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Será que Ele É?

12 de maio de 1999

Tinky Winky, personagem da série infantil Teletubbies, vira ícone do movimento gay

A antena é em forma de triângulo. A forma geométrica é símbolo internacional dos homossexuais O personagem usa um macacão roxo. A estética dos gays privilegia as cores berrantes Para completar, Tinky Winky carrega uma bolsinha, evocando o estereótipo. Na série, ela é sua"mala mágica"

Saltitantes, alegres e fofinhos, os personagens do seriado infantil inglês Teletubbies estão virando ícones gays. Primeiro nos Estados Unidos, e agora no Brasil, o cumprimento "Oiiiiiiiiiii!!!!", repetido à exaustão entre os amigos coloridos, virou uma vinheta dos homossexuais militantes. "Já está até cansando ver o povo imitar os Teletubbies o tempo todo", irrita-se Luiz Paulo Marinho, dono de um bar gay em São Paulo. Entre todos os personagens da série, o boneco Tinky Winky é o favorito dos homossexuais. Ele leva na cabeça uma antena em forma de triângulo, símbolo do movimento gay em todo o mundo. Além disso, é roxo - cor com a qual os homossexuais se identificam - e carrega uma bolsinha. Parece de propósito, mas o porta-voz da empresa que produz bonecos Teletubbies, Kenn Viselmann, nega de pés juntos. "Há tão poucos ídolos gays no mundo que é natural que eles procurem personagens para se identificar", diz ele.


 
O representante dos Teletubbies está certo quando afirma que a maior parte dos ícones gays não foi criada com essa intenção. No terreno da cultura pop, o doutor Smith, de Perdidos no Espaço, o "menino prodígio" Robin, companheiro inseparável de Batman, e até o fantasma Gasparzinho já foram adotados pelos homossexuais (veja quadro). Hoje em dia, nos Estados Unidos, lésbicas se reúnem em bares para assistir aos filmes da super-heroína Xena, numa identificação que é objeto até de teses acadêmicas. O grupo sueco Abba, formado por dois casais heterossexuais, até hoje vende milhões de discos entre os gays. "Pode-se dizer que existe uma estética homossexual", teoriza Laura Bacelar, dona da editora de livros GLS. "Os Teletubbies são um exemplo perfeito: seus gestos são exagerados, as cores são berrantes e o humor é brega - três coisas que eles adoram."

Os gays fazem tanta festa em torno dos Teletubbies que o líder conservador americano Jerry Falwell, num acesso de histeria preconceituosa, propôs em fevereiro que a série fosse tirada do ar nos Estados Unidos. "Ela influencia negativamente nossas crianças", trovejou ele. Segundo os especialistas, trata-se de uma grande bobagem. "Primeiro, os personagens não assumem que são gays. Segundo, não é um programa de televisão que define a sexualidade de uma criança", diz Tizuko Morchida Kishimoto, vice-diretora da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo. A psicoterapeuta de família Lídia Aratangy acha que o efeito da série sobre a mente infantil pode ser até positivo. "O programa ensina a criança a aceitar aqueles que são diferentes dela", defende. Os Teletubbies provocam debates acalorados, mas não são tão populares assim entre a molecada. De segunda a sexta, não passam dos 7 pontos na Globo. No sábado, chegam a perder das reprises exibidas pelo SBT no mesmo horário.

O pop cor-de-rosa
Outros personagens adotados como símbolos pelos homossexuais


Dr. Smith - O vilão da série Perdidos no Espaço foi escolhido por causa dos gestos afetados








Robin - Às vezes, o "menino prodígio" e o "homem-morcego" se comportavam como um casal







Gasparzinho - Alegre, gentil e cheio de amigos, o "fantasminha camarada" nunca teve namorada no além-túmulo