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Tragédia Ecológica
 
Reunidos em Xangai, na China, eles previram que a temperatura média da Terra pode aumentar até 5,8 ºC desde que as primeiras medições foram feitas até 2100. Essa temperatura é 65% maior que o pior cenário de aquecimento global traçado há cinco anos pelo mesmo grupo de cientistas. É ainda dez vezes maior que todo o aquecimento registrado num período de 140 anos, entre 1860 e 2000. Os números funcionaram como um estridente apito contra as crescentes emissões de dióxido de carbono e outros gases que aumentam o efeito estufa no planeta. Ao mesmo tempo que divulgaram seu retrato apocalíptico, os cientistas calcularam um panorama mais otimista caso a humanidade controle parcialmente as emissões de gases. Nessa situação, a temperatura média do planeta aumentaria 1,4 ºC. Ainda assim, é muito. É mais que o dobro do registrado em todo o século passado. A concentração de dióxido de carbono na atmosfera da Terra é a mais alta dos últimos 20.000 anos. "Cerca de 29 bilhões de toneladas de dióxido de carbono foram liberados na atmosfera no ano passado", calcula o presidente da Agência Espacial Brasileira, Luiz Gylvan Meira Filho, representante do Brasil na reunião de Xangai. "Essa quantidade é 3 bilhões de toneladas maior que o registrado cinco anos atrás."

No cenário mais drástico traçado pelos especialistas cabem desde previsões sobre invernos mais quentes no norte da Ásia até cataclismos em países do Terceiro Mundo. O nível dos oceanos pode subir até 80 centímetros, o que fará desaparecer sob águas regiões como o delta dos rios Nilo, no Egito, e Ganges, na fronteira da Índia com Bangladesh. "Bangladesh perderia 18% de seu território", prevê o coordenador do estudo, Robert Watson. Ilhas como o paradisíaco arquipélago das Maldivas, no Oceano Índico, simplesmente sumiriam do mapa. Para chegar a essas previsões, os pesquisadores cruzaram dados coletados nos últimos cinco anos em todos os cantos do mundo. Registraram variações de temperatura e marés e aplicaram cálculos físicos que permitem prever quanto o aumento de emissões de gases pode influenciar o aquecimento e a elevação do nível do mar a longo prazo. Essa é a razão para a grande diferença entre os cenários mais otimistas e pessimistas. Com os resultados, os pesquisadores assumem que o principal fator de alteração climática na Terra é o homem. "O clima da Terra não pode ser explicado sem levarmos em conta o peso da ação humana", afirma Watson.

Essa opinião está longe de ser um consenso. Dezenas de pesquisadores contestam a tendência de achar que o homem é o único vilão no aquecimento global. Vários fatores podem estar concorrendo para alterar o clima do planeta. Uma das possibilidades é de que o Sol esteja passando por um período de intensa atividade e emitindo mais calor em direção à Terra. Outra é de que o planeta estaria atravessando mais um de seus tradicionais ciclos climáticos. Pesquisas conduzidas no Observatório Lamont-Doherty, da Universidade Colúmbia, nos Estados Unidos, apontam que a cada 1.400 ou 1.500 anos a Terra passa por uma variação profunda. "Muita gente acha que geleiras derretendo no Alasca e na Antártica são decorrentes do efeito estufa", diz o professor Richard Lindzen, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, nos Estados Unidos. "Mas a análise da evolução das geleiras mostra que o degelo começou antes da Revolução Industrial. É, portanto, um fenômeno natural, sobre o qual a humanidade não tem controle." Apesar da discussão, o alerta que veio de Xangai vale por seu caráter preventivo. O relatório final da reunião cobra dos países industrializados um controle mais efetivo sobre suas emissões de gases. Sugerem uma alteração na forma como produzem energia reduzindo o corte na queima de combustíveis fósseis e a adoção de formas de energia alternativas, como hidrelétrica, eólica e solar. É uma proposta nobre e bem-intencionada, mas o difícil vai ser convencer países como os Estados Unidos, responsáveis por 20% das emissões, a seguir esse conselho.

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A Europa tem sido castigada por ondas de calor de até 40 graus centígrados, ciclones atingem o Brasil (principalmente a costa sul e sudeste), o número de desertos aumenta a cada dia, fortes furacões causam mortes e destruição em várias regiões do planeta e as calotas polares estão derretendo (fator que pode ocasionar o avanço dos oceanos sobre cidades litorâneas). O que pode estar provocando tudo isso? Os cientistas são unânimes em afirmar que o aquecimento global está relacionado a todos estes acontecimentos.

Pesquisadores do clima mundial afirmam que este aquecimento global está ocorrendo em função do aumento da emissão de gases poluentes, principalmente, derivados da queima de combustíveis fósseis (gasolina, diesel, etc), na atmosfera. Estes gases (ozônio, dióxido de carbono, metano, óxido nitroso e monóxido de carbono) formam uma camada de poluentes, de difícil dispersão, causando o famoso efeito estufa. Este fenômeno ocorre, pois, estes gases absorvem grande parte da radiação infra-vermelha emitida pela Terra, dificultando a dispersão do calor.

O desmatamento e a queimada de florestas e matas também colabora para este processo. Os raios do Sol atingem o solo e irradiam calor na atmosfera. Como esta camada de poluentes dificulta a dispersão do calor, o resultado é o aumento da temperatura global. Embora este fenômeno ocorra de forma mais evidente nas grandes cidades, já se verifica suas conseqüências em nível global.


 
 
 
 
Tragédia Ecológica

31 de janeiro de 2001

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