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É a Vovozinha!
 
O carisma da boa velhinha foi construído em cima de sua figura de pessoa mais atraente e inofensiva da família real. Desde que perdeu o marido, o rei George VI, em 1952, a rainha-mãe não faz outra coisa senão sorrir, dar tchauzinho para quem lhe aparece pela frente e organizar festas, de preferência as que varam a madrugada. O namoro com a população remonta à II Guerra Mundial, quando se recusou a buscar refúgio nos Estados Unidos e costumava visitar os bairros de Londres mais atingidos pelos bombardeios inimigos, conquistando a simpatia local. O que ocorria do lado de dentro dos portões de Buckingham, contudo, é menos conhecido. O pouco que se sabe está longe de corresponder à imagem de boa velhinha. O centenário é a ocasião ideal para que os fofoqueiros da realeza exponham a roupa suja.

O que se diz contra a rainha-mãe é que dava palpites infelizes na política inglesa e tentou impedir que Winston Churchill se tornasse primeiro-ministro. O pecado é imperdoável do ponto de vista inglês, pois a mulher do rei (ou, atualmente, o marido da rainha) não tem o direito de se meter em assuntos de Estado. Desgosto mesmo ela teve com a filha mais nova, Margaret, a quem perseguiu implacavelmente por causa do amor da jovem por um homem divorciado e plebeu. Sem remorsos, assistiu ao definhamento psicológico da princesa, que acabou neurótica. Nada disso abala o apreço dos ingleses, povo que não considera a implicância um defeito. Além do mais, tudo se perdoa a quem tem 100 anos.

Com a morte do rei, Elizabeth, a filha mais velha, subiu ao trono, que ocupa até hoje. À viúva coube assumir o papel de rainha-mãe. Deu-se bem. As festas em seus palácios tornaram-se ainda mais freqüentes e animadas. Todo mundo sabe que gosta de uns goles de gim, com ou sem tônica. Perdulária, estima-se que sua conta bancária apresente um rombo de mais de 6 milhões de dólares. "Se houvesse dois gastadores como ela na realeza, os cofres já estariam vazios", ironiza um amigo. É servida em seu castelo por mais de quarenta empregados. Sua saúde está ótima, só não se deve perguntar. Ela detesta comentários a respeito e nunca se queixa de dores. A vista está cansada, mas se nega a usar óculos. Também não gosta das duas bengalas que passou a empunhar depois de se submeter a duas cirurgias nos quadris.

As celebrações seguem um protocolo estrito ditado por ela. Proibiu o uso de perfumes fortes e loções pós-barba, que não tolera. Aos asmáticos pediu que não apareçam, já que podem ser acometidos de crises respiratórias provocadas por seus cães. Proprietária de cavalos e amante das corridas e das apostas, recomendou que o tema faça parte das conversas. Homens devem trajar terno e gravata, mulheres, saias, jamais calças compridas. Na apresentação, os convivas curvam-se em reverência e os apertos de mão se limitam ao "mais breve dos toques". Fotografias são permitidas, mas as câmaras devem permanecer escondidas até que ela autorize o clique. Chatice? A aniversariante tem direito.



 
 
 
 
É a Vovozinha!

19 de julho de 2000

A longa festa dos 100 anos da rainha-mãe, a figura mais popular da realeza inglesa

Elizabeth: ela adora festas e bebidas e está sempre sorridente

A vovó mais querida da Inglaterra está completando 100 anos de vida. Nascida em 4 de agosto de 1900, Elizabeth Angela Marguerite Bowes-Lyon, mãe da rainha Elizabeth II, já começou a comemo- rar o centenário com os súditos, que a consideram a figura mais simpática da monarquia. Na terça- feira da semana passada, quatro gerações da família real se encontraram na Catedral de Saint Paul, em Londres, para uma missa de ação de graças. Foi apenas o começo. Nesta quarta-feira, bandas militares, um coral, uma orquestra, milhares de pessoas, cães e até camelos vão percorrer as ruas londrinas num megadesfile em homenagem à mamãe rainha, seu apelido mais carinhoso. Até o dia 4, a aniversariante receberá congratulações por seu maior feito: ter se mantido viva por um século.


 
Rainha-mãe da Inglaterra morre aos 101 anos
30/03/2002

A rainha Elizabeth, da Inglaterra, conhecida como rainha-mãe, morreu hoje, aos 101 anos de idade, em Londres, "enquanto dormia pacificamente" no castelo de Windsor, informou o Palácio de Buckingham. Viúva do rei George 6º e fonte de apoio para sua filha mais velha, Elizabeth 2ª, 75, a rainha-mãe era a figura mais popular da realeza britânica e um símbolo da resistência inglesa aos nazistas, durante a Segunda Guerra Mundial. A morte da rainha-mãe adiciona uma tragédia pessoal aos traumas recentes sofridos pela família real britânica nos últimos anos. A mais recente foi a morte da princesa Margaret, 71, filha mais nova da rainha-mãe, no dia 9 de fevereiro.