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02 de fevereiro de 2000

Astronautas americanos consertam o Hubble e o telescópio espacial apura a vista

Uma série de imagens coletadas nos confins do espaço divulgadas na semana passada virou motivo de comemoração entre os técnicos da agência espacial americana, Nasa. Era a prova de que o conserto do telescópio espacial Hubble, realizado em dezembro, foi um sucesso. Com equipamentos telescópicos, sensores e computadores tinindo de novos, o Hubble fez fotografias espetaculares de duas formações cósmicas que ainda intrigam os astrônomos, a nebulosa Esquimó e um grupo de galáxias da constelação de Draco. Uma ótima notícia para os cientistas e técnicos da Nasa, que andavam com o ânimo bastante combalido depois de um ano repleto de fracassos e missões malsucedidas. O Hubble havia se apagado completamente em novembro, quando quatro de seus seis aparelhos óticos pifaram.


A reforma, feita por astronautas que viajaram a bordo do ônibus espacial Discovery, custou 70 milhões de dólares e levou oito dias para ser concluída. "O Hubble está melhor do que quando era novo", disse o responsável pela área de ciência espacial da Nasa, Ed Weiler.

Na missão de reestréia, o telescópio espacial avaliado em 3 bilhões de dólares dirigiu a mira para alvos escolhidos a dedo pelos cientistas. O primeiro foi a nebulosa Esquimó, uma fantástica formação luminosa que circunda uma estrela moribunda do tamanho do Sol, a 5.000 anos-luz da Terra. A nebulosa tem esse nome porque, vista dos telescópios terrestres, parece um rosto envolvido por um gorro forrado de peles. A partir da nova imagem do Hubble, viu-se que o gorro do esquimó parece um misterioso aglomerado de cometas gigantes que se irradiam para fora da estrela. Já o rosto é um denso amontoado de matéria, ejetada durante a fase em que a estrela teve a configuração de uma gigante vermelha, uma das etapas da morte estelar.

O Hubble captou ainda um aglomerado de galáxias conhecido como Abell 2218, localizado a 2 bilhões de anos-luz da Terra. Uma série de imagens em preto-e-branco desse agrupamento já havia sido feita em 1994. As novas fotos são em cores e com mais detalhes da estrutura das galáxias. Eufóricos, os cientistas da Nasa agora se preparam para receber novas imagens, que esperam ser tão ou mais espetaculares que as anteriores, entre elas a dos inacreditáveis pilares de gases coloridos formados em torno de berçários de estrelas na nebulosa de Águia. É esperar para ver.

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O HUBBLE TEVE QUE USAR ÓCULOS

Colocado em órbita em abril/90, logo em seguida foi detetado um grave defeito em sua óptica. O Hubble não era capaz de focar os objetos, principalmente os mais fracos, com a precisão planejada e desejada. Esse defeito foi "diagnosticado" como aberração esférica; uma distorção óptica causada por uma forma incorreta de seu espelho principal. Perto das bordas a curvatura desse espelho estava menor que deveria por uma quantidade cerca de 1/50 da espessura de um fio de cabelo humano. Trocar o espelho seria algo caro e difícil. A solução adotada foi a de projetar uma óptica corretiva para seus instrumentos. Essa óptica foi instalada com grande sucesso em dezembro/93.

OBJETIVOS

Os objetivos do Hubble podem ser resumidos como sendo: Investigar corpos celestes pelo estudo de suas composições, características físicas e dinâmica; Observar a estrutura de estrelas e galáxias e estudar suas formação e evolução; Estudar a história e evolução do universo. Para atingir seus objetivos a pesquisa do Hubble é dividida em Galáxias e Aglomerados; Meio Interestelar; Quasares e Núcleos Ativos de Galáxias; Astrofísica Estelar; Populações Estelares e Sistema Solar.