Preceitos - Magazine Eletrônica
Preceitos - Magazine Eletrônica
Página Inicial
Índice
Cinema
Fotos Desktop
Tudo do Brasil
Arnaldo Jabor
Holocausto
Orient Express

 

01

02

03

04

05

06

07

08

09

10

11

12

13

14

15

16

17

18

19

20

21

22

23

24

25

26

27

28

29

30

31

32

 


Seus comentários e considerações sobre esta página:
 
Campos do Jordão - SP - Brasil
Pousada d'Ampezzo
Apartamentos com aquecedor a óleo, TV com controle remoto, rádio, telefone, frigobar e aquecimento central. Sala de jogos, sala de ginástica e estacionamento fechado. Ótima localização, a 4,5 km do centro. Brunch aos domingos com check-out às 15 hs.
Estadisticas y contadores web gratis
Oposiciones Masters
O Fim do Paredón
 
 
 
 
O Fim do Paredón

03 de março de 1999

Globo desiste da "solução cubana" e poupa os homossexuais em Suave Veneno

Diogo Vilela (à direita) e Luiz Carlos Tourinho: a volta dos gays caricatos

No início da novela Torre de Babel, quando a audiência patinava em 36 pontos - a média do horário das 8 é 45 -, a Globo resolveu adotar a "solução cubana": mandar para o paredón personagens homossexuais, drogados e minorias em geral. De acordo com as pesquisas da emissora, eles seriam os responsáveis pela baixa audiência, por causa da rejeição do público. Resultado: voaram todos pelos ares numa mirabolante explosão de shopping center. Há duas semanas, quando Suave Veneno, a sucessora de Torre de Babel, chafurdava em índices ainda mais vergonhosos, 31 pontos, a Globo pediu ao autor, Aguinaldo Silva, uma reviravolta na trama. A surpresa é que, desta vez, os gays foram poupados. Há dois homossexuais notórios na nova novela das 8. Um deles é o paranormal Uálber, representado por Diogo Vilela, que usa turbante, miçangas e echarpes coloridas. O outro é seu assistente Edilberto, vivido por Luiz Carlos Tourinho, cujo figurino é composto de miniblusas, sapatos de salto alto e calças saint-tropez. Ambos serão poupados não porque a emissora seja politicamente correta, e sim por razões de audiência. Segundo pesquisas com telespectadores, os personagens Uálber e Edilberto estão entre os campeões de popularidade na novela.

O que faz o mesmo público que rejeitou as lésbicas Rafaela e Leila, interpretadas por Christiane Torloni e Silvia Pfeifer em Torre de Babel, gostar dos gays Uálber e Edilberto? Para responder a essa pergunta, é instrutivo examinar os demais casos de homossexuais que apareceram anteriormente em telenovelas (veja quadro). No passado, os personagens gays costumavam ser discretos ou caricatos. Entre os discretos estava o milionário Conrad Mahler, vivido por Ziembinski em O Rebu, de 1974, primeiro homossexual a aparecer numa telenovela no Brasil. Na trama, ele sustenta o garotão de praia Cauê, interpretado por Buza Ferraz. Ziembinski, no entanto, fazia um gay sem trejeitos afetados. No segundo caso está outro precursor: Everaldo, vivido por Renato Pedrosa na novela Dancin' Days (1978). O exuberante mordomo da vilã Yolanda Pratini, criação antológica de Joana Fomm, deliciava-se ajudando nas maldades da patroa. Ambos foram bem aceitos pelos telespectadores.


 
Os homossexuais surgiram como personagens sérios, com uma vida afetiva relativamente aberta e dispostos a lutar por sua causa, a partir de Vale Tudo (1988), em que Cecília e Laís, vividas por Lala Deheinzelin e Cristina Prochaska, faziam um casal de lésbicas assumidas que não recorriam à caricatura. Provocaram polêmica, assim como Sandrinho e Jefferson em A Próxima Vítima e, mais tarde, a Leila e a Rafaela de Torre de Babel. Ou seja, por esse retrospecto, o público só admite nos folhetins homossexuais velados ou estereotipados. Justifica-se, assim, o sucesso de Uálber - ele representa a volta do homossexual cômico, que não põe em xeque os valores da família tradicional.

Retrocesso

Para os militantes gays, isso significa um retrocesso. "É uma caricatura que apenas reforça o preconceito", critica o professor Luiz Mott, presidente do Grupo Gay da Bahia. "Admira-me que um homossexual assumido como Aguinaldo Silva, um dos pioneiros do movimento, tenha feito uma coisa dessas." O autor de Suave Veneno devolve: "Os gays brasileiros, ao contrário dos anglo-saxões, são mesmo exuberantes e efeminados. E essa coisa de ativista nem existe mais. Eu mesmo não sei se ainda sou homossexual". Alfinetadas à parte, não são apenas os gays que são caricatos nas novelas de Aguinaldo. Ele se notabilizou justamente por fazer comédia com tipos brasileiros bem característicos, como o coronel, a fogosa, a solteirona. Faz parte de seu estilo. Para requentar Suave Veneno, além de picotar as cenas, tornando a trama mais ágil, Aguinaldo apimentará as seqüências de sexo que envolvem beldades como Letícia Spiller, Nívea Stelmann e Débora Secco, além de incluir um crime misterioso daqui a alguns capítulos. Os primeiros efeitos da reviravolta já se fizeram sentir. Na semana passada, a novela chegou a atingir picos de 38 pontos na quarta-feira. Coincidência ou não, num dia em que o vidente Uálber foi o centro das atenções, fazendo um número de levitação.


 
Homossexualidade na tela

Ziembinski, em O Rebu (1974): primeiro personagem homossexual da telenovela brasileira, o milionário Conrad Mahler era discreto e não tinha trejeitos

Em Roda de Fogo (1986), Cecil Thiré fazia um gay estereotipado, que flertava com seu mordomo, Jacinto (Cláudio Curi)







Sandrinho (André Gonçalves)e Jefferson (Lui Mendes), de A Próxima Vítima (1995), conversavam sobre sua homossexualidade

Leila (Silvia Pfeifer) e Rafaela (Christiane Torloni), de Torre de Babel (1998), tiveram um fim trágico: morreram na explosão de um shopping center



Cecília (Lala Deheinzelin) e Laís (Cristina Prochaska) chocaram o país como as lésbicas assumidas de Vale Tudo (1988). Elas chegavam a passear de mãos dadas