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Radiografia da Fofoca
 
Ela é vítima da indústria do boato. Devido aos rumores que cercam sua vida desde março, a estrela da Globo deixou de sair de casa. Até a semana passada, Gloria evitava atender ao telefone para não ter de desmentir, pela enésima vez, notícias sobre a própria morte. Aonde quer que fosse, seu marido era olhado com desconfiança. Cleo, por sua vez, não agüentava mais as maledicências dos colegas no Colégio São Marcelo, do Rio, onde cursa a 8ª série. O pai da menina, o cantor e ator Fábio Jr., não quer falar sobre o assunto, mas está preocupado.

A vida da atriz e de sua família virou um inferno. Para escapar dele, Gloria, Orlando, Cleo e a filha mais nova do casal, Antonia, de 5 anos, partiram para Los Angeles na quinta-feira passada. Eles devem passar três meses nos Estados Unidos, durante os quais a atriz estudará inglês e Orlando fará cursos de aperfeiçoamento na área musical. O casal já planejava essa viagem há algum tempo, mas não tinha ainda data para fazê-la. Em vista dos acontecimentos, resolveu partir imediatamente. "Estou cansada dessa história toda", desabafa Gloria. "Não entendo essa loucura. Como uma situação completamente improvável pode ganhar tanta força?"

A fofoca é uma instituição que existe desde o tempo das cavernas, quando não havia sido inventada a escrita e todas as informações, verdadeiras ou não, eram transmitidas oralmente. Milhares de anos depois, o boca-a-boca continua a ser a fonte primária de fuxicos que dificilmente são a favor - a fofoca eficiente, afinal de contas, é sempre aquela que ajuda a manchar reputações. Fofocas que envolvem personalidades famosas, como atores e políticos, tendem naturalmente a amplificar-se, ganhando a condição de boato. Até aí nada de muito problemático. A dor de cabeça é quando boatos desembarcam nas páginas de jornais e nos programas da mídia eletrônica. A partir desse momento, eles ganham legitimidade, status de notícia. É difícil livrar-se de um boato quando ele atinge esse estágio. Muitas vezes, os desmentidos públicos têm efeito contrário - se os atingidos não tiverem uma prova material, o que quase sempre é impossível, ajudam a divulgá-lo ainda mais e mantêm acesa na cabeça das pessoas a dúvida de que tudo, afinal, pode ter um fundo de verdade. A lógica do boato é tão perversa que ele ganha força na medida em que incorpora ingredientes inverossímeis. Trata-se de um caso típico de como funciona a psicologia das multidões. "Os boatos agem como um sismógrafo dos sentimentos e emoções mais recônditos", explica o historiador Nicolau Sevcenko.

Beijo na boca
Na era da comunicação de massa, o boato nasce da superexposição da imagem. As celebridades aparecem na televisão, em colunas sociais, nas rádios e em revistas de fofocas, tornando-se próximas do público. As pessoas comuns passam a tratá-las como se fossem amigas, vizinhas ou até mesmo parentes. Essa proximidade é tal que telespectadores e leitores se sentem no direito de tecer comentários sobre a vida privada de gente famosa. É nesse terreno que cresce a maldade. Nos últimos anos, o tipo de boato mais constante é que determinada celebridade está com Aids. Isso acontece sempre que alguém aparece numa foto com alguns quilos a menos. Foi o caso do ator Tony Ramos em 1993. Adepto do estilo de representar do ator americano Robert De Niro, que incorpora fisicamente seus personagens, Tony emagreceu 10 quilos para interpretar seu papel numa montagem de A Morte e a Donzela, clássico de esquerda do autor chileno Ariel Dorfman. Foi o bastante para que o rumor se espalhasse. Pelo mesmo motivo - emagrecimento - já foram apontados como portadores do vírus HIV Cláudia Raia, Ney Matogrosso, Natália do Valle, Lulu Santos e Fafá de Belém, entre outros. O próprio boato que envolve a família de Gloria Pires pode ter tido origem numa foto. No dia 8 de maio de 1997, o jornal O Globo publicou uma foto na coluna do Swann em que Orlando Morais e a menina Cleo aparecem dando um beijo na boca. Não é, claro, um beijo cinematográfico, mas uma beijoca dessas que alguns jovens usam comumente para se cumprimentar. Uma bicota. O fato de Cleo usar um piercing na sobrancelha e aparecer em colunas sociais com roupas colantes pode ter ajudado a incendiar a imaginação dos boateiros. "Ela é bonita e tem personalidade, mas as pessoas vêem maldade em tudo", indigna-se Gloria.

