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A Praia Mineira
A Praia Mineira

13 de janeiro de 1999

Belo Horizonte é a capital com mais bares e restaurantes per capita do país

Um levantamento feito nas dez maiores cidades brasileiras dá a Belo Horizonte o troféu de metrópole mais boêmia do país. A capital mineira tem cerca de 13.000 bares e restaurantes, um para cada grupo de 161 habitantes - um recorde. Um passeio pela cidade é suficiente para mostrar que essa rede é muito bem utilizada. No bairro da Savassi existem cerca de cinqüenta bares, restaurantes e botequins num raio de 1 quilômetro. Alguns deles lotam já durante a semana, no período da tarde. No cruzamento da Rua Pernambuco com a Tomé de Souza, nessa mesma região, há um bar em cada uma das quatro esquinas. Às sextas e aos sábados, eles ficam tão cheios a partir das 6 horas da tarde que a multidão ocupa as ruas como se estivesse num calçadão, bloqueando o trânsito de veículos. No Café 3 Corações, há dias em que se formam filas para um lugar na happy hour. Na Rua Alagoas, em um único quarteirão há cinco grandes restaurantes, onde empresários e executivos costumam reunir-se no final da tarde. Além da Savassi, a cidade tem pelo menos outros dez circuitos conhecidos como "passarelas do álcool", onde se aglutinam boates, pizzarias, churrascarias, bares e botequins.

Os belo-horizontinos costumam dizer que o bar é a praia dos mineiros, daí o entusiasmo com que o habitante da cidade o freqüenta. As outras três capitais com maior porcentagem de bares per capita do país também estão longe do litoral: Brasília, Curitiba e São Paulo (veja quadro ao lado). No entanto, nenhuma delas tem a exuberância boêmia de Belo Horizonte. "O bar é o segundo lar do mineiro", afirmam Newton Silva e Antônio Augusto d'Aguiar, autores do livro Belo Horizonte, a Cidade Revelada. A fama dos bares de Belo Horizonte vem de longe. Em Beira-Mar, quarto volume das memórias do médico e escritor Pedro Nava, ele já dedicava dois capítulos a essa característica da cidade. Destacava a Rua da Bahia, cujas esquinas foram ocupadas por famosos bares nas décadas de 40 a 80, como o Trianon e o Bar do Ponto. Ali costumavam encontrar-se muitos intelectuais mineiros, como o próprio Nava, Carlos Drummond de Andrade, Hélio Pellegrino, Otto Lara Resende, Paulo Mendes Campos e Fernando Sabino.

Cascata e sinuca - Pelos bares de BH exibiram-se em começo de carreira músicos como Milton Nascimento e a banda Skank, cujo primeiro CD nasceu no Bar do Bolão, em Santa Tereza. "Antes de qualquer coisa, os bares de Belo Horizonte sempre funcionaram como comitês políticos e espaços de cidadania", explica o escritor Roberto Drummond, que no romance Hilda Furacão retratou essa faceta da cidade. "O título de capital da boemia é resultado da efervescência cultural de seus jovens", diz o prefeito Célio de Castro. Há dez anos, era possível contar nos dedos os bares e restaurantes estrelados de Belo Horizonte. Hoje eles se multiplicaram. Entre os de primeira linha está o Clube do Frade, nos bairros de São Bento e Sion. O mais badalado é o do Sion, onde há um salão com árvores e cascata, galpão com mesa de sinuca e um bar animado por telão. Ali, além de petiscos e drinques saborosos, cultiva-se outra arte, a da paquera.

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Minas Gerais não tem mar, mas tem águas de curar. Mais conhecido em todo o mundo por suas cidades histórico-barrocas, esse Estado do Brasil tem terras de onde brotam águas cujas ações terapêuticas foram descobertas no início do século XIX. Desde então, quando se atribuíam os efeitos dessas águas a poderes divinos, milagrosos, até hoje, quando suas curas são confirmadas cientificamente, elas atraem gente do mundo inteiro. Gente que se banha e se lambuza nas águas e lama para curar estresse, dores musculares, reumatismo, hipertensão arterial, arteriosclerose, distúrbios do intestino ou do estômago, desânimo e mais. Com toda certeza, além desses resultados medicinais, o maior benefício obtido é o descanso, o relaxamento, o distanciamento da correria e pressões do cotidiano da vida.

Minas é a terra dos minérios, do ferro, da riqueza embaixo do solo. É dessa rica terra que saem as águas gasosas, ferruginosas, carbonatadas, radioativas e outras químicas mais. Química que vem da natureza. Natureza que privilegia principalmente o Sul de Minas, na região da Serra da Mantiqueira, onde se encontram quatro dos doze picos mais altos do País. As seis principais cidades, donas das águas que curam, formam o que se chama de "circuito das águas" ou "estações de águas". Elas são as estâncias hidrominerais e termais: Araxá, Cambuquira, Caxambu, Lambari, Poços de Caldas e São Lourenço. Mas a elas também se podem juntar duas outras, ricas igualmente em fontes minerais e situadas na mesma região: Caldas e Passa Quatro.

Paisagens inesquecíveis, montanhas, bosques, ar puro, lagos, clima perfeito, histórias e lendas e, é claro, água mineral corrente que chega a uma temperatura de até 45 graus centígrados. Somada a tudo isso, a deliciosa comida mineira, famosa por seus quitutes e quitandas, com seus cheiros e temperos. É o que nos oferecem essas terras de Minas. E quem diria que tudo isso não cura? O inverno dos meses de junho e julho é a estação mais que perfeita para um passeio pelo "circuito das águas", que pode começar pela histórica Araxá, cujas ruas e clima contam ou escondem as lendas e verdades sobre uma famosa "cortesa" - Ana Jacinta de São Jose ou Dona Beja, como ficou conhecida por toda a cidade e pelo Brasil.