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12 de abril de 2000

Quase por acaso, cientistas descobrem cauda de cometa com 570 milhões de quilômetros

Uma descoberta feita por cientistas ingleses está obrigando os astrônomos a rever os conceitos até então estabelecidos sobre os cometas. Na semana passada, pesquisadores do Colégio Imperial, em Londres, identificaram o maior rabo de cometa já visto. A cauda do Hyakutake, um dos maiores cometas que passaram perto da Terra neste século, tem 570 milhões de quilômetros de extensão, distância suficiente para ir da Terra ao Sol quatro vezes. Nenhum cientista imaginava que pudesse haver algo semelhante. "Essa imensa cauda prova que ainda conhecemos muito pouco sobre os cometas", disse o astrônomo Geraint Jones, chefe da equipe responsável pela descoberta, revelada na edição da semana passada da revista Nature.


A maior cauda que se conhecia até então era a de um cometa sem nome, observado pela primeira vez em 1843, que media cerca de 323 milhões de quilômetros. A cauda do Halley, o cometa mais famoso, se estendeu por no máximo 85 milhões de quilômetros quando esteve mais próxima do Sol.

Os cometas são grandes pedras de gelo e sujeira cósmica que descrevem longas órbitas em torno do Sol. Quando um deles se aproxima da imensa bola de fogo, o calor faz com que parte do gelo se evapore. Jatos de gases e poeira saem na direção oposta ao Sol, formando a grande cabeleira. Geraint Jones descobriu a cauda gigantesca do Hyakutake quando resolveu debruçar-se sobre dados colhidos pela sonda espacial euroamericana Ulysses em maio de 1996. A sonda foi lançada em 1990 para medir e enviar à Terra dados sobre os ventos solares, um fluxo de partículas permanentemente emitidas pelo Sol. Na época, a Ulysses passou por uma pane temporária e ficou algumas horas perdida no espaço. As informações confundiram os astrônomos. Pouco antes do incidente, a variação no campo magnético e os gases que estavam sendo detectados pela sonda tinham mais relação com o que acontece no interior da cauda de um cometa do que com o movimento dos ventos solares no vácuo. Como os técnicos do projeto Ulysses não estavam interessados em cometas, nenhum deles deu importância ao registro dos sensores.

O que chamou a atenção de Geraint Jones para os dados da Ulysses foi a publicação do estranho incidente de 1996 na Revista de Pesquisa Geofísica. A partir de então, ele ressuscitou o calhamaço de números e gráficos enviado pela sonda, que indicava a presença de uma cauda de cometa viajando nas imediações. O incrível é que o cometa em questão, o Hyakutake, estava a centenas de milhões de quilômetros de distância. A única explicação era que a cauda do cometa tinha tamanho recorde. A descoberta de Jones trouxe outra novidade. Com a sonda Ulysses, os cientistas descobriram uma nova e eficiente técnica de pesquisa. Ninguém imaginava que instrumentos planejados para medir ventos solares pudessem detectar cometas. "Agora, podemos aprender bastante sobre as condições no interior da cauda dos cometas analisando os dados de sondas que já estão no espaço", diz Jones.

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24 de fevereiro de 2008

Depois de 18 anos de operação, a NASA apertou o botão "desliga" para Ulysses, a sonda projetada para estudar as propriedades dos ventos solares, o campo magnético heliosférico e as ondas de rádio solares que afetam muito os nossos gadgets, telecomunicações e qualquer sistema eletrônico aqui na Terra. A Ulysses foi o primeiro objeto a ver e estudar os pólos solares.

Mas a Ulysses não está morta ainda, ao menos em espírito. E ela der sorte, poderá zarpar para estudar outras estrelas. De acordo com a NASA, se ela chegar perto o suficiente de uma lua Jovian, a Ulysses vai pular para um outro curso que a levará para as profundezas do espaço. Este certamente seria o melhor destino para uma sonda que nos forneceu tantos e tantos dados sobre a nossa estrela-mãe.

Após uma aproximação de Júpiter em 1992, a nave “Ulysses” entrou numa órbita de seis anos em volta do Sol e, à medida que agora se afasta da estrela do nosso sistema solar, a sua temperatura baixa progressivamente por razões técnicas. Esta queda da temperatura bloqueará as condutas de combustível e tornará impossível manobrar a nave. Em janeiro, uma tentativa para restabelecer a comunicação com a “Ulysses” falhou porque, segundo os engenheiros, não foi possível enviar energia para alimentar os instrumentos científicos. A nave já não consegue enviar grandes quantidades de informação científica e enfrenta o congelamento progressivo dos seus condutores de combustível. Ainda assim, a equipe científica da NASA continuará a utilizar um transmissor alternativo enquanto for possível, durante as próximas semanas.

1º de Julho de 2009

A sonda Ulysses encerrou a sua missão em volta do Sol, depois de 19 anos. A NASA interrompeu o sinal com a sonda Ulysses esta terça-feira, após 19 anos de missão. Nesse momento, a sonda estava a 705 milhões de quilômetros do Sol. No total, a Ulysses viajou cerca de 8,85 mil milhões de quilômetros e quase três voltas completas na órbita do Sol. Segundo a agência Reuters, a sonda pode agora continuar perto da estrela terrestre por tempo indeterminado. Segundo Ed Massey, responsável pelo projeto, a sonda pode também passar perto de uma lua de Júpiter, de forma a alterar o seu curso em direção para fora do Sistema Solar.