Tudo começa, então, com a imagem. Depois vem o desenvolvimento. Numa ária da ópera O Barbeiro de Sevilha, o personagem Don Bartolo compara a calúnia a uma brisa, que vai aumentando até se transformar num furacão (veja quadro). Como dizia o personagem do compositor Gioachino Rossini, o rumor vai ganhando cada vez mais detalhes, em geral acrescentados por pessoas que trabalham próximas às celebridades e desejam aparentar mais intimidade com elas do que realmente têm. Os bastidores das redes de televisão, com seus câmeras, maquiadores e cabeleireiros, são, assim, um campo fértil para a fofoca. A nascente do boato está quase sempre ao lado da vítima, e, uma vez lançado, ele se espalha como fogo num rastilho de pólvora. O embaixador Italo Zappa, falecido no ano passado, costumava divertir-se com uma brincadeira que fazia no Palácio do Itamaraty, no Rio de Janeiro, onde trabalhava no final dos anos 60. De manhã, ele contava, na base do segredo, uma história sem fundamento para alguns de seus colegas. De tarde, em seu gabinete, divertia-se ao observar que a história contada horas antes ganhara detalhes novos e por vezes escabrosos.

Allen carioca
Mas como é que uma fofoca, transformada em boato, vai parar nos jornais? Teoricamente, nenhum veículo sério publica ou coloca no ar uma informação que não esteja checada, sob pena de perder sua credibilidade. Ainda assim, boatos freqüentemente são noticiados como sendo verdadeiros, e não só em relação a personalidades. São famosos os casos de invencionices como o "chupa-cabras", um monstro que estaria atacando animais em sítios e fazendas do interior. Também houve a história, amplamente divulgada na imprensa, do ET de Varginha. Esses boatos foram tratados como notícias em diversos veículos de informação porque atiçavam o interesse dos leitores. Mas há outros exemplos em que os desdobramentos vão muito além do folclore e da bizarrice. Em economia, eles são abundantes. O último boato econômico falava na "quebra" do Banco Real. O diz-que-diz do mercado financeiro causou um tremendo prejuízo ao banco (veja quadro).

A principal brecha nos jornais para a divulgação de boatos são as colunas sociais. Elas fazem muitas vezes insinuações sem citar nomes.Gloria Pires foi vítima,mais do que ninguém, desse tipo de jornalismo. A fofoca sobre sua família saiu publicada pela primeira fez no dia 30 de março na coluna do jornalista Fred Suter, do jornal carioca O Dia. A nota dizia, sob o título "Tititi": "O insosso Orlando Morais tanto fez que conseguiu: é o assunto obrigatório, de uns dias para cá, em todas as rodas de conversa". Suter conta que havia recebido a informação do suicídio de Gloria de uma amiga "seriíssima". Checou a informação e viu que não procedia. "Resolvi, então, dar apenas a notícia sobre o rumor, sem contar a história", diz ele.

Depois disso, o caso reapareceu quatro vezes na coluna do Swann, do jornal O Globo, escrita pelo jornalista Alessandro Porro. "A história me foi passada por um amigo de toda a confiança. Dei a notícia, mas não revelei os nomes por prudência", justifica-se Porro. O título de uma das notas era o seguinte: "Woody Allen, mas com gosto carioca", numa alusão ao diretor americano que, em 1992, se apaixonou pela enteada Soon-Yi Previn enquanto ainda era casado com a atriz Mia Farrow. No dia 4 passado, por fim, a comentarista Sônia Abrão, da Rádio Capital, de São Paulo - que tem um programa sintomaticamente intitulado Fatos e Boatos -, colocou no ar a entrevista com um suposto enfermeiro do Hospital Albert Einstein, em São Paulo. Segundo o entrevistado, Gloria Pires teria sido internada depois de uma de suas tentativas de suicídio. Nesse dia, a maior cidade do país não falou em outra coisa. Sônia se defende: "Procurei a assessoria de Gloria Pires e só recebi informações evasivas. Só então coloquei a entrevista no ar", diz a colunista, que parece ter se esquecido de que a atriz mora no Rio de Janeiro, a pelo menos 400 quilômetros do Hospital Albert Einstein. Na verdade, a fita com a entrevista foi especialmente editada. Nela, o "enfermeiro" afirmava que havia participado de uma lavagem estomacal à qual a atriz fora submetida no hospital. Em outro trecho da entrevista, porém, que não foi ao ar, ele dizia não ter assistido ao procedimento. Ou seja, a rádio não levou em conta a contradição, não checou devidamente a história e mostrou a seus ouvintes o que lhe convinha do ponto de vista da audiência.

