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23 de setembro de 1998

Estrelas no centro da Via Láctea são tão antigas como o universo

Algumas estrelas da nossa galáxia são bem mais antigas do que se pensava. A conclusão é de um grupo de pesquisadores brasileiros e italianos que tem estudado o comportamento dos aglomerados (conjuntos de 100.000 a 1 milhão de estrelas) do centro da Via Láctea. Por meio de observações em um telescópio no Chile e do telescópio espacial Hubble, os astrônomos verificaram que esses ajuntamentos de estrelas se formaram entre 12 e 14 bilhões de anos atrás.


Teriam praticamente a idade do próprio universo. Com isso, surgiu um mistério. Pelas teorias atualmente aceitas, as galáxias se formaram com a aglutinação dos fragmentos cósmicos espalhados na explosão inicial, conhecida como Big Bang. Assim, os astrofísicos acreditavam que as estrelas mais velhas estariam na sua periferia, batizada de halo. E as mais jovens seriam as do centro, formadas por último.

Agora, ocorre a dúvida. Se as estrelas mais velhas estão no centro da galáxia, o universo pode ter se formado de maneira diferente. Ou então as galáxias teriam surgido tão rapidamente que sua parte de dentro e a de fora teriam quase a mesma idade. "O mais surpreendente é que esses aglomerados de estrelas estão muito próximos uns dos outros", diz Eduardo Bica, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, integrante da equipe da qual também fazem parte astrônomos do Instituto Astronômico e Geofísico da USP e da Universidade de Padova, na Itália. A própria idade do universo nunca foi um consenso. Estima-se que ele pode ser pelo menos 2 bilhões de anos mais velho que o estipulado.

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A Via Láctea

Em noites límpidas e sem lua, longe das luzes artificiais das áreas urbanas, pode-se ver claramente no céu uma faixa nebulosa atravessando o hemisfério celeste de um horizonte a outro. Chamamos a essa faixa Via Láctea, devido à sua aparência, que lembrava aos povos antigos um caminho esbranquiçado como leite.

A Via Láctea é a galáxia onde está localizado o Sistema Solar da Terra. É uma estrutura constituída por cerca de duzentos bilhões de estrelas (algumas estimativas colocam esse número no dobro, em torno de quatrocentos bilhões) e tem uma massa de cerca de um trilhão e 750 bilhões de massas solares. Sua idade está calculada entre treze e treze bilhões e 800 milhões de anos, embora alguns autores afirmem estar na faixa de quatorze bilhões de anos.

Adotamos o nome Via Láctea para a nossa galáxia. Ela é do tipo espiral. Sua forma é denunciada pelo grande acúmulo de estrelas em um plano (o plano da faixa luminosa que vemos no céu). Não podemos ver distante ao longo do plano da Via Láctea, devido à grande quantidade de poeira aí existente.O tamanho de nossa galáxia e a localização do Sol, entretanto, são conhecidos há quase 80 anos. Isso foi possível observando aglomerados estelares (globulares) que se distribuem fora do plano da galáxia.

O sol é apenas uma entre 200 bilhões de estrelas nesta típica galáxia espiral barrada, que tem aproximadamente 90 000 anos-luz de diâmetro. Deve-se enfatizar que há quase tantas estrelas entre os braços espirais quanto nos braços espirais. A razão porque os braços espirais são proeminentes é que as estrelas mais brilhantes estão concentradas neles. Os braços espirais são as principais regiões de formação de estrelas em galáxias espirais e este é o lugar onde são encontradas a maioria das principais nebulosas.

Uma galáxia é um conjunto de estrelas gases e poeiras e nebulosas que permanecem juntos devido à gravidade. A Via Láctea está sempre em movimento, pois o Universo encontra-se em expansão desde a sua formação e por isso não temos certeza onde se situa. No entanto, sabe-se que o centro da via Láctea está situado na direção da constelação Sagitário e que a galáxia mais próxima é a Nuvem de Magalhães, visível do Hemisfério Norte. O braço da galáxia que se situa mais perto do centro, é o braço Centauro, visível apenas no Hemisfério Sul. Segue-se o braço de Sagitário, de onde parte o braço onde se situa o Sistema Solar, o braço de Orionte. Depois situa-se o braço de Perceu e o mais exterior, o de Cisne. Só foi possível conhecer a localização do Sistema Solar da Via Láctea em 1920. Quem fez esta descoberta foi um astrônomo Americano, Harlow Shapley.