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Ônibus do Futuro
Ônibus do Futuro

22 de abril de 1998

Começam investimentos em naves mais baratas para levar empresas e passageiros ao espaço

Os ônibus espaciais estão com seus dias contados. Após 25 anos sem novidades na área, a Nasa, a agência espacial americana, está financiando a construção de uma nave espacial inteiramente nova. O veículo chama-se VentureStar e terá uma vantagem crucial sobre os ônibus espaciais: seu custo operacional é bem mais baixo.


Atualmente, para colocar meio quilo de carga útil em órbita, gastam-se 10.000 dólares - seja através de foguetes, seja de ônibus espaciais. Com a VentureStar, a Nasa espera reduzir esse custo para 1.000 dólares. Essa é uma boa notícia para todo mundo mas é melhor ainda para os contribuintes americanos, que pagam a conta do programa espacial. Reduzindo custos, a Nasa espera atrair empresas privadas para o negócio, de maneira a arcarem com pelo menos parte das despesas. Para as empresas, a nova máquina promete um universo de negócios. Por meio dela, uma usina nuclear poderia despejar seu lixo radioativo no espaço sideral. Empresas de telecomunicações lançariam seus satélites a custos 90% mais baixos que hoje. "É uma questão de matemática", diz o vice-presidente do programa de desenvolvimento do projeto, Jerry Rising. "Ao reduzirmos o custo do lançamento, mais empresas vão colocar satélites em órbita."

A tecnologia que permitirá a redução dos custos nas viagens espaciais é inteiramente nova. Cada vez que um ônibus espacial decola, dois foguetes propulsores e os imensos reservatórios de hidrogênio e oxigênio líquidos viram lixo. No novo veículo, nada será descartado. Enquanto os ônibus espaciais precisam de meses de manutenção entre uma viagem e outra, a VentureStar necessitará de apenas alguns dias. Graças a sua aerodinâmica perfeita, a VentureStar também terá asas diminutas. É uma tecnologia extremamente sofisticada mas que precisa ser desenvolvida. A Nasa ainda não encontrou um material suficientemente leve para construir os tanques de combustível nem é capaz de definir quando a nave irá decolar. Levará pelo menos dez anos. Por enquanto, está sendo construído pela Lockheed Martin, a mesma fabricante dos ônibus espaciais, um modelo com a metade do tamanho da futura nave, para testes de aerodinâmica e de materiais. A companhia deverá entregar em 1999 o modelo pronto, ao custo de 1 bilhão de dólares. Com o nome de X-33, terá 21 metros de comprimento e 125 toneladas - um quinto do peso da futura VentureStar. A partir de março de 1999, o X-33 deverá decolar para uma série de vôos de teste, não tripulados. Vai atingir velocidade quinze vezes maior que a do som a 80 quilômetros de altura. Caso dê certo, terá sido dado o primeiro grande passo para a fabricação da VentureStar.

Turismo

A entrada da iniciativa privada na exploração do espaço não é apenas uma idéia alimentada pela Nasa. Ao menos catorze empresas americanas já estão desenvolvendo projetos de suas próprias naves espaciais. A maior parte desses projetos é mais modesta e por isso mesmo mais viável que a VentureStar. A corrida espacial é tão promissora que há duas empresas americanas vendendo lugares no que serão as primeiras viagens turísticas ao espaço. As duas prometem vôos parecidos: uma viagem de três horas que levaria os turistas a 100 quilômetros de altura. A essa altitude, os passageiros poderiam experimentar pelo menos três minutos de gravidade zero e seriam capazes de ver a curvatura da Terra. As naves que farão esses passeios - na verdade aviões mais sofisticados para até seis passageiros - ainda não existem. A Space Adventures, de Fairfax, Virgínia, promete comprar uma assim que ela for fabricada. A Zegrahm Space Voyages, de Seattle, já estipulou preço e marcou o vôo inaugural para 1º de dezembro de 2001. Uma vaga nos primeiros vôos está custando 98.000 dólares. Até a semana passada, trinta candidatos a astronautas por três horas já haviam reservado seus lugares.

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15 de julho de 2009

Houve problemas com o projeto do X-33, que começou em 1996. A NASA e Lockheed Martin já gastaram mais de US$ 1 bilhão no X-33, e ainda está apenas três quartos de ser terminado. Em novembro de 1999, testes nos tanques te combustível compostos de fibra de grafite fracassaram, o que fez com que os cientistas da NASA lutassem para projetar um novo tanque fora do tradicional material de alumínio. Apesar dos atrasos, a NASA segue com a construção do X-33 e espera que o veículo esteja funcionando e pronto para um vôo suborbitário em poucos anos.

O objetivo final do projeto X-33 é a aeronave comercial chamada VentureStar, que seria a sucessora do ônibus espacial. A VentureStar seria duas vezes o tamanho do protótipo X-33, e usará o mesmo tipo de motores e os mesmos materiais de construção. Entretanto, seria capaz de atingir 25 Machs, que é a velocidade necessária para se manter na órbita da Terra. Talvés VenturStar não seja usada somente para colocar cargas úteis no espaço, mas também poderia ser usada como veículo de turismo. O sucesso ou fracasso do X-33 determinará se a VentureStar será o veículo que possibilita o acesso do público ao espaço.