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Onças em São Paulo
Onças em São Paulo

10 de janeiro de 2001

Elas estão a menos de 20 quilômetros do centro, na floresta da Cantareira

Presentes na lista de animais ameaçados de extinção editada pelo Ibama, onças-pardas têm dado as caras num ambiente para lá de improvável: o município de São Paulo. Guardas florestais do Parque Estadual da Cantareira, cuja maior porção fica dentro de São Paulo e do município vizinho de Guarulhos, já acharam pegadas e ouvem roncos de onças no meio da mata.


Um turista teria até fotografado uma delas, atrás de um arbusto, num instantâneo em que só se vê com nitidez o rabo do bicho. Quatro meses atrás, veio a prova definitiva da presença das feras. Uma onça-parda fêmea de aproximadamente 2 anos foi morta por atropelamento dentro do território da capital, na Rodovia Fernão Dias, que liga São Paulo a Belo Horizonte e corta o parque ao meio. "Ultimamente, os registros de onça se tornaram freqüentes", diz Astor Pereira Mathias, encarregado da fiscalização na Cantareira.

No passado, a onça-parda chegou a viver em praticamente todo o território nacional. Hoje, segundo os registros oficiais, sua presença se restringe ao Pantanal, à Amazônia e a umas poucas reservas. Ainda não se sabe ao certo por que essas andam tão próximas de uma cidade com 10 milhões de habitantes. Como usualmente cada indivíduo precisa de 20 quilômetros quadrados para viver, a floresta da Cantareira, com 80 quilômetros quadrados, pode abrigar uns quatro exemplares. "A idade da onça acidentada é sinal de que há pelo menos um macho e uma fêmea reproduzindo na área", diz o biólogo Paulo Auricchio, diretor do Instituto Pau Brasil, uma organização não governamental. A Cantareira tem a mais alta concentração do mundo de bugios, macacos que servem de alimento para as onças. Com fartura de comida, pode até haver mais animais vivendo em áreas menores que o esperado. A direção do parque pretende promover pesquisas sobre as onças com rastreamento por rádio. Por enquanto, o que se sabe sobre as suçuaranas (o outro nome do bicho) só é suficiente para criar emoção entre os visitantes do parque.

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Parque Estadual da Cantareira

Com 8.000 ha (o equivalente a 8.000 campos de futebol), este parque é a maior floresta urbana nativa do mundo. A área começou a ser formada há mais de cem anos, com a desapropriação de fazendas de café, chá e cana-de-açúcar que a ocupavam, para recuperar a mata, proteger mananciais e garantir o fornecimento de água de São Paulo. O nome Cantareira foi dado à serra pelos tropeiros que a atravessavam, pois aqui havia grande quantidade de nascentes e córregos. Na época, armazenava-se a água em cântaros, grandes jarros ou vasos, que, por sua vez, eram guardados em prateleiras chamadas cantareiras.

Aos poucos, a mata atlântica voltou a ocupar a área: hoje encontram-se aqui espécies como a embaúba, o pau-jacaré, a imbuia, a canela-preta, a samambaia-açu e o jacarandá-paulista. Com as árvores vieram os animais: macaco-bugio, veado-mateiro, bicho-preguiça, gato-do-mato e jaguatirica, entre outros (alguns ameaçados de extinção). No parque (no Núcleo Águas Claras) já se registrou até mesmo a presença de suçuarana (a onça-parda). A suçuarana é o maior felino encontrado no Parque Estadual da Cantareira.

O parque possui três núcleos: o da Pedra Grande (mais procurado), o Engordador (chamado assim por causa de uma fazenda de engorda de gado da região) e o Águas Claras, recentemente inaugurado. Todos têm trilhas bonitas, agradáveis e bem sinalizadas. Como parque estadual, a Cantareira está voltada para o ecoturismo: são caminhos e trilhas no meio da mata que permitem que o visitante entre em contato com a natureza, conheça a mata atlântica e possa até mesmo observar alguns animais. Por isso, é importante trazer sempre água e um lanche leve (o parque não tem lanchonete) e vestir roupas confortáveis, adequadas para caminhada. Antes da visita, vale a pena acessar o site na Internet (www.iflorestsp.br/ cantareira/index.htm), que tem fotos de algumas das espécies vegetais e animais do parque.

Para a recreação, o parque tem apenas um bosque para piqueniques e um pequeno playground -ambos perto da entrada do Núcleo Pedra Grande- além da área para piquenique e da brinquedoteca no Núcleo Engordador.

No Núcleo da Pedra Grande, fica uma das principais atrações: a Pedra Grande e a bela vista da cidade que ela proporciona. Para chegar lá, enfrenta-se um caminho pavimentado de mais de 4,5 km (ida), boa parte dele em subida. A alternativa menos cansativa é entrar pelo Núcleo Águas Claras e pegar a trilha da Suçuarana. O Núcleo Águas Claras que é mais voltado mais para a educação ambiental. Nele pode-se percorrer quatro trilhas (Trilha das Águas Claras com seus quase 700m, Trilha da Samambaia-açú com caminhada de 1.250m por uma alameda de samambaias de até 2,5m, a Trilha das Araucárias com 1.250m toda ladeada de pinheiros-do-paraná, única espécie de pinheiro nativa do Brasil e a Trilha da Suçuarana, com 1.200m.

Durante a semana e aos sábados o parque oferece o serviço Circuito Integrado de Educação Ambiental, voltado primordialmente para quem tem alguma limitação física que impeça enfrentar as trilhas -mas que também pode ser usado por outros, quando há vagas. Uma van percorre o Horto Florestal e o Parque da Cantareira (terça-sábado, agendar antes).