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Robô Submarino
Robô Submarino

18 de agosto de 1999

Nasa busca no mar pistas para vida fora da Terra

A nave no oceano: atrás de bactérias que sobrevivem em condições inóspitas


O espaço sideral é pouco para os pesquisadores do Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa, na Califórnia. Depois de mandar sondas e naves para os confins do universo, eles vão começar a vasculhar também os lugares mais misteriosos e desconhecidos da Terra. Estão construindo, num centro de pesquisa em Pasadena, uma nave-robô capaz de descer a lugares tão inóspitos quanto o interior das crateras de vulcões submersos a 3.600 metros. São regiões aonde a luz do Sol nunca chega, repletas de toxinas, com água escaldante e níveis de pressão insuportáveis. Os pesquisadores querem provar a hipótese de que microrganismos conseguem viver nessas condições. Até hoje, o máximo que se conhece desse tipo de vida submarina são bactérias e vermes que sobrevivem nas cercanias dessas crateras.

O novo artefato projetado na Califórnia, já apelidado de deep-sea (mar profundo), será bastante parecido com outras pequenas sondas já feitas pela Nasa e lançadas ao espaço. Terá máquinas fotográficas e câmaras de vídeo de última geração, espectrômetros para analisar a gradação luminosa e quase 50 quilos de componentes eletrônicos compactados numa estrutura de 1,5 metro de altura. A nave será capaz de suportar pressões 400 vezes maiores que a existente na superfície terrestre e até 400 graus Celsius de temperatura. Os primeiros testes dos componentes eletrônicos da sonda ocorrerão em vulcões submersos do Oceano Pacífico, próximos ao Taiti, em setembro. Concluídos os testes nas crateras submarinas de Pitcairn, McDonald e Teahitia, com profundidades entre 900 e 3.600 metros, o robô será preparado para uma missão no fundo do Lago Vostok, em plena Antártica. Os cientistas acreditam que as profundezas desse lago, permanentemente coberto por uma grossa crosta de aproximadamente 3.700 metros de gelo, abrigue formas de vida ainda desconhecidas.

Tanto empenho em descobrir detalhes da vida na Terra se justifica. Os pesquisadores acreditam que alguns ambientes de nosso planeta reproduzam com exatidão cenários existentes em outros mundos. O Lago Vostok, por exemplo, seria muito parecido com Europa, uma das luas de Júpiter. O satélite é coberto por uma camada de gelo com vários quilômetros de espessura. Por baixo haveria muita água, quase o dobro da quantidade existente na Terra. "Entender como a vida funciona em condições extremas na Terra é fundamental para identificá-la com mais facilidade em outros planetas", afirma Richard Hoover, pesquisador da Nasa.

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Robô-submarino irá ao ponto mais profundo do oceano (18/12/2003)

Pesquisadores do Woods Hole Oceanographic Institution (Estados Unidos) estão construindo um novo robô-submarino que será capaz de explorar as partes mais profundas do oceano, atingindo 11.000 metros de profundidade. O robô será alimentado por energia elétrica de baterias, podendo operar continuamente por até 36 horas. O novo robô-explorador será controlado remotamente, podendo ser operado em dois modos: autonomamente, sendo capaz de vasculhar de forma independente vastas áreas do oceano, ou preso, ligado a um cabo, com o objetivo de recolher amostras em locais específicos e bem definidos. No modo autônomo, o robô permanecerá ligado ao navio de controle, mas utilizando apenas uma fibra ótica, que será utilizada para envio de comandos e recepção de imagens.

Para lidar com as altíssimas pressões do fundo do mar, o robô-submarino terá suas câmeras acondicionadas em compartimentos feitos de cerâmicas estruturais sintéticas estado-da-arte. Além de pesquisa biológica, o robô permitirá acesso às zonas de terremotos e vulcões mais ativas da Terra, que consistem em falhas geológicas localizadas nas fossas oceânicas. O homem chegou à Fossa das Marianas, o ponto mais profundo do oceano, apenas uma vez, em 1960, quando o submarino Trieste atingiu a Depressão Challenger, a 11.000 metros de profundidade, levando os mergulhadores Don Walsh e Jacques Piccard. Em 1995, o mesmo ponto foi atingido pelo submarino-robô japonês Kaiko, que recentemente foi perdido durante uma tempestade. Em 1995, o robô submarino Kaiko foi submerso a 10.911 metros. A missão Trieste durou apenas 20 minutos, mas venceu o desafio de colocar um submarino sob toneladas de pressão. Foi uma proeza. Um gigantesco passo à frente deu o robô Kaiko, ao gravar pela primeira vez algumas imagens, ainda pouco nítidas, até porque seus movimentos estavam tolhidos por cabos de aço que o prendiam à superfície. Foi assim que Kaiko mergulhou, porque era o máximo de tecnologia que se tinha até aquele momento.