a maioria delas é altamente endêmica, ou seja, é restrita a uma área definida. Qualquer alteração no local é uma ameaça. A palmeira rasteira coco-de-vassoura, por exemplo, existe numa única fazenda no município de Caetité, na Bahia, e pode desaparecer. O livro traz também o registro de cinco palmeiras que ainda não foram reconhecidas oficialmente pela ciência. Entre essas inéditas está a Geonoma litoralis, uma palmeirinha das restingas da Bahia que é um fenômeno de equilíbrio e sustentação: com tronco de apenas 4 centímetros de diâmetro, alcança até 7 metros de altura.

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Vinte anos atrás, o botânico Harri Lorenzi vendeu o apartamento onde morava para bancar a publicação de um livro. Era um livro de cunho técnico, sem apelo comercial aparente. Com Plantas Daninhas do Brasil, contudo, ele desbravou um filão no mercado editorial: o das enciclopédias ilustradas sobre a flora brasileira, com informações que são úteis tanto para estudiosos quanto para jardineiros de fim de semana. De lá para cá, Lorenzi lançou oito títulos, que, somados, ultrapassaram a barreira dos 250.000 exemplares vendidos. Entre eles, há uma obra de valor inestimável: os dois volumes de Árvores Brasileiras, o compêndio mais completo sobre o assunto. Lorenzi tem público cativo. Vende a maior parte de seus livros por mala-direta e, na hora de colocá-los nas livrarias, aproveita-se da posição de quem detém praticamente um monopólio. "O homem é duro. Se alguém rejeita suas condições de preço e prazo de pagamento, ele não faz negócio", diz um dos maiores distribuidores de São Paulo. Com o sucesso comercial, Lorenzi montou o que se pode chamar de círculo virtuoso: os livros sustentam sua atividade de pesquisador e vice-versa.