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Buraco, Não, Buracão
 
 
 
 
Buraco, Não, Buracão

18 de outubro de 2000

Mas a falha na camada de ozônio tende a diminuir nos próximos anos

Punta Arenas: população confinada por causa da radiação solar

O buraco de ozônio que periodicamente aparece sobre a Antártica está maior do que nunca. Tem 28,5 milhões de quilômetros quadrados, mais de três vezes o tamanho do território brasileiro.


 
O alarme soou entre os ambientalistas, mas há uma boa notícia: dificilmente o fenômeno crescerá nos próximos anos. Isso porque diminuiu bastante o uso doméstico e industrial do CFC, um gás que contém cloro, substância responsável pela destruição do ozônio. Como o CFC demora pelo menos dez anos para atingir a estratosfera, o buraco atual ainda é resultado da enorme utilização que dele se fazia no final da década de 80. A principal conseqüência do rombo na camada de ozônio que recobre a Terra é o aumento geral da incidência dos raios solares ultravioleta, contra os quais ela serve de escudo. Com isso, as pessoas ficam mais sujeitas a desenvolver câncer de pele e catarata.

O buraco deste ano transformou mais uma vez em pesadelo a vida dos 120.000 habitantes de Punta Arenas, no sul do Chile. Depois que os cientistas constataram que a cidade está sob um dos vértices da falha, eles foram alertados a não sair de casa quando o sol estiver a pino. Além disso, sempre que possível, devem usar mangas compridas, óculos escuros e chapéu. Para se ter uma idéia de como a radiação anda intensa por lá, os especialistas afirmam que bastam sete minutos de exposição à luz solar, sem nenhuma proteção, para que a pessoa sofra queimaduras. A ocorrência da falha sobre a Antártica deve-se a uma conjugação de fatores que potencializam o efeito do CFC nessa região. A espessura normal do ozônio na atmosfera é de 350 unidades Dobson, medida utilizada para avaliá-la. Pois bem, essa quantidade baixa para 110 unidades onde o buraco se forma.

Desde a metade da década de 80, época em que o fenômeno foi detectado, ele vinha aumentando a uma razão de 10% a 20% ao ano. Sua medida inicial era de cerca de 8 milhões de quilômetros quadrados. Depois que a maioria dos países industrializados eliminou o CFC de suas geladeiras, aparelhos de ar condicionado e das indústrias de plástico e de tintas, substituindo-o pelo HCFC, a camada de ozônio em todo o planeta não tem sido tão agredida. A previsão é de que o buraco se estabilize no tamanho atual e comece a diminuir dentro de dez anos, no máximo. Os mais otimistas falam em cinco anos. No entanto, a recuperação da espessura da camada total de ozônio depende da invenção de um novo produto que possa substituir o HCFC. Apesar de menos nocivo que o CFC, ele ainda contém o cloro destruidor. As pesquisas feitas até agora não encontraram um similar inofensivo viável do ponto de vista comercial.

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Os males

A principal conseqüência da destruição da camada de ozônio será o grande aumento da incidência de câncer de pele, desde que os raios ultravioletas são mutagênicos. Além disso, existe a hipótese segundo a qual a destruição da camada de ozônio pode causar desequilíbrio no clima, resultando no efeito estufa, o que causaria o descongelamento das geleiras polares e conseqüente inundação de muitos territórios que atualmente se encontram em condições de habitação. De qualquer forma, a maior preocupação dos cientistas é mesmo com o câncer de pele, cuja incidência vem aumentando nos últimos vinte anos. Cada vez mais aconselha-se a evitar o sol nas horas em que esteja muito forte, assim como a utilização de filtros solares, únicas maneiras de se prevenir e de se proteger a pele.

Os cientistas detectaram pela primeira vez um buraco na camada de ozônio na década de 1980. Hoje, há um buraquinho sobre o Pólo Norte e um buracão de 28 milhões de km2 (mais de 3 vezes o tamanho do Brasil!) sobre o Pólo Sul. Para diminuir o problema, 180 países já aderiram ao Protocolo de Montreal, um acordo para reduzir a fabricação de produtos que tenham CFC e outros gases destruidores da camada de ozônio. O esforço tem dado certo: nos últimos 10 anos, a velocidade de destruição da camada vem diminuindo. Mas os cientistas calculam que serão precisos 50 anos para a camada se regenerar por completo.