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É a segunda vez, em quatro anos, que o Brasil serve de tema a uma grande feira literária. Na primeira ocasião, em 1994, o cenário era Frankfurt. O Brasil levou samba e mulatas, mas esqueceu o que interessava: a divulgação de seus autores. Na França, o erro não se repetiu. Além de uma sóbria exposição nos pavilhões do salão, não houve Carnaval para francês ver. A animação ficou mesmo por conta dos encontros entre o público francês e os romancistas, poetas e ensaístas brasileiros que foram a Paris. Cerca de 220.000 pessoas passaram pelo Salão do Livro. O público foi 10% maior que o de 1997, quando o país homenageado era o Japão.

Do ponto de vista comercial, a importância do Salão de Paris é relativa. É sobretudo gente comum, à procura de um programa de final de semana, que percorre os seus corredores - ao contrário de Frankfurt, que recebe a cada ano milhares de profissionais do meio editorial, que decidem o que o mundo vai ler nos meses seguintes. Mesmo assim, os dividendos gerados pela ida à França devem ser elevados para os escritores brasileiros. Ainda que a estrela do evento tenha sido o mago Paulo Coelho, jovens como Bernardo Carvalho, autor de Aberração, conseguiram receber grande atenção. Basta dizer que, além da cobertura diária da feira, o Le Monde e o Libération, principais jornais franceses, com circulação e influência em toda a União Européia, publicaram suplementos especiais sobre a literatura brasileira.

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Maior evento do mercado editorial francês e um dos maiores da Europa, o salão homenageia este ano o Brasil -honra que já coube aos Estados Unidos, Japão e Espanha. Entre os escritores selecionados estão Jorge Amado, João Ubaldo Ribeiro e Chico Buarque. Nas próximas semanas membros da organização do salão chegarão ao país para acertar os detalhes da participação brasileira. A expectativa é de que 200 mil pessoas visitem a feira este ano -sendo 30 mil profissionais do setor. Em um espaço de 35 mil metros quadrados, o 18º Salão do Livro de Paris terá 561 estandes de 1.167 editoras.

Paulo Coelho não viu seu nome incluído na delegação brasileira do 18º Salão do Livro de Paris. Mas acabou sendo a presença mais festejada do evento. Paulo Coelho viajou a convite de sua editora para divulgar o lançamento de O monte cinco, livro que cedo entrou na lista dos mais vendidos na terra de Marcel Proust. Ele confessa que ficou chateado com o esquecimento, mas vibrou com a presença dos escritores brasileiros no jantar de 700 pessoas no Museu do Louvre em sua homenagem.


 
 
 
 
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01 de abril de 1998

Paris foi uma festa para a literatura brasileira

Aquilo que o romancista americano Ernest Hemingway já sabia no começo do século, 35 escritores brasileiros acabam de descobrir: Paris é uma festa. Uma festa para a literatura. Incluindo nomes como Jorge Amado, Raduan Nassar, Chico Buarque e Lygia Fagundes Telles, um time de autores nacionais foi à capital francesa para tomar parte do 18º Salão do Livro, um dos principais eventos editoriais da Europa, que se encerrou na última quarta-feira. O Brasil era o país homenageado e sua participação foi resumida com as mesmas palavras por todos os organizadores: "Um sucesso".