Nem sempre, é claro, boatos são sinônimo de mentira. Alguns são confirmados pelo tempo. Isso explica, sem justificar, o fato de as colunas sociais dos jornais e do rádio serem tão vorazes e apressadas em divulgar o que lhes cai nas mãos. O que não for mentira pode virar furo de reportagem. "Muitos fatos nasceram de boatos, como o romance de Zélia Cardoso de Mello com Bernardo Cabral", diz a jornalista Joyce Pascowitch, da Folha de S.Paulo, que recentemente insinuou em sua coluna que a atriz Carolina Ferraz estaria tendo um caso com seu colega Murilo Benício. O boato de que Cazuza estava com Aids, que durante o final dos anos 80 foi o assunto preferido das colunas de fofocas brasileiras, se revelou tragicamente verdadeiro - e o cantor morreu da doença. É por isso também que o boato tem efeito devastador. A não ser que seu desmentido seja bastante convincente, uma prova material como já se disse, sempre fica uma sombra de dúvida. Em 1992, Cláudia Raia foi inteligente ao mostrar em público um teste negativo de Aids, acabando de uma vez por todas com os rumores, espalhados pelo médico Ricardo Veronesi, de que ela estaria com o vírus HIV. A atriz francesa Isabelle Adjani foi outra a adotar uma linha corajosa para negar que estava doente (veja quadro). São poucos, no entanto, os que conseguem sair de uma fofoca sem seqüelas.

Detalhes sórdidos
Na televisão brasileira, o caso mais dramático é do ator Mário Gomes. Em 1977, ele despontava na televisão como o sedutor Dino, da novela Duas Vidas. Era apontado como o suces- sor de Tarcísio Meira no posto de maior galã do país. No dia 24 de março daquele ano, o extinto jornal Luta Democrática pôs em dúvida a masculinidade do ator. A notícia era cheia de detalhes sórdidos. Desconfiou-se, na época, que a história teria sido inventada por um desafeto do ator dentro da emissora, enciumado com seu sucesso. Não importava, o estrago já estava feito. A fofoca pegou de tal maneira que o ator, uma estrela ascendente, ficou seis anos sem fazer nenhum papel importante na Globo. Mário Gomes só conseguiu reerguer-se parcialmente em 1983, interpretando um motorista na novela Guerra dos Sexos. Hoje, com 46 anos, casado há sete e pai de duas meninas, ele se exalta quando lembra do que aconteceu, mas está tocando a vida. Tem uma confecção de roupas e é, de novo, contratado da Globo. "O que não mata fortalece", conforma-se.

O caso de Gloria e Orlando é o mais dramático do meio artístico brasileiro desde Mário Gomes. Antes que a atriz, o marido e a filha partissem para os Estados Unidos, Gloria recebia telefonemas diários do pai, que mora numa fazenda em Goiás, perguntando se estava tudo bem. A sogra, Ocidia, que há algumas semanas estava morando com o casal, era acometida de taquicardia cada vez que Cleo saía à rua. Os amigos também não paravam de ligar. No sábado dia 6, Gloria chegou a receber um telefonema da apresentadora Hebe Camargo, que ouvira de um médico amigo da família a notícia de suicídio. É duvidoso que, com a viagem, os rumores cessem. "Na escola de minha filha, as pessoas comentam que ela está escondendo a barriga e que vai viajar para Los Angeles para fazer aborto", irrita-se Gloria Pires. "Ela está reagindo com coragem, mas às vezes não se contém e passa a agredir os colegas a seu redor." A atriz, que trabalha na Globo desde 1972, contou com a ajuda da emissora para tentar desmentir o boato. No último Dia das Mães, o Fantástico colocou no ar uma reportagem de dois minutos com Gloria, Orlando, Cleo e Antonia. No jardim de casa, eles falaram no assunto de forma velada. Não foi suficiente, principalmente depois que a história voltou à tona por meio da Rádio Capital. No domingo dia 7, ela e Orlando voltaram a abordar o tema no Domingão do Faustão, dessa vez de uma forma mais direta. O Ibope do programa foi de 24 pontos, contra 9, no mesmo horário, do concorrente Gugu.

