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30 de setembro de 1998

Aumento de vôos faz de Congonhas o aeroporto mais movimentado da América Latina

Aviões na fila de espera em São Paulo: um vôo a cada 66 segundos


 
Como se não bastasse o congestionamento de carros, um novo problema começa a afligir as metrópoles brasileiras: o engarrafamento aéreo. Os aeroportos das grandes cidades nunca estiveram tão movimentados. O principal motivo é a competição entre as empresas, que reduziu as tarifas, aumentou a oferta de vôos e atraiu um número recorde de passageiros nas linhas nacionais. O Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, é o campeão em pousos e decolagens da América Latina. Desde 1993, o número de passageiros que passam por ali mais que dobrou. Só neste ano, com recessão econômica e tudo, o crescimento foi de 12%. O ritmo de pousos e decolagens no aeroporto paulistano é impressionante: em média, um a cada 112 segundos. Há períodos em que o intervalo entre um vôo e outro cai para apenas 66 segundos. Nessas horas, filas de até dez aviões costumam se formar na cabeceira da pista, à espera de autorização para decolar, enquanto um número igual de aeronaves fica circulando pelos céus da cidade, aguardando sinal verde para pousar.

Resultado do congestionamento, os atrasos são cada vez mais freqüentes, em especial nos vôos da ponte aérea, que liga Congonhas ao Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro. Nos horários de pico - começo da manhã e final da tarde - há casos em que a espera dos aviões na fila para decolar e pousar chega a uma hora e meia, o dobro do tempo de uma viagem normal entre as duas cidades. "Congonhas chegou ao ponto de estrangulamento", diz o diretor regional do Sindicato Nacional de Proteção ao Vôo, Ruy Ciarlini. No final de 1995, o aeroporto implantou um sistema pelo qual as empresas devem reservar horário para voar com 24 horas de antecedência. O número de vôos solicitados é, contudo, sempre maior do que a capacidade do aeroporto. As duas pistas de Congonhas não podem operar simultaneamente por falta de espaço seguro entre elas para manobra dos aviões. O Aeroporto Santos Dumont tem o mesmo problema. Para se ter uma idéia, o Aeroporto O'Hare, em Chicago, o mais movimentado do mundo, opera com seis pistas ao mesmo tempo. O segundo colocado, o Heathrow, de Londres, com quatro.

Comunicação via satélite

O congestionamento aéreo é hoje um problema mundial. Esse é o tema de uma assembléia que reúne, nesta semana em Montreal, no Canadá, representantes da aviação civil de 185 países, incluindo o Brasil. "Em cinco anos teremos de trocar todo o sistema operacional senão o mundo vai parar", afirma o brigadeiro Renato Costa Pereira, que participa do encontro. O objetivo é encontrar meios para que os aviões fiquem o menor tempo possível nos pátios. Uma solução é acelerar o tráfego de passageiros em terra por meio de um método mais veloz de identificação e controle nas áreas de check-in, passaporte e despacho de bagagens. No ar, uma novidade será a troca da comunicação por rádio entre aviões e aeroportos por um sistema mais ágil e sofisticado, através de satélites.

Obras

Com obras constantes para atender melhor ao público, o Aeroporto de Congonhas sofreu reformas internas e externas nos últimos anos. Com elas modernizou seu terminal de passageiros, renovou as pistas de pouso e decolagem, criou novo estacionamento e ainda alterou o acesso ao aeroporto. No dia 15 de agosto de 2004, o Governo Federal e a Infraero entregaram a primeira fase das obras de melhorias de seu terminal. A segunda fase foi concluída no segundo semestre de 2007. Na primeira fase do projeto foram colocadas em operação parte das novas salas de embarque/desembarque e oito pontes de embarque, equipamento que ainda não existia em Congonhas.