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Passeio na Floresta
Passeio na Floresta

06 de maio de 1998

Hotéis de selva atraem um número cada vez maior de celebridades e turistas estrangeiros

Ariaú Amazon Towers: suíte de 2.000 dólares e natureza ao alcance dos hóspedes

Sylvester Stallone, o Rambo, acompanha a captura de um jacaré a bordo de um frágil barco a remo num afluente do Rio Negro. Julia Roberts, a linda mulher, caminha por uma trilha recém-aberta no coração da maior floresta tropical do planeta.


Cenas como essas acontecem na realidade e com freqüência cada vez maior num dos trinta hotéis de selva existentes na Amazônia brasileira. Concentrados ao redor de Manaus, entre os rios Negro, Solimões e Amazonas, esses estabelecimentos vivem um boom nos últimos anos e atraem clientela estrangeira cada vez mais numerosa, incluindo astros de Hollywood e outras celebridades. Só no ano passado receberam 45.000 visitantes de outros países. No mesmo período, apenas 2.000 turistas brasileiros fizeram esse tipo de programa.

A galeria de gente famosa que se hospeda nos hotéis da floresta inclui príncipes, chefes de Estado, empresários, artistas e atletas mundialmente famosos. Além de Sylvester Stallone e Julia Roberts, que visitaram a região no começo do ano, já estiveram lá os atores Kevin Costner e Dolph Lundgren, o empresário Bill Gates, a cantora Olivia Newton-John, as inglesinhas do grupo Spice Girls e o piloto Jacques Villeneuve. São pessoas que passam incógnitas pela Amazônia. Todas costumam dar orientação expressa aos hotéis para que o roteiro da viagem não seja divulgado previamente, de modo que possam desfrutar o passeio sem o assédio de fãs e fotógrafos.

Os hotéis de selva são um dos setores que mais crescem no turismo brasileiro. Só na Amazônia faturaram cerca de 40 milhões de dólares no ano passado. O primeiro foi inaugurado em 1979, e, desde então, outros empreendimentos começaram a pipocar em ritmo acelerado. Nesta década foram abertos doze novos hotéis e há outros cinqüenta cuja construção está prevista para os próximos cinco anos. O crescimento reflete o interesse cada vez maior que a Amazônia desperta no exterior e também o aumento dos investimentos na infra-estrutura turística da região. O exemplo de outros países indica que essa atividade pode prosperar ainda muito mais no Brasil.

O turismo ecológico fatura 260 bilhões de dólares no mundo inteiro. Embora tenha algumas das paisagens e ecossistemas mais ricos do planeta, o Brasil fica com uma fatia modesta dessa modalidade turística, de apenas 70 milhões de dólares - incluindo aí os hotéis de selva na Amazônia, as visitas às Cataratas do Iguaçu, ao Pantanal e a todos os demais santuários ecológicos brasileiros. A cifra é mínima se comparada à da Costa Rica, país quase do tamanho do Espírito Santo que, sozinho, fatura 600 milhões de dólares com ecoturismo. Na Amazônia, um dos obstáculos que ainda atrapalham o desenvolvimento do ecoturismo é o preço salgado da viagem. "No Brasil é tudo muito caro para o ecoturista", diz o presidente da Associação Brasileira de Ecoturismo, Roberto Mourão. "Com o preço da passagem Miami--Manaus, um turista americano pode passar uma semana nas selvas da Costa Rica, com tudo pago. Para atrair mais gente, precisamos reduzir nossos custos."

Os hotéis de selva são, em sua maioria, lugares simples, de acomodações despojadas, comida caseira e conforto mínimo. Nem todos oferecem ar condicionado, item essencial no calor sufocante da floresta. Em compensação, possibilitam amplo contato com a natureza no seu estado mais primitivo. É isso que fascina os turistas estrangeiros. Na ausência do barulho de motores, à noite é possível ouvir o canto de grilos e insetos e, ao alvorecer, a algaravia dos pássaros. "Não vi os animais, mas ouvi seus uivos e senti sua presença ao nosso redor", diz a psicanalista americana Priscilla Garland, 55 anos, que esteve na região há duas semanas. "Floresta não é zoológico."

Os passeios são feitos em pequenos barcos, que se embrenham por igapós e igarapés em meio à vegetação luxuriante. O programa inclui também caminhadas em trilhas no meio da mata e pescaria de piranha, um dos peixes mais comuns na região, e observação de jacarés à noite com ajuda de holofotes. O preço das diárias vai de 70 dólares, no Aldeia dos Lagos, o mais barato dos hotéis de selva, a 250 dólares, nos mais caros e confortáveis. O maior e mais famoso é o Ariaú Amazon Towers, destino favorito de nove entre dez estrelas que visitam a região. No Ariaú está também a suíte mais confortável (e cara) da floresta. Com telão, computador, aparelhos de ginástica e diária de 2.000 dólares, a Suíte Cósmica foi inaugurada pelo bilionário americano Bill Gates. O único que se dispôs a pagar seu preço até agora.