O que a vítima de boato pode fazer para compensar os estragos causados em sua vida? Como o boato é uma "criação coletiva", inventado por um, aumentado e propagado por muitos, é praticamente impossível responsabilizar quem iniciou a coisa.Mas, caso ele seja difundido por algum veículo de informação, esse é passível de processo. Até 1988, esses processos eram regidos pela Lei de Imprensa, e sua indenização nunca poderia ultrapassar 100 salários mínimos, ou 13.000 reais. Agora, os que se sentirem atingidos podem invocar calúnia, difamação e injúria, e o valor por danos morais não tem limite. Foi o que aconteceu com o cantor Ney Matogrosso. Em 1989, o cantor apareceu na capa da revista Amiga, da Editora Bloch. Na chamada, os leitores foram informados da trágica "notícia": Ney estaria com Aids. Com a saúde 100%,ele contratou um advogado e,um ano depois, ganhou indenização de 3.000 salários mínimos,o equivalente hoje a 390.000 reais.Cláudia Raia também processou o médico Ricardo Veronesi, mas perdeu. Os advogados dele convenceram o júri de que o médico não havia autorizado a publicação de suas declarações e que tinha feito apenas um comentário infeliz. Por intermédio do advogado Paulo Cezar Carneiro, o mesmo de Ney Matogrosso, a atriz Gloria Pires pretende acionar os jornais e a rádio que a difamaram. A atriz tem bastante dinheiro. Não está em busca disso. Quer reparação. Mas, por maior que seja a indenização, ela não compensará o abalo por que passam a atriz e sua família.

Glória, num desmentido implícito "Vivemos em cumplicidade e confiança. Adoro a vida que tenho com minhas filhas e o Orlando. Aqui todos se curtem." No Fantástico, no Dia das Mães

E a revolta, no segundo desabafo "Eles foram covardes, não disseram o nome. Foi uma pessoa fraca, mas de credibilidade entre os jornalistas, porque deu base a esse comentário louco. É como uma mão no meio da multidão jogando uma pedra na nossa cabeça. Dói no coração ver nossa filha sendo apontada pelos colegas no colégio." No Domingão do Faustão, no último dia 7

Recurso Dramático A intriga é tão antiga quanto o homem, mas os primeiros registros de boatos na História vêm da Roma antiga. Eles eram uma forma eficaz de atingir adversários políticos. Júlio César costumava lançar mão desse expediente pagando pessoas a peso de ouro para espalhar que esse ou aquele senador estava participando de uma conspiração contra Roma. Tanto que a palavra boato vem do latim boatu, que significa mugido ou berro de boi - uma metáfora para dizer que determinada intriga estava sendo bradada aos quatro ventos. Na civilização grega, anterior à romana, os boatos já existiam, mas não tinham tanta importância. "Na Grécia antiga o que valia era a palavra pública, assumida, ou então a acusação não se mantinha", observa Antonio Medina Rodrigues, professor da Universidade de São Paulo. Na literatura, especialmente a teatral, a fofoca levada às últimas inconseqüências sempre foi um bom recurso, fornecendo combustível tanto para a tragédia como para a comédia. No primeiro caso, está o Otelo, de William Shakespeare. Na peça, o vilão Iago espalha que a mulher de Otelo, Desdêmona, é adúltera. O boato origina um banho de sangue que termina com a morte dos três personagens principais. No clássico da comédia O Barbeiro de Sevilha, o escritor francês Pierre Beaumarchais criou um personagem cuja especialidade é espalhar boatos, Don Bartolo. Grande sucesso em sua época, a peça teve uma continuação, As Bodas de Fígaro, em que quase todos os personagens são boateiros. A primeira peça inspirou uma ópera de Rossini, na qual há até uma ária dedicada ao boato, La Calunnia È un Venticello, e a segunda, uma das melhores óperas de Mozart. Era o boato, motor da tragédia e da comédia, assumindo a forma de música.

Prejuízo de milhões
Na vida pessoal, um boato causa estragos. Quando envolve uma instituição financeira, pode acarretar prejuízo de milhões. Há duas semanas, o Real, quarto maior banco privado do país, passou por momentos de grande tensão. Informações sobre problemas financeiros na instituição tomaram conta do país e provocaram pânico entre seus correntistas. Num único dia, 2 de junho, os clientes sacaram 70 milhões de reais das contas correntes, volume três vezes e meia superior ao de um dia normal. O prejuízo só não foi maior porque o Banco Central divulgou comunicado negando que o Real estivesse passando por dificuldades. O diretor-geral do banco, Renê Aduan, atribui a boataria à movimentação criada em seus escritórios pela chegada de um pelotão de auditores do Banco Central. A auditoria faz parte de uma nova forma de avaliar a situação dos bancos. O objetivo é evitar surpresas como o Nacional e o Econômico. Esse procedimento chamou a atenção das pessoas e fez soar o alarme falso. No caso do Real, nada havia de suspeito ou irregular na sua contabilidade.

