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29 de setembro de 1999

Por erro de navegação, a Nasa perde sonda de 125 milhões de dólares que ia para Marte

Vai ser preciso muita arruda e sal grosso para livrar a agência espacial americana, a Nasa, da maré de má sorte em que está metida. Na semana passada, os mais prestigiados e qualificados técnicos em astronáutica do planeta conseguiram perder uma nave de 125 milhões de dólares quando a dirigiam para a órbita de Marte. Batizada de Mars Climate Orbiter, a sonda, que deveria estudar o clima do planeta vermelho, foi dada como irremediavelmente perdida na quinta-feira, depois que cessaram os contatos com a Terra.


A principal hipótese é de que ela foi destruída ao penetrar na atmosfera marciana. É certo que a nave saiu 100 quilômetros da trajetória prevista. O que não se sabe é se o desvio foi causado por erro humano ou falha do programa de navegação. "A perda dessa missão foi séria, mas já enfrentamos outras mais devastadoras", desconversa Carl Pintcher, da área de Exploração Espacial da agência. Na verdade, o clima na Nasa é de baixo-astral. A perda da nave é só mais uma de uma série de más notícias (veja quadro abaixo). Entre agosto do ano passado e maio deste ano, a Nasa foi afetada por seis incidentes em lançamentos de satélites nos Estados Unidos. Os prejuízos atingiram a estratosférica quantia de 3,5 bilhões de dólares. Em julho, a missão comemorativa dos trinta anos da ida do homem à Lua quase acaba em fiasco. Cuidadosamente planejada para obter o máximo de retorno em termos de relações públicas, era a primeira comandada por uma mulher, Eileen Collins. Ela quase foi forçada a abortar o vôo e retornar à Terra logo depois da decolagem, por causa de vazamentos em dois tubos de combustível e de um curto circuito no Columbia. Seria uma manobra sem precedente entre os 85 vôos dos ônibus espaciais. Além da vida dos astronautas, a aterrissagem forçada poderia comprometer também a carga: o telescópio espacial Chandra, uma jóia tecnológica de 1,5 bilhão de dólares.

Seria um desastre, sobretudo porque a Nasa enfrenta dificuldades financeiras. Na última semana, escapou por um fio de um corte de 900 milhões de dólares em seu orçamento, de 13,6 bilhões. Mesmo com o dinheiro garantido, o assunto está longe de assentado. Boa parte dos americanos não vê sentido em gastar tanto no espaço. Para piorar, o lançamento de satélites, uma das maiores fontes de lucro da Nasa, está perdendo feio para a concorrência. Isso porque os foguetes americanos custam caro e é complicado levar o equipamento em ônibus espaciais. É mais barato despachá-lo a bordo de foguetes de países como França e China.

Inferno astral da Nasa

O principal projeto da Nasa, a Estação Espacial Internacional, está atrasado desde março.

De caixa baixa, a Rússia não está fazendo a sua parte na montagem

Os americanos atiraram uma nave velha, a Lunar Prospector, contra o fundo de uma cratera na Lua. A intenção era ver subir uma nuvem de partículas de água. Não levantou nem pó

Com idade média de quinze anos, os quatro ônibus espaciais estão no estaleiro. Até agora, os técnicos já acharam 64 problemas na fiação das naves Endeavour e Discovery

Mars Climate Orbiter: depois de sair 100 quilômetros da rota, a nave perdeu contato

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A NASA foi criada em 29 de julho de 1958, e imediatamente se concentrou em vôos espaciais tripulados. Gerada ao longo de 43 anos de bem-sucedidas pesquisas aeronáuticas, a NASA discretamente substituiu sua antecessora, a NACA, mas a nova agência possui objetivos muito diferentes e um âmbito muito mais amplo.

Depois do sucesso inicial dos satélites Explorer, a NASA enfrentou uma onda de fracassos com as sondas Pioneer. Além disso, os soviéticos haviam lançado com sucesso sua primeira sonda, Lunar 2, para explorar a Lua.

A NASA teve de esperar até 1958 e 1959 para que as Pioneers 3 e 4 transmitissem com sucesso dados de radiação e imagens da superfície lunar para a Terra. Este sucesso tardio alimentou a imensa ambição da NASA de levar o primeiro homem à Lua.