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06 de janeiro de 1999

Pesquisa exclusiva revela que a guerra dos sexos está longe de acabar

A história começou há 4,5 milhões de anos, quando os primeiros hominídeos desceram das árvores. Pela mitologia bíblica, a partir do momento em que Adão e Eva se deleitaram com a maçã e experimentaram o constrangimento de tê-la provado, os dois sexos perderam a inocência e nunca mais foram os mesmos. Na Ilíada, os problemas conjugais de Helena e Menelau deflagraram dez anos de uma guerra de verdade, a de Tróia. Num outro relato grego, Medéia, possuída por um ciúme incontrolável, na dor de ter sido trocada por outra mulher, matou os próprios filhos. Achava que assim punia Jasão, o marido infiel. Adão e Eva, Helena e Menelau, Medéia e Jasão, o que não faltam são mitos sobre a complicação que é a convivência entre homens e mulheres. Coisa ultrapassada?

Pesquisa feita com exclusividade para VEJA pelo instituto Vox Populi revela: apesar da pílula anticoncepcional, da emancipação feminina, da maior liberdade na educação das crianças, a boa e velha luta continua. "Mais forte do que nunca", acrescenta a dezena de especialistas ouvida por VEJA.


 
"É como se homens e mulheres caminhassem sobre duas paralelas, que nunca se aproximam", define a sexóloga baiana Gilda Fucs. O levantamento do Vox Populi entrevistou 694 pessoas da classe média, em 205 municípios, incluídas todas as capitais. A esses homens e mulheres foi pedido que listassem a principal queixa sobre o comportamento do sexo oposto quanto à educação dos filhos, ao relacionamento afetivo e ao sexo.

Para um tema que desde a década de 50 vem sendo estudado e radiografado por enquetes e mais enquetes, o relacionamento entre homens e mulheres não pára de surpreender. É o que acontece nessa nova pesquisa. Alguns exemplos:

Maior do que medo, vergonha ou constrangimento de ser traído, o que os homens mais temem é levar umas bofetadas da mulher ou namorada por causa de ciúme.

Num país de biquínis ousados e proverbial sensualidade de seu mulherio, os homens têm uma queixa pesada. Acham que as mulheres são pouco interessadas, criativas ou desenvoltas em matéria de sexo.

As mulheres por sua vez parecem responder que só não são melhores de cama porque eles são ruins demais. A maioria reclama que seus companheiros não são carinhosos na hora do sexo.

Apesar de todas as diferenças entre homens e mulheres no terreno das expectativas mútuas, os universos masculino e feminino nunca estiveram tão entrelaçados como agora. Homens e mulheres querem e cobram um do outro sexo bom, namoros e casamentos de cumplicidade e uma divisão justa das tarefas envolvidas na educação dos filhos. Os dois estão cobertos de razão.