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04 de fevereiro de 1998

Foto de explosões revela por que a superfície do Sol é mais fria do que sua atmosfera

Fotos divulgadas na semana passada pela Nasa, a agência espacial americana, estão entre as imagens mais próximas do inferno já produzidas pela ciência. Elas mostram uma série impressionante de explosões na superfície do Sol. São gigantescas bolhas incandescentes, com diâmetro maior que o da Terra, que brotam no interior da estrela e, ao explodir, liberam energia equivalente à detonação simultânea de sete bombas atômicas. Terríveis na aparência, essas imagens estão ajudando os astrônomos a entender dois enigmas no comportamento do Sol.


O primeiro é o fluxo contínuo de gás que a estrela emite no espaço. O segundo, ainda mais misterioso, é a brutal diferença de temperatura entre a superfície solar e sua coroa. Pelo cálculo dos cientistas, na atmosfera solar a temperatura chega a 1 milhão de graus Celsius, 181 vezes mais quente do que em sua superfície. Pela lógica, deveria ser o contrário. Ou seja, ao se distanciar da superfície, o calor emitido pela estrela deveria dissipar-se, em vez de aumentar.

Ao analisar as imagens registradas pelo observatório Soho, um grupo de cientistas britânicos começou a encontrar respostas para essas perguntas. As fotos revelam que o Sol não é uma simples esfera incandescente, como uma bola de metal aquecida sob a chama de um maçarico. Em vez disso, funciona como uma panela de água fervente. As bolhas observadas pelos pesquisadores são como contêineres que transportam energia das profundezas para a superfície. Ao espocar, liberam baforadas de calor diretamente na atmosfera solar. "As explosões duram apenas alguns minutos, ocorrem em toda a superfície e parecem alimentar a coroa de energia extra", diz o astrônomo Richard Harrison, chefe do centro responsável pela descoberta, o Rutherford Appleton Laboratory, na Inglaterra. Os cientistas notaram também a existência de diversas camadas de gases nas imediações do Sol, com diferentes graus de temperatura. Perto da superfície ficam os gases menos quentes, como o hélio, com temperatura em torno de 20.000 graus Celsius. Um pouco acima está o oxigênio, com 250.000 graus, e, em seguida, o magnésio, com 1 milhão de graus.

O Sol é uma estrela que gera, a cada segundo, 386 bilhões de megawatts de energia, o equivalente a 30 milhões de usinas Itaipu funcionando a plena carga durante um ano inteiro. Entender seu funcionamento é fundamental não apenas para satisfazer a curiosidade científica. As descargas magnéticas afetam o clima e, muitas vezes, interferem no funcionamento dos sistemas de comunicação terrestres. Por isso as pesquisas são tão importantes. O equipamento que possibilitou a descoberta, o Soho, sigla para Observatório Solar e Heliosférico, foi lançado ao espaço em 1995, por um consórcio que inclui a Agência Espacial Européia. Ele encontra-se a 1,5 milhão de quilômetros da Terra, num ponto em que os campos gravitacionais do planeta e do Sol se anulam. Isso permite a produção das imagens mais nítidas feitas sobre a estrela. Em 1996, o Soho já havia flagrado a seqüência de uma bola de fogo do tamanho da Terra sendo expelida das entranhas do Sol em direção ao espaço. As novas fotos da semana passada comprovam que a turbulência é mais contínua e extensa do que jamais se imaginou.

O avião do futuro

A Nasa escolheu o ensolarado Havaí para testar um protótipo revolucionário. O Pathfinder é um avião movido a energia solar. Custou 1 milhão de dólares e voa a 22.000 metros de altura, o dobro de um jato comercial. A velocidade é pequena, só 24 quilômetros horários. As células que captam a energia solar estão instaladas em suas asas.

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Veja abaixo as tecnologias da Nasa que usamos sem saber:

Roupa de bombeiro
Os trajes usados pelos bombeiros para combater incêndios são feitos de um tecido resistente ao fogo desenvolvido para uso em roupas espaciais.

Antena de TV por satélite
Da necessidade da Nasa de corrigir os erros nos sinais que vinham das naves espaciais, surgiram os pratos de TV via satélite. Essa tecnologia é utilizada para reduzir o ruído (imagem ou som deficiente) nos sinais de TV que vem dos satélites.

Geração de imagens médicas
A Nasa desenvolveu meios de processar os sinais que vinham das naves espaciais para produzir imagens mais claras. Essa tecnologia também permite produzir imagens fotográficas de nossos órgãos, como as vistas em uma ressonância magnética ou em uma tomografia computadorizada.

Sistema de análise de visão
Sabe aquele exame de vista em que o médico nos pede para ler as letras de diversos tamanhos de um cartaz colado na parede a alguns metros de distância de nós? Esse exame diagnóstico usa técnicas desenvolvidas pela Nasa para processar imagens espaciais e encontrar rapidamente algum defeito.

Botas e luvas térmicas
Têm elementos de aquecimento que funcionam com baterias recarregáveis usadas no interior do pulso das luvas ou incrustadas na sola da bota de esqui. Essa tecnologia foi adaptada do desenho de um traje espacial para os astronautas das naves Apollo.

Controles de joystick
Os joysticks são usados para muita coisa hoje em dia, inclusive jogos de computadores e veículos para pessoas com deficiência. Eles evoluíram de uma pesquisa para desenvolver um controle para o veículo lunar Apollo.