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11 de março de 1998

Rolls-Royce apresenta em Genebra o primeiro modelo lançado pela empresa desde 1980

O Salão do Automóvel de Genebra, um dos mais importantes eventos da indústria automobilística no mundo, abriu suas portas na semana passada apresentando uma grande surpresa no estande da mítica fábrica inglesa Rolls-Royce. Ao lado de uma belíssima modelo interpretando a "Flying Lady" ("Dama Voadora"), o tradicional símbolo plantado no radiador dos automóveis da marca, desvelou-se o primeiro lançamento da fábrica em quase duas décadas.


 
Para uma empresa extremamente conservadora, que não gosta de mudar seus carros por considerá-los clássicos e é capaz de manter desde o início do século o mesmo fornecedor de carpete de lã pura empregado no acabamento do veículo, o Silver Seraph - "o serafim de prata" - traz modificações surpreendentes. Suas linhas são mais arredondadas que a dos antigos modelos e o capô possui um pequeno rebaixamento, aposentando o antiquado corte reto. Debaixo dele, encontra-se a mudança mais radical. No lugar do motor montado peça a peça na fábrica britânica, está agora um propulsor alemão BMW de 12 cilindros produzido em série. Esse fato alimentou os boatos de que a Rolls-Royce, à venda desde o final do ano passado, deve passar para as mãos da BMW. Disputam ainda sua compra as montadoras Toyota, Volkswagen, Daimler-Benz e Fiat. O vencedor deve ser conhecido nas próximas semanas.

Cotado para chegar ao mercado custando 240.000 dólares na Europa, o Silver Seraph tornou-se o novo membro do clube dos carros mais caros do mundo. Apesar de toda sua imponência, ele perde longe para os desconfortáveis modelos ultra-esportivos, cujos preços vão tão longe quanto seus velocímetros. Os modelos que encabeçam a lista - o McLaren F1 e o Mercedes CLK GTR - são carros de competição adaptados para as ruas. Em seguida está o fantástico modelo F50 da Ferrari. Com o dinheiro necessário para uma F50 pode-se levar três Rolls-Royce para casa. O bólido vermelho, capaz de cravar a impressionante velocidade de 325 quilômetros por hora, é tratado como uma peça de colecionador - só foram produzidos 349 no mundo. Um deles vai ser colocado à venda em São Paulo nesta semana. Preço: 1,4 milhão de reais. Oficialmente já existem quatro pretendentes - todos paulistas, cujos nomes são mantidos em sigilo -, que já se adiantaram ao anúncio e estão disputando o automóvel. A loucura chega a tal ponto que a fábrica da Ferrari se dá ao luxo de escolher qual vai ser o comprador. Os italianos preferem quem já pilotou carros de corrida e guardou em sua garagem algum outro veículo da marca.

Entre os carros mais caros, o único veículo clássico que chega perto dos esportivos em preço é o Azure conversível, da Bentley, outra tradicional fabricante inglesa, comprada pela Rolls-Royce em 1931. Os carros de ambas as empresas são vendidos no Brasil pela importadora Via Reggio, de Reginaldo Regino, dono de concessionárias GM. Regino também negociou no país os veículos BMW, mas perdeu a concessão depois que foi envolvido em denúncias de sonegação fiscal. Ao contrário dos BMW, cujas vendas explodiram a ponto de ser considerados símbolos dos ricos emergentes brasileiros, os Rolls-Royce e os Bentley encalharam. Desde o início da importação, em 1994, foram vendidos apenas nove carros dessas marcas. É pouco, mesmo se se levar em conta que são vendidos somente 1.500 Rolls-Royce ao ano no mundo inteiro. Agora, estimulada pelo lançamento do Silver Seraph no Salão de Genebra, a Via Reggio estuda trazer para o Brasil o novo carro. Com os impostos, andar como um lorde inglês nas ruas brasileiras vai custar pelo menos 430.000 reais.