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A Origem das Aves
A Origem das Aves

A origem das aves ainda é um tema polêmico. A maioria dos biólogos acredita que as aves evoluíram dos dinossauros predatórios de duas pernas, uma teoria que é sustentada por muitas descobertas de fósseis nos últimos 150 anos. A descoberta do Archaeopteryx, em particular,convenceu muita gente de que os dinossauros são a origem das aves modernas.


Encontrado primeiramente na Alemanha em 1860, o Archaeopteryx é uma das descobertas de fósseis mais importantes e mais comentadas. Os espécimes encontrados parecem ser do período Jurássico cerca de 150 milhões de anos atrás, e forneceram a primeira prova de uma criatura que contava com características de dinossauros e aves ao mesmo tempo. Dentadura completa, uma cauda longa e ossuda, mas também com penas e um esterno parecido com a “fúrcula” dos pássaros modernos.

O entendimento sobre a evolução das aves está sempre mudando com a aparecimento de mais fósseis. Outros animais do tipo das aves basicamente da mesma idade foram encontrados na China, e fósseis de aves de outras linhagens foram encontrados na Ásia, Europa, e América do Norte e do Sul.

Nem todo mundo concorda com a teoria dos dinossauros. Alguns biólogos acreditam que as aves evoluíram muito antes do Archaeopteryx na mesma época dos primeiros dinossauros, provavelmente ancestrais répteis de quatro patas. De acordo com esta teoria, muitas espécies de aves apareceram e então se tornaram extintas junto com os dinossauros. Entretanto, elas evoluíram, se transformando em um dos grupos de animais mais variados do planeta. Atualmente há mais de 9.700 espécies de aves ocupando todo nicho ecológico e habitat possível.

Aves em Perigo

As aves enfrentam várias ameaças à sua sobrevivência na selva. Como todos os animais, elas são completamente dependentes de seu ambiente para sua existência. Elas são muito sensíveis às mudanças em seu ecossistema, e até mesmo uma pequena quantidade de danos ao meio-ambiente pode ter efeitos catastróficos nas populações de aves. A ilustração mais dramática da sensibilidade das aves é o exemplo do dodo, uma ave que não voa, vista primeiramente na ilha de Mauritius em 1600, que foi levada à extinção devido a presença do homem 80 anos depois. Apesar do dodo ter sido caçado por marinheiros como alimento, seu desaparecimento foi provavelmente causado pela destruição das florestas onde vivia, em combinação com a introdução de ratos, porcos e gatos que destruíam os ninhos dos dodos.

O dodo pode ser o exemplo mais famoso de extinção de ave, mas outras espécies também sofreram um destino parecido e muitas outras estão no mesmo caminho. Em 2002, a União Internacional de Conservação da Natureza estimou que 1191 espécies de aves estavam ameaçadas em todo o mundo, com outras 800 potencialmente vulneráveis - cerca de 20% de todas as espécies conhecidas. Perda de habitat é a maior ameaça às aves. A destruição de florestas, perda de cerca viva, seca, a plantação de árvores não-nativas e a perda do campo para desenvolvimentos urbanos são grandes ameaças para as aves, e várias espécies estão diminuindo seriamente como resultado. Estas perdas são particularmente sérias nas ilhas, onde as populações de aves são freqüentemente pequenas e frágeis. A mudança de clima através do aquecimento global também está causando efeitos notáveis nas populações de aves em todo o globo, causando o rompimento de ciclos de procriação de várias espécies e forçando espécies migratórias a mudarem seus hábitos de migração.

A poluição é outro risco sério para as populações de aves. Inseticidas representam um grande problema - várias espécies de aves comem insetos, e a diminuição de insetos tem um efeito direto nessas populações. Os efeitos tóxicos destes produtos químicos podem matar grandes quantidades de pássaros ou podem causar outros efeitos como o enfrequecimento da casca dos ovos. Como resultado, outras aves também sofrem - principalmente as predadoras que dependem de pequenos pássaros como alimento, como a águia e o abutre. Acredita-se que o declínio das populações do falcão peregrino nos anos 60 e 70 foi resultado de envenenamento por DDT. Derramamentos de óleo também causam danos enormes às aves obstruindo suas penas e envenando as aves, sendo responsável pelo declínio dramático de populações de pássaros marinhos.

