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A Bolsa da Fama
 
A Bolsa da Fama

25 de agosto de 1999

Para receber um alto cachê em Hollywood, não basta ser estrela. É preciso ter regularidade

Não há emprego melhor no mundo: milhões de dólares por dois ou três meses de trabalho e, no resto do ano, sombra e água fresca. Os astros do cinema americano levam um vidão, mas nada garante que na temporada seguinte sua remuneração será tão gorda quanto na anterior. Isso porque os critérios para definir o cachê de cada artista estão mudando. Antigamente, quando Rita Hayworth e Clark Gable reinavam nas telas, os atores eram contratados pelos estúdios por longos períodos e com salários fixos. Num passado mais recente, adotou-se o contrato para apenas um filme, com pagamento baseado na popularidade do artista. Isso ainda vale, só que a bolsa da fama em Hollywood anda mais nervosa do que nunca, fazendo com que a cotação dos atores oscile a cada produção. A explicação é simples: o cinema americano nunca faturou tanto (7 bilhões de dólares no ano passado), mas também nunca custou tão caro. Os produtores pagam cachês cada vez mais altos para os astros e as estrelas, mas querem retorno imediato. Caso eles não consigam atrair às bilheterias o público esperado, dificilmente poderão cobrar o mesmo no filme seguinte.

Há pouquíssimos artistas do cinema que se podem gabar de certa imunidade à montanha-russa dos cachês. Eles chegaram a essa posição porque têm no currículo filmes consecutivos que renderam em média mais de 100 milhões de dólares cada. Contratá-los, portanto, é um investimento lucrativo e de baixo risco. Fora desse clube, muita gente boa anda descendo a ladeira em Hollywood. Brad Pitt, cujos cachês andavam na casa dos 17 milhões de dólares, amargou seguidamente dois fracassos, "Inimigo Íntimo" e "Encontro Marcado". Sua cotação está agora ao redor dos 15 milhões. Conta semelhante pode ser aplicada a Kevin Costner. Seu "Uma Carta de Amor" fez sucesso, mas não o suficiente para reerguê-lo dos naufrágios de "Waterworld" e "O Mensageiro".

Por veleidades artísticas, muitos astros concordam em receber cachês menores que os habituais para rodar filmes de orçamento baixo. Robert De Niro levou 14 milhões de dólares pela aventura "Ronin", uma grande produção, mas fechou um salário de 8 milhões para fazer a comédia "Máfia no Divã". Há ainda a questão do sexo. As mulheres são presença rara no grupo dos artistas com cachês acima dos 15 milhões. Em parte porque tendem a fazer mais dramas, romances e comédias do que filmes de ação ou aventura - justamente os que costumam atrair mais público. Mas essa diferença de tratamento se deve também ao fato de que o ambiente em Hollywood é abertamente machista. Veja-se esse exemplo: o ator Michael Douglas ganha em média 18 milhões de dólares por filme, enquanto Jodie Foster ganha 15 milhões. Um disparate, já que os últimos cinco filmes estrelados por Jodie renderam 120 milhões de dólares a mais do que os cinco últimos de Douglas.

Nas fotos, pela ordem, da esquerda para a direita:
Rita Hayworth, Clark Gable, Brad Pitt, Kevin Costner, Robert De Niro, Michael Douglas e Jodie Foster