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O Derradeiro Refúgio
 
O Derradeiro Refúgio

22 de abril de 1998

Pedro Álvares Cabral: em Santarém, dez anos de vida na obscuridade

Outra casa que pretende contar algo sobre seu mais ilustre morador começa a volta à vida nesta semana: é a residência na cidade portuguesa de Santarém onde Pedro Álvares Cabral passou os últimos dez anos de vida. Bancado por empresas brasileiras, o projeto faz parte das comemorações dos 500 anos do descobrimento. Depois de restaurada, a casa vai abrigar também um centro de documentação sobre o Brasil, uma biblioteca cabralina e um núcleo de estudos brasileiros. Localizada nas proximidades, a Igreja da Graça, onde está o túmulo de Cabral, também passou por reformas.


 
Pedro Álvares Cabral é um personagem de quem se sabe pouco. Em 1500, aos 33 anos de idade, ele foi escolhido para comandar a segunda expedição portuguesa para as Índias. No caminho, desviou-se da rota original e chegou à costa do Brasil. Ao retornar a Lisboa foi coberto de honras, muito mais pelo sucesso da missão nas Índias do que pelo descobrimento de uma terra nova. A glória durou pouco. Cabral desentendeu-se com o rei, nunca mais recebeu outra missão oficial e morreu na obscuridade em Santarém.

Biografia

Fazia parte da tradicional e abastada família portuguesa. Sabe-se que possivelmente nasceu em 1467, no Castelo de Belmonte, em Beira Baixa. Naquele período o comércio terrestre de Portugal passava por um período bastante ruim, fato que o impedia de expandir-se pela Espanha (país inimigo de Portugal). Diante disso, o rei acreditou a que única solução seria o mar. Devido à crise econômica do século XIV, a Europa precisava romper com as barreiras do feudalismo, para que, assim, pudesse aumentar seus horizontes através de novas conquistas. Para isso, teria que primeiro vencer o medo que dominava a cabeça dos navegantes, que acreditavam que terríveis monstros habitavam os oceanos. A partir daí, seria possível chegar às índias, e comercializar diretamente os produtos que eram muito valorizados na época (especiarias e tecidos finos). Por fim, em 1498, Vasco da Gama conseguiu o feito de chegar nas Índias.

No mês março, do ano de 1500, o rei de Portugal (D.Manuel I) deu Cabral a missão de liderar a segunda expedição comercial a caminho das Índias. Desta, fez parte uma grandiosa esquadra, composta por 13 navios, com mais de mil homens. Em seu caminho às índias, Cabral, desviou-se do rumo e, neste novo percurso, avistou, em 22 de abril, a terra que foi primeiramente chamada de Monte Pascoal, situada nas costas da Bahia. Após os portugueses terem o conhecimento desta nova terra, eles a tomaram como propriedade. A princípio, eles não deram muita importância a esta nova descoberta, pois, o que mais lhes interessava naquele momento era o comércio com o oriente. Mais tarde, Cabral teve problemas com D. Manuel, e, por esta razão, abandou a corte e também as expedições marinhas. Morreu em 1520, sem ter tido a chance de reconhecer a grandeza de seu feito.


Guerreiro. Nobre, porém filho segundo. Honrarias? Só as alcançadas por valor e esforço próprios, que não por nascimento. D. João II já lhe dera tença por bons serviços militares prestados à Coroa. Agora D. Manuel I confia-lhe o comando da segunda expedição à Índia, 13 naves, 1500 homens. Terá que submeter o Samorim de Calecute, o qual tanto afrontara Vasco da Gama. Terá que lançar a primeira pedra do império lusitano do Oriente. Bem sabe que o mundo é guerra e perfídia. Mas coisas que o ódio nega, o temor as concede. Também sabe que há sinas e maldições a perseguir os fortes. Pedro Álvares Cabral tudo enfrenta, é homem de um só desígnio, antes quebrar que torcer. Honras e pompas em Sta. Maria de Belém e a 9 de Março de 1500 fazem-se ao largo. Antes, El-rei D. Manuel falara-lhe de terra que, frente à África, existirá a ocidente do Mar Oceano. Que a descobrisse, se pudesse. Talvez por ela D. João II tenha insistido em transferir o meridiano divisor do Tratado de Tordesilhas de 100 para 370 léguas a oeste de Cabo Verde.

Na armada, entre outros seguem Pero Vaz de Caminha, cronista d'El-rei. E ainda Bartolomeu Dias, o primeiro a dobrar o Cabo da Boa Esperança. Também o seu irmão Diogo Dias e Nicolau Coelho, que foi um dos comandantes da expedição de Vasco da Gama. Primeira maldição: nas águas de Cabo Verde desaparece uma das naus. Ninguém saberá dela, nunca mais. Das 13 ficam 12. Frente à Guiné tomam barlavento. Américo Vespúcio não entende a manobra, resmunga que os portugueses nada sabem de navegação... Deixá-lo resmungar, o italiano é bom marinheiro, tem direito a um resmungo... Tocadas por sueste, as naus são empurradas para ocidente. Girará depois o vento para sudoeste e tornará a armada à costa d'África, porém em latitudes bem mais ao sul. Abaixo do Equador descreverá assim um amplo arco de círculo no Mar Oceano. Mas grandes surpresas esperam Cabral, homem que, em nome d'El-rei de Portugal, navega disposto a enfrentar tudo e todos.