Preceitos - Magazine Eletrônica
Preceitos - Magazine Eletrônica
Página Inicial
Índice
Cinema
Fotos Desktop
Tudo do Brasil
Arnaldo Jabor
Holocausto
Orient Express

 

01

02

03

04

05

06

07

08

09

10

11

12

13

14

15

16

17

18

19

20

21

22

23

24

25

26

27

28

29

30

31

32

 


Seus comentários e considerações sobre esta página:
 
Campos do Jordão - SP - Brasil
Pousada d'Ampezzo
Apartamentos com aquecedor a óleo, TV com controle remoto, rádio, telefone, frigobar e aquecimento central. Sala de jogos, sala de ginástica e estacionamento fechado. Ótima localização, a 4,5 km do centro. Brunch aos domingos com check-out às 15 hs.
Estadisticas y contadores web gratis
Oposiciones Masters
Lembre-se: é ele quem manda
 
 
 
 
Lembre-se: é ele quem manda

20 de dezembro de 2000

Uma lista de cuidados que podem ser úteis no instante do assalto

Na terça-feira da semana passada, a polícia paulista reconstituiu o assassinato de uma dona-de-casa, Alexandra Muggia Salem, 44 anos, executada a tiros diante da filha, de 16. No dia 9 de novembro, elas foram abordadas por uma dupla de bandidos quando trafegavam de carro numa avenida de grande movimento de São Paulo. Um dos marginais, Alexandre Marcelo dos Reis, apontou o revólver contra a cabeça de Alexandra e anunciou o assalto. Assustada, Alexandra acelerou o veículo. O erro lhe custou a vida.


 
Preso, Reis contou aos policiais que sempre atira quando não cumprem suas ordens. Portanto, é preciso levar a sério a frase que aparece no título desta reportagem. Para ajudar, existem conselhos práticos - e alguns dos melhores foram reunidos pela psicóloga carioca Marilda Lipp, pioneira no Brasil em pesquisas e tratamento do stress. Assaltada, há onze anos, Marilda ministra palestras em que fornece um roteiro a quem tiver a infelicidade de ficar sob a mira da arma de um bandido.

Seu trabalho é bom porque não integra o universo do achismo, aquele desprezível ramo da ciência ligado à especulação pura e simples. Ela entrevistou bandidos, policiais e vítimas para entender o que se passa na cabeça das pessoas. Uma versão resumida dos resultados do estudo pode ser conferida no quadro ao lado. "Tanto um lado quanto o outro têm apenas um segundo para tomar a decisão e isso multiplica a probabilidade de erro", diz Marilda, que estudou dezesseis anos nos EUA, onde obteve doutorado em psicologia pela Universidade George Washington e pós-doutorado em stress social no National Institute of Health. Numa escala de stress que vai de 1 a 10, o assalto levaria uma nota 9, ficando atrás apenas de eventos como a morte de parente em condições muito próximas e trágicas. E esse nível de tensão é vivido pelos dois lados envolvidos - vítima e marginal. "O nível de stress alcançado pelo assaltante pode ser equivalente ao da vítima ou ainda maior", compara Marilda Lipp. Quem não controla a própria ansiedade numa situação de risco como essa pode irritar o assaltante, que acaba atirando. A maioria das pessoas já pensou sobre como se portar durante um assalto. O que os especialistas percebem, no entanto, é que, no momento do ataque, a vítima comete erros inadmissíveis como o de Alexandra.

As pessoas que moram em uma metrópole brasileira convivem com a possibilidade concreta de ser alvo de um ataque. Entre os habitantes das grandes cidades, quem não possui um parente, amigo ou colega de trabalho que já esteve sob a ameaça de um revólver na cabeça? Os casos de assalto a mão armada tornaram-se banais. De acordo com os últimos dados, o número de assassinatos por ano no país supera sozinho a soma dos homicídios ocorridos anualmente nos Estados Unidos, no Canadá, na Itália, no Japão, na Austrália. Para evitar o risco de assalto, um quarto dos moradores das capitais mudou o trajeto até a escola ou até o trabalho para se esquivar do contato com ladrões, um terço não circula por ruas que consideram perigosas e metade dos moradores das capitais evita sair à noite. O pavor fez com que o Brasil se tornasse o terceiro maior mercado de carros blindados do mundo. Perde apenas para a Colômbia e o México. Três anos atrás, havia dez empresas de blindagem. Atualmente, são cinqüenta.

Segundo Marilda Lipp, autora de oito livros sobre o tema do stress, só quem já viveu a experiência de ter um revólver apontado em sua direção conhece a dimensão do pânico que toma conta do indivíduo naquele momento. Diante da percepção de perigo, o cérebro ordena a produção de uma dose extra de adrenalina, o hormônio das emoções fortes. Começa aí uma reação em cadeia: o coração dispara, a respiração se acelera, os músculos se retesam. Em poucos segundos, o corpo está preparado para uma entre duas reações: lutar ou fugir. Manda o bom senso, no entanto, que ao menos nesse caso a sabedoria da natureza seja subvertida. "Quem se comporta adequadamente durante o assalto reduz a praticamente zero o risco de um final trágico", assegura o delegado Darci Sassi, que ajudou a psicóloga na fase de coleta de dados, com base em trinta anos de vivência nas ruas da capital paulista.

Marilda classifica os marginais em dois tipos básicos: o ladrão eventual e o assaltante profissional. Cada um deles possui características específicas e adota comportamento próprio. O tipo eventual é mais jovem e impulsivo, tem menos experiência, não planeja a ação nem vê com precisão o que quer da vítima. O profissional programa sua iniciativa, tem noção clara do que pretende com o golpe e está mais preparado para a duração prolongada do episódio. O eventual marca-se pela incerteza, o profissional, pela segurança na investida. "O bandido eventual é como uma criança que esperneia porque não ganhou o que queria", afirma Marilda. "O profissional comporta-se como se estivesse diante de uma transação comercial, dando algum espaço para negociação", explica a psicóloga. Essa é a teoria. Na prática, ambos querem que a vítima fique parada, à espera das ordens. E que lhes obedeça calmamente, pedindo permissão para realizar cada movimento.