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Fúria Cósmica
Fúria Cósmica

18 de fevereiro de 1998

Imagens mostram o efeito da explosão de uma estrela

Em 1987, os telescópios registraram um acontecimento espetacular numa galáxia vizinha da Terra, a Nuvem de Magalhães. Foi a explosão de uma supernova, uma estrela moribunda. O facho luminoso dela resultante permaneceu durante algum tempo no céu e depois, lentamente, foi desaparecendo. Na semana passada, a Nasa divulgou duas fotos recentes do local. Registradas num intervalo de três anos, em 1994 e 1997, elas mostram que o espetáculo está longe de acabar. Passados dez anos da explosão, uma poderosa onda de energia continua a varrer o espaço ao redor do ponto onde havia a estrela, batizada de supernova 1987 A. O efeito pode ser comparado ao deslocamento de ar depois da detonação de uma banana de dinamite, só que infinitamente mais devastador.


Nas fotos, registradas pelo telescópio espacial Hubble, a explosão produziu duas ondas de energia. A primeira é um elo formado pelos gases que foram cuspidos para longe da supernova. A segunda é uma onda de choque que, partindo do local onde havia a estrela, se espalha por todas as direções. No momento há uma colisão entre essas duas ondas, na qual os gases são aquecidos a temperaturas elevadíssimas. O próximo passo, segundo a previsão dos cientistas, será o surgimento de um círculo de fogo, cada vez mais brilhante.

Tudo o que os astrônomos estão vendo agora são fenômenos ocorridos num passado longínquo. A Nuvem de Magalhães está situada a 167.000 anos-luz da Terra. Isso significa que a explosão da supernova ocorreu 167.000 anos atrás e só hoje a luz dela está chegando até nós. Observar como tudo isso aconteceu, no entanto, tem sido uma experiência fascinante. É a primeira vez que se tem registro fotográfico de todos os estágios da morte de uma estrela. A onda de choque observada pelo Hubble viaja a 64 milhões de quilômetros por hora. O anel de gás com o qual ela está trombando agora tem quase 10 trilhões de quilômetros de extensão, quase 67.000 vezes a distância entre o Sol e a Terra.

A colisão entre as duas massas de energia permite aos cientistas decifrar outros enigmas da antiga estrela. Os gases que compõem o elo são o lixo de matéria que a supernova espalhou a sua volta ao explodir. Estudá-los ajuda a entender a composição da estrela e como ela funcionava até morrer. "Ao iluminar o círculo de gás, a supernova está expondo seu passado", diz o astrônomo Robert Kirshner, do Centro de Astrofísica Harvard-Smithsonian de Cambridge, um dos responsáveis pela pesquisa.