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Parque Turbinado
Parque Turbinado

20 de setembro de 2000

Com administração terceirizada, a área das cataratas ganha conforto e atrações

Parque Nacional do Iguaçu: infra-estrutura que nunca fez jus à beleza do lugar

O belo espetáculo das cataratas nunca teve correspondência com a qualidade do tratamento dispensado aos turistas que visitam o Parque Nacional do Iguaçu, no Paraná.


Mesmo sendo o mais freqüentado dos outros doze parques similares do país, recebendo 800.000 turistas por ano e arrecadando 4,5 milhões de reais com serviços e bilheteria, tudo o que o local oferecia, até agora, era um irrisório pacote de entretenimento que podia ser digerido em menos de três horas. Esse cenário deve mudar a partir de 15 de novembro, quando começam a operar alguns dos serviços e instalações construídos no Parque do Iguaçu por um consórcio de empresas. É a primeira experiência de terceirização realizada pelo Ibama. Na primeira fase, os visitantes vão ganhar um centro de atendimento com 3.000 metros quadrados e 600 vagas no estacionamento, além de uma área de serviços com restaurante, mirante, minimuseu e até cinema em três dimensões, com vídeos que simulam passeios como uma subida contra a correnteza do Rio Iguaçu.

Lojas de suvenires, centro médico e os postos de correio e de telefone também ganham nova organização. Para o ano que vem, serão inaugurados um edifício de sete andares com um elevador que levará o turista até a altura da copa das árvores, um trenzinho moderno para quem quiser conhecer a área sem o desconforto de andar por trilhas no meio da mata e linhas de passeio de barco de até três dias de duração rio acima. O velho elevador - obsoleto há 35 anos -, que transporta sete visitantes por vez até uma das melhores vistas das quedas-d'água, será aposentado, dando lugar a dois panorâmicos, com capacidade para vinte passageiros cada um. Para a turma que prefere as caminhadas, a boa notícia é que o percurso dentro do parque, que hoje tem menos de 2 quilômetros, aumentará mais de dez vezes e será monitorado por guias capazes de dar segurança e informações.

Para se prevenir das ações de ambientalistas, o consórcio cercou-se de cuidados. Não foram usadas serras elétricas nem caminhões pesados. Até o lanche dos 100 trabalhadores é vigiado, para que ninguém deixe cair no chão, por exemplo, uma semente de laranja. Só árvores nativas devem proliferar na área. "Todo o projeto está sendo desenvolvido com total sentido de preservação ecológica", diz o superintendente do parque, Julio Gondorosky. Espera-se que até 2015, quando termina o prazo de concessão, 2 milhões de turistas estejam passando anualmente por lá, volume suficiente para pagar o investimento de 30 milhões de reais que será feito pelo consórcio Cataratas do Iguaçu, composto de seis empresas do Paraná e da Bahia. Para ajudar a gerar esse caixa, a tarifa paga pelos turistas, que custa 6 reais, vai ficar 1,80 real mais cara. Também serão cobrados 3 reais no estacionamento e quantia igual, por pessoa, no elevador panorâmico. Mas nada muda para a Polícia Florestal, que continuará dispondo do contingente de trinta homens - que já foi duas vezes maior - para fiscalizar os 185.000 hectares freqüentemente invadidos por palmiteiros e caçadores de animais silvestres. Até o final deste mês, o Ibama terá relatórios analisando a viabilidade da terceirização em outros seis parques nacionais.

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Em 10 de janeiro de 1939, foi criado o Parque Nacional do Iguaçu através do decreto lei nº 1.035, este foi o segundo parque nacional brasileiro a ser criado e atualmente sua área total é de 185.262,2 ha. Em 1986 recebeu o título, concedido pela UNESCO, de Patrimônio Natural da Humanidade. O Parque Nacional do Iguaçu teve seu primeiro Plano de Manejo elaborado em 1981, tendo sido revisado no ano de 1999. No Parque Nacional do Iguaçu é possível conhecer uma das mais espetaculares cataratas do mundo. O Parque Nacional do Iguaçu abriga a maior e mais importante área de floresta Estacional Semidecídua (floresta tropical subcaducifolia) do País.

O Parque Nacional do Iguaçu abriga em seu território espécies raras da fauna e da flora. São milhares de animais, muitos deles ameaçados de extinção, como a onça-pintada e o jacaré-de-papo-amarelo, e algumas espécies de aves bastante raras, como a jacutinga, o gavião harpia e o papagaio-de-peito-roxo. A flora também é bastante diversificada. Há espécies que chegam a atingir 30 metros de altura, como a timbaúva, o cedro, a peroba e os ipês, além de orquídeas e bromélias.

Exemplo de coexistência da exploração turística com a preservação ambiental, esse fantástico ecossistema era habitat natural dos índios Caingangue e Tupi Guarani. Os índios chamavam a região do Iguaçu de "água grande" (em guarani, I=água e guaçu=grande). Foi ponto de passagem das expedições espanholas, comandadas por Dom Álvar Nuñes Cabeza de Vaca, a caminho da Bacia do Prata, em 1542. Mais tarde, por volta do século XVII, o local acolheu as missões de padres jesuítas espanhóis. A área foi considerada de domínio público em julho de 1916 pelas mãos do então governador do Paraná, Affonso Alves de Camargo. Foz do Iguaçu foi ponto de partida da Coluna Prestes/Izidoro Dias, que em 1927 percorreu 45 mil quilômetros dentro do território brasileiro lutando contra as oligarquias regionais que davam sustentação ao governo central do presidente Washington Luiz.