Os boatos fazem parte do jogo do mercado financeiro em todos os países. Nas bolsas, eles são responsáveis pela alta exagerada ou pela derrubada do preço de algum papel. Só neste ano, pelo menos três bancos sofreram com mexericos. Segundo os fofoqueiros, o Unibanco teria sido vendido ao Citibank e a filial brasileira do banco francês CCF teria ido à bancarrota. Tudo mentira. O CCF, um banco sólido, perdeu aproximadamente 100 milhões de reais de seus fundos com a "brincadeira". O Unibanco chegou a procurar diretores do Citibank para obter uma negativa oficial. Em nenhum dos casos foi identificada a fonte da boataria.

Por trás das telas
Houve um tempo em que as celebridades de Hollywood viviam praticamente imunes à boataria. Até o fim dos anos 60, adultérios, homossexualismo, alcoolismo e doenças em geral eram simplesmente banidos do noticiário em função da censura dos estúdios. Mas hoje Hollywood é o principal foco dos rumores acerca da vida das estrelas. Existe uma infinidade de revistas, sites na Internet e até canais de TV, como o E!, especializados em fofoca. O caso mais rumoroso da década é provavelmente o do suposto homossexualismo do ator Keanu Reeves, difundido a princípio entre a comunidade gay californiana e que depois ganhou notas em vários jornais. Segundo os boateiros, ele teria se "casado" com o militante gay e dono de gravadora David Geffen, que acabou desmentindo a história. Reeves limitou-se a declarar-se heterossexual. Do outro lado do Atlântico, em Paris, a atriz italiana Claudia Cardinale manifestou-se indignada contra o tablóide americano The New York Post, que publicou nota afirmando que ela teria um romance com o presidente francês Jacques Chirac. "Esse jornal é um lixo", disse. Na mesma França, nos anos 80, a atriz francesa Isabelle Adjani, que diz detestar a imprensa, chegou a ir à TV para desmentir um boato segundo o qual ela teria Aids. Às vezes, a fama pode ser um fardo.


 
 
 
 
Radiografia da Fofoca

Veja 17/06/1998

O boato sobre o suicídio de Gloria Pires, que teria surpreendido o marido com sua filha mais velha, é um exemplo de como a maledicência surge e se espalha

Glória e Orlando, com Cléo, filha do primeiro casamento da atriz: exílio em Los Angeles

Nos últimos dois meses, a atriz Gloria Pires, de 33 anos, tentou o suicídio pelo menos duas vezes. Uma por ingestão de remédios para dormir, outra com um tiro na cabeça. Deu entrada, em estado grave, em dois hospitais: a Clínica São Vicente, no Rio de Janeiro, e o Albert Einstein, em São Paulo. A razão do tresloucado gesto é digna de uma peça de Nelson Rodrigues. Seu marido, o cantor Orlando Morais, de 34 anos, estaria tendo um caso com a filha do primeiro casamento da atriz, Cleo, de 15 anos. Esta, por sua vez, fez pelo menos dois abortos recentemente. Um em Portugal, outro em Los Angeles. Se as linhas acima fossem verdadeiras, a vida de Gloria Pires se teria transformado numa tragédia grega. Felizmente, o infortúnio da atriz é menos grave, embora não deixe de ser tremendamente incômodo.


 
Boato
Rumores sobre a virilidade do ator Mário Gomes, um galã em ascensão que namorava Beth Faria
Como começou
Em 1977, com uma nota no jornal carioca Luta Democrática
Como terminou
O ator ganhou três salários mínimos como indenização por ofensas e danos morais, e teve direito a publicar uma retratação

Boato
Cláudia Raia e a Aids
Como começou
Em 1992, o médico paulista Ricardo Veronesi declarou a jornalistas que a atriz seria portadora do vírus HIV
Como terminou
Ela submeteu-se a um exame de sangue e convocou a imprensa para mostrar o resultado negativo. Cláudia processou Veronesi

Boato
Ney Matogrosso com Aids
Como começou
Com uma reportagem de capa da revista Amiga em 1989
Como terminou
Com o desmentido do cantor, que processou a revista e ganhou uma indenização de 390.000 reais

Boato
A mulher de Tony Ramos, Lidiane, teria recebido uma transfusão de sangue contaminado com o vírus da Aids. O ator também teria ficado doente
Como começou
Em 1993, Tony fez um regime, e sua magreza provocou rumores entre os cariocas
Como terminou
Com o desmentido do ator numa entrevista no programa Jô Soares Onze e Meia

Boato
Os atores Carolina Ferraz e Murilo Benício, da novela Por Amor, teriam um caso
Como começou
Com uma nota na coluna social da Folha de S.Paulo, publicada em abril, insinuando o romance
Como terminou
O rumor se enfraqueceu com o fim da novela