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Caros Prazeres

22 de abril de 1998

Fãs-investidores pagam fortunas e aquecem o mercado de objetos ligados a gente famosa

Quem teria coragem de comprar um pedaço de asfalto de rua por 500 reais? A casa de leilões Bonhams, de Londres, conseguiu que alguém fizesse isso. É bom explicar que se trata de um pedaço de asfalto da faixa de pedestres da Abbey Road, onde os Beatles posaram para a célebre foto do álbum de mesmo nome.


 
Por idêntico valor um comprador não identificado arrematou em outro leilão da Bonhams um pedaço da porta do escritório da Apple, a gravadora dos Beatles, cujo símbolo, uma maçã cortada ao meio, era a marca dos discos do grupo. Colecionar objetos que pertenceram a artistas é mania antiga - em especial nos Estados Unidos e na Inglaterra - que ultimamente vem ganhando fôlego novo. Para quem pensa em faturar algum com o negócio, os conselhos são óbvios. "As apostas mais seguras são as peças consagradas: Beatles, Rolling Stones, Elvis Presley ou Jimi Hendrix", diz Ted Owen, da Bonhams. Cuidado com famosos recentes. "Desaconselho investir em Oasis ou Spice Girls. Só compre por prazer. E espere."

O comércio de pertences célebres foi aquecido com a invenção de bares e restaurantes temáticos, como o Hard Rock Cafe e o Planet Hollywood, que usam objetos da música pop e do cinema como elementos de decoração. Mas o culto aos ídolos, ativado pelo prazer fetichista de ter um "pedaço" do alvo de admiração, continua a ser a alma desse tipo de negócio. Não existem razões de mercado que expliquem o 1,4 milhão de reais alcançado pela guitarra de Jimi Hendrix em um leilão de 1995. O valor representa três vezes e meia o que ela valia cinco anos antes e 150 vezes o preço de uma guitarra do Oasis leiloada recentemente. Um morto, nesses casos, sempre vale mais que um vivo. O Oscar recebido pela atriz inglesa Vivien Leigh em 1939, por seu desempenho em ...E o Vento Levou, alcançou em 1993 o equivalente a 640.000 reais - preço recorde obtido pela estatueta, cuja venda é proibida por contrato mas praticada à solta por herdeiros e falidos em geral. Decadência pode ser um valor relativo. A luva branca de Michael Jackson, vendida pela Christie's, em 1990, por 29.000 reais, hoje é um mico comparável ao último disco do cantor. Já Madonna, que também não tem o sucesso de outrora, continua vendendo quinquilharias disputadas. Um sutiã seu foi arrematado por 7.500 reais.