A Ameaça Humana

Milhões de aves levam tiros ou são mortas todos os anos pelos humanos, freqüentemente de forma ilegal, seja por comida ou porque são vistas como pestes. Algumas espécies são mortas por caçadores em busca de troféus. Mas a captura de pássaros vivos também é um grande problema. Todos os anos, milhões de pássaros são capturados na selva para o comércio de animais domésticos, independente do fato de que várias das espécies procuradas por colecionadores são protegidas pelas leis de conservação. Aves da África, Ásia e América Latina estão em risco devido a sua popularidade como animais de estimação. As aves capturadas na selva são transportadas longas distâncias em condições terríveis, colocadas em cestas apertadas e até mesmo dentro de pneus, e algumas estimativas mostram que 80% delas morrem em trânsito.

Mais de 2600 espécies de aves são conhecidas por serem capturadas e comercializadas por colecionadores. Grande parte deste comécio mundial de aves é ilegal - várias espécies de aves ainda são abundantes e não se encontram em risco imediato. Mas espécies raras protegidas são altamente recompesadas e faturam altos preços, representando alvos atraentes para colecionadores. Aves de rapina, papagaios, pintassilgos são bastante populares, e estima-se que 60% das espécies ameaçadas de papagaio estão em risco de extinção. Alguns deles, como a cacatua de crista-amarela da Indonésia, estão próximos da extinção como resultado. Outros, incluindo o famoso Spix, podem já estar extintos na selva.

Muitas organizações existem atualmente para proteger aves do comércio ilegal, e muitos países agora têm leis que impedem a importação de espécies protegidas, especialmente as que fazem parte da lista da Convenção do Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas (CITES sigla em inglês). Alguns destes programas têm obtido sucesso. A Ação de Conservação de Pássaros Selvagens da América do Norte, por exemplo, tem sido responsável pela redução do número de aves importadas para a América de 700.000 anuais nos anos 80 para menos do que 80.000 atualmente.

Milhares de programas de procriação em cativeiro também estão em prática para tentar impulsionar a corrente de aves da selva e para ajudar a aumentar novamente as populações selvagens.

Anatomia da Aves

Devido a variedade de estilos de vida, as aves variam em sua anatomia. Primeiramente, a maioria possui as características que nós geralmente associamos com as aves hoje em dia; elas andam em duas patas alongadas, têm asas distintas, são cobertas de penas e tem bicos ao invés de mandíbula. Mas elas também têm muitas diferenças, a maioria delas relacionada a maneira de voar - ou em alguns casos, de não voar.

Todas as aves têm a mesma estrutura de esqueleto básica, que varia para atender o seu estilo de vida. Como a maioria das aves precisa ser capaz de voar facilmente, elas têm muitas adaptações desenhadas para reduzir seu peso total e facilitar a forma de se carregar no ar. Ao contrário dos mamíferos e répteis, por exemplo, muitos de seus membros ósseos são ocos. As aves também perderam os dentes e ossos da mandíbulas que fazem o esqueleto mais pesado em outros animais, e seus crânios são normalmente muito menores em relação ao tamanho do corpo. E ao contrário de suas relações répteis, os pássaros perderam quase todos os seus ossos de cauda. Mas apesar de muitas aves terem reduzido seu tamanho e peso, outras evoluíram em outra direção - aves mergulhadoras, como os pingüins e ganso-patola precisam de esqueletos fortes para suportar a pressão debaixo d’água, por exemplo.

Aves que voam precisam de músculos grandes para bater suas asas, e por causa disso elas têm um esterno bastante grande ao qual os músculos estão ligados e que pode absorver o stress gerado pelo vôo. Esta quilha, como às vezes é conhecida, não é encontrada em alguns pássaros que não voam, como na ema e avestruz, faltando também nos esqueletos do fóssil Arcaheopteryx - provavelmente porque este ancestral das aves ainda não tinha evoluído a capacidade de realmente voar. Os esqueletos das aves têm outras adaptações que fazem dele mais rígido e estável durante vôo, como a vértebra, a clavícula e os ossos das asas fundidos.

Outras variações facilmente visíveis nos esqueletos dos pássaros incluem o número de vértebras nopescoço, que varia de acordo com o estilo de vida. Aves como os flamingos e cisnes têm pescoços bastante alongados para que elas possam alcançar comida no fundo de lagos e lagoas, por exemplo, enquanto aves que se alimentam nas árvores ou no chão tipicamente têm pescoços curtos. Como resultado, os cisnes têm cerca de 25 vértebras em seus pescoços, enquanto as galinhas têm 14 e papagaios podem ter até 9. Outras aves como o avestruz e a ema têm os ossos das pernas extremamente longos, que sustentam seu peso permitindo que corram em alta velocidade.