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O Novo Éden
O Novo Éden

29 de abril de 1998

Cientistas acham estranhas formas de vida em vulcões, blocos de gelo e outros locais

Nos últimos anos, astrônomos e agências espaciais têm gasto bilhões de dólares num esforço até agora infrutífero de encontrar sinais de vida em outras partes do universo. O que ninguém conseguiu observar nos planetas e estrelas está aparecendo bem aqui, na Terra, sob os pés dos seres humanos. São novas e inesperadas formas de vida achadas em lugares onde nunca se imaginou que pudessem existir.


Elas habitam crateras de vulcões ativos, lagoas de soda cáustica, blocos de gelo, maciços de granito e basalto situados quilômetros abaixo da superfície. Esses seres intraterrestres desafiam todas as regras que proíbem a vida em ambientes tão hostis. Ali não existem os elementos que se julgavam essenciais para a vida, como água, luz solar, oxigênio e material orgânico. Esses organismos resistem a pressões esmagadoras e a temperaturas tão elevadas que poderiam derreter qualquer ser humano que se aventurasse nessas regiões.

O que as pesquisas científicas estão revelando é um planeta dentro do planeta. Alguns desses organismos formam comunidades inteiramente independentes da atividade biológica existente na superfície. Outros são mesmo ramos perdidos da evolução da vida na Terra. É o caso de uma colônia de bactérias encontrada numa mina de ouro da África do Sul, a 3,5 quilômetros de profundidade. Ao analisar seu código genético, os cientistas chegaram à conclusão de que ela se separou do restante da família de seres vivos do planeta há 2 bilhões de anos e, desde então, viveu isolada nas profundezas. Até agora foram catalogados mais de 10.000 novos tipos de microrganismos. Estima-se que essa nova fronteira da vida seja tão populosa que a quantidade de biomassa formada por ela seja equivalente à soma de todos os animais e vegetais existentes na superfície e nos oceanos. "Calculo que possa ser até um pouco superior", diz Tullis Onstott, da Universidade Princeton, em Nova Jersey.

As descobertas lembram, em escala microscópica, a história do livro Viagem ao Centro da Terra, de Júlio Verne, de 1864. A diferença é que, em vez de uma civilização avançada e inteligente como a imaginada por Verne, os cientistas estão descobrindo organismos primitivos e invisíveis sem ajuda de microscópio. A base dessa vasta cadeia biológica é formada por bactérias que se alimentam de gases, como o metano, e outros elementos químicos, como ferro, enxofre e manganês. Essas substâncias, depois de digeridas, nutrem outros microrganismos, como os protozoários. Os cientistas acreditam que essas novas formas de vida ajudem a explicar ocorrências geológicas como jazidas de petróleo e gás natural no subsolo. Fontes geradoras de cerca de 70% da energia do planeta, esses combustíveis poderiam ser produzidos por bactérias a partir do seu processo alimentar.

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12 de janeiro de 2007

Uma equipe internacional de pesquisadores encontrou novas formas de vida no Oceano Ártico, descoberta que é descrita na edição da revista Science. Os cientistas encontraram um novo grupo de organismos microscópicos, que batizaram de "picobilifitos": "pico", por conta do tamanho extremamente pequeno; "bili", porque contêm biliproteínas, substâncias altamente fluorescentes, e "fitos", significando que são vegetais. A descoberta veio de uma análise cuidadosa de seqüências de DNA que pertencem a amplas comunidades de microorganismos que vivem nos oceanos. "Havia um grupo de seqüências que não se alinhava com nenhum dos grupos conhecidos", explica Connie Lovejoy, da Université Laval. "De fato, a divergência desse grupo, em relação aos organismos conhecidos, é tão grande quanto a que há entre plantas e animais terrestres". Ao longo do último ano, a equipe vem vasculhando bases de dados e checando os resultados de seus estudos. Agora, sentem-se seguros para afirmar que essas novas formas de vida estão distribuídas, de modo abundante, pelo mares setentrionais.

9 de novembro de 2008

O Censo da Vida Marinha é uma rede global de pesquisadores em mais de 80 nações, engajados em uma iniciativa científica para conhecer e explicar a diversidade, distribuição e abundância da vida marinha nos oceanos. O primeiro Censo da Vida Marinha completo do mundo – passado, presente e futuro – será divulgado em 2010. Descoberta de novas formas de vida é um dos muitos benefícios de se explorar território quase que virgem. Os exploradores do Censo encontraram, consistentemente, novas formas de vida, detectaram espécies distribuídas em locais novos, e descobriram pistas para a abundância da vida marinha. Durante os primeiros oito anos de descobertas, os investigadores do Censo descobriram, potencialmente, mais do que 5.300 espécies novas, das quais ao menos 110 passaram pelo rigoroso processo necessário para denominá-las de verdadeiramente “novas”.