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Na Lista Negra
 
A primeira vítima dos especialistas reunidos em Londres é a companhia de seguros japonesa Yasuda, que num escandaloso golpe de marketing pagou 40 milhões de dólares pela tela Girassóis, arrematada num leilão da Christie's de Londres, em 1987. Antes de ir a leilão, a tela pertencia à família Chester Beatty. De acordo com historiadores de arte e peritos, o quadro japonês não passa de uma cópia grosseira de uma tela com o mesmo tema pertencente à National Gallery londrina. No decorrer de seus 37 anos, Van Gogh teria pintado dez vasos de girassóis, dos quais cinco sobrevivem até hoje. Contra os Girassóis da Yasuda pesam vários fatores. Em primeiro lugar, ele não traz a assinatura do mestre. Em segundo, sua área pintada é ligeiramente maior do que o tamanho padrão utilizado por Van Gogh. Em terceiro, o quadro não consta em nenhuma das anotações de trabalho de Van Gogh, um sujeito tão obsessivo que documentava diariamente suas atividades. Por fim, o excesso de brilho e a espessura das pinceladas são rudimentares.

Acredita-se que os Girassóis de 40 milhões de dólares foram pintados, na verdade, pelo francês Claude-Emile Schuffenecker. Artista fracassado, mas restaurador de renome, ele teria falsificado o quadro em 1901, quando restaurava os Girassóis da National Gallery. Outra hipótese é que o doutor Gachet, médico que cuidou de Van Gogh e que gostava de manejar pincéis nas horas vagas, tenha feito a pintura. A Christie's continua insistindo na autenticidade da obra, enquanto a Yasuda ameaça abrir um processo para ser indenizada pelo prejuízo. A revelação da Comissão Van Gogh, dirigida pelo museu que leva o nome do pintor, em Amsterdã, levanta questões perturbadoras. Além dessa, quantas outras obras de arte negociadas por milhões de dólares podem não passar de falsificações? E quantas serão descobertas? Já há uma lista de pinturas creditadas ao gênio holandês que devem ser desatribuídas. Entre elas, A Arlesiana do Metropolitan Museum, de Nova York, e Dr. Gachet, do Museu D'Orsay, de Paris.

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Roubo de obras de arte

13/05/2009

Picasso, Van Gogh, Leonardo da Vinci, Cézanne e Renoir. Em comum, além de serem gênios da arte, também tiveram suas obras, avaliadas em milhões de dólares, roubadas de museus de toda a Europa. No Brasil, igrejas, museus e coleções particulares também são alvos dos ladrões. Quatro telas dos mais importantes artistas brasileiros, Cândido Portinari (1903-1962) e Tarsila do Amaral (1886-1973), além do pintor carioca Orlando Teruz (1902-1984), foram roubadas no último dia 10 de maio de uma casa no bairro dos Jardins, região nobre de São Paulo. O valor das pinturas foi estimado em R$ 3,5 milhões.

Dois dias depois, as pinturas foram abandonadas em uma rua situada próximo à sede da TV Record, na região da Barra Funda, zona oeste da capital. A polícia chegou ao local depois de receber uma denúncia anônima. A autenticidade dos quadros ainda vai ser verificada, assim como sua integridade: é preciso descobrir se eles não foram danificados.

Segundo o banco de dados do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), 1.545 bens culturais em todo país estão desaparecidos, sendo 619 roubados ou furtados de São Paulo e 539 do Rio de Janeiro. Outros 127 foram recuperados pela polícia. Os itens incluem desde pinturas, estatuetas e livros até moedas raras. As peças foram levadas de museus, igrejas e galerias de arte. Os últimos crimes ocorridos em São Paulo, na Pinacoteca, em 2008, e no Museu de Arte de São Paulo (Masp), em 2007, fizeram com que os museus reforçassem os esquemas de segurança, o que pode ter levado os bandidos a atacarem as residências que abrigam acervos. Da Pinacoteca, foram roubadas obras de Di Cavalcanti (1897-1976), Pablo Picasso (1881-1973) e Lasar Segall (1891-1957). Já do Masp, os ladrões levaram pinturas de Portinari e Picasso, avaliadas em R$ 100 milhões. Todas as peças foram recuperadas pela polícia e voltaram a ser expostas.

O roubo de obras de arte é considerado um dos comércios ilegais mais lucrativos do planeta, ao lado do tráfico de armas e de drogas, com ganhos anuais de até U$ 6 bilhões (R$ 12 bilhões), segundo estimativas da Arca (Association for Research into Crimes Against Art). Os crimes são praticados por quadrilhas especializadas que agem em todo mundo. Segundo a Interpol, a polícia internacional, os roubos de objetos culturais atingem principalmente países desenvolvidos. França e Itália têm o maior número de casos registrados, seguidos de Alemanha, Bélgica, Rússia e República Tcheca. Depois dos ladrões receberem encomendas e praticarem os roubos, eles guardam a mercadoria por um período de "quarentena", até que possam ser levadas para fora do país com segurança. O destino, em geral, são antiquários, galerias e receptadores nos Estados Unidos, China e Europa.

Pablo Picasso possui um dos conjuntos de obras mais bem cotadas no mercado e também o número de pinturas mais roubadas de museus em todo o mundo, segundo dados da fundação The Art Loss Register . No ano passado, duas obras do artista espanhol, avaliadas em US$ 4 milhões (R$ 8,4 milhões), foram furtadas de uma exposição na Suíça e continuam desaparecidas. Mas o maior furto de uma obra de arte ocorreu em 14 de abril de 1991, quando ladrões levaram 20 telas do pintor holandês Vincent Van Gogh (1853-1890), avaliadas em US$ 500 milhões (R$ 1 bilhão), do Museu Van Gogh, em Amsterdã. Eles abandonaram as telas meia hora depois, dentro de um carro. Nem mesmo o quadro mais famoso do mundo, a "Mona Lisa", do pintor renascentista Leonardo da Vinci (1452-1519), cujo valor é inestimável, escapou dos bandidos. Em 22 de agosto de 1911 o quadro desapareceu do Museu do Louvre, na França. Dois anos depois, a obra foi recuperada na Itália. Ela havia sido furtada por um ex-funcionário do museu que alegou querer repatriar a pintura do gênio italiano.


 
 
 
 
Na Lista Negra

27 de maio de 1998

Obras falsas e roubadas agitam os museus e o mercado

Girassóis, de 40 milhões: sob suspeita

Os ladrões e falsários estão tirando o sono dos curadores, marchands dos principais museus, casas de leilões e galerias do planeta. Na terça-feira passada, três homens armados invadiram a Galeria Nacional de Arte Moderna,em Roma, levando três quadros de primeira linha: dois retratos pintados pelo holandês Vincent Van Gogh (1853-1890), O Jardineiro e A Arlesiana, e uma paisagem do pintor francês Paul Cézanne (1839-1906), A Cabana de Jordão. Suspeita-se de que o roubo não seja obra de ladrões comuns, mas de terroristas interessados em desmoralizar o primeiro-ministro Romano Prodi. Seja lá quais forem suas intenções, os ladrões deram um prejuízo que pode alcançar a casa dos 100 milhões de dólares. O assalto aconteceu menos de um mês depois do furto de uma tela de Camille Corot, O Caminho de Sèvres, do Museu do Louvre. Como se isso não bastasse para tumultuar o quase sempre modorrento mundo das artes, um simpósio londrino sobre Van Gogh se encarregou de agitar os museus e o mercado. Uma comissão de sete especialistas na obra do pintor colocou publicamente em discussão a autenticidade de cerca de cinqüenta obras de Van Gogh.