Preceitos - Magazine Eletrônica
Preceitos - Magazine Eletrônica
Página Inicial
Índice
Cinema
Fotos Desktop
Tudo do Brasil
Arnaldo Jabor
Holocausto
Orient Express


 
 

01

02

03

04

05

06

07

08

09

10

11

12

13

14

15

16

17

18

19

20

21

22

23

24

25

26

27

28

29

30

31

32

 


Seus comentários e considerações sobre esta página:
 
Campos do Jordão - SP - Brasil
Pousada d'Ampezzo
Apartamentos com aquecedor a óleo, TV com controle remoto, rádio, telefone, frigobar e aquecimento central. Sala de jogos, sala de ginástica e estacionamento fechado. Ótima localização, a 4,5 km do centro. Brunch aos domingos com check-out às 15 hs.

Estadisticas y contadores web gratis
Oposiciones Masters
O País das Estranhezas
O País das Estranhezas

29 de setembro de 1999

Um lugar nos confins do Pacífico, a Nova Zelândia foge do tédio inventando esportes cada vez mais radicais

Montanhas nevadas e campos verdes estimulam a aventura A Nova Zelândia tinha tudo para ser um país esquecido no mapa. O longínquo arquipélago no Pacífico Sul, no entanto, chama a atenção justamente por suas singularidades. Localizado nos confins do mundo, tem quase o tamanho da Itália e uma população infinitamente menor.


São apenas 3,7 milhões de habitantes espalhados em suas duas ilhas principais. É uma nação de descendentes de ingleses numa vizinhança polinésia. É também um país isolado: seu vizinho mais próximo, a Austrália, está a 2.000 quilômetros de sua costa. Mais: pode ser considerado o fim do mundo até no sentido temporal, já que está no limiar da chamada Linha Internacional da Data. Essa linha imaginária corta o planeta de um pólo a outro e regula a mudança dos dias. Significa que a poucos quilômetros a leste do território neozelandês se volta para o dia anterior. A não ser pelas extravagâncias, ninguém daria uma segunda olhada na Nova Zelândia. Não fosse a mesmice atroz do cotidiano, talvez esses ilhéus não se tivessem tornado ases do esporte radical.

Quem, senão um povo imerso no tédio da vida sem desafios, teria tido a idéia de se jogar da ponte mais alta amarrado apenas pelos pés? Estava inventado assim o bungee-jump, uma das mais arrepiantes modalidades radicais. A prática esdrúxula de se lançar ao vazio atrai legiões de jovens a Queenstown, uma pequena cidade na Ilha Sul do país, considerada a capital mundial da aventura. Ali, concentram-se quatro plataformas para o esporte, entre elas a lendária ponte Kawarau, palco do salto inicial. Até o assessor econômico do presidente Bill Clinton, Gene Sperling, rendeu-se recentemente à experiência. Foram os neozelandeses também que inventaram a propulsão a jato nos motores náuticos - o que permite aos enlouquecidos pilotos de hoje conduzir jet boats em rios pedregosos a toda a velocidade. No país, o rafting, a aloprada descida de corredeiras em botes infláveis, ganhou milhares de adeptos. A lista das façanhas neozelandezas não pára por aí. São de lá também os veleiros mais velozes do mundo. Auckland, porta de entrada do turismo na Ilha Norte, é considerada a cidade com o maior número de barcos per capita do mundo.

Pode-se dizer que a Nova Zelândia se tornou lugar de tanta excentricidade graças à diversidade de suas paisagens. Concentradas num território tão pequeno e inóspito, elas são um prato cheio para estimular a ousadia dos nativos. Montanhas nevadas, fiordes, vulcões ativos e extintos, exuberantes campos verdes, praias virgens e lagoas de água cor de esmeralda sucedem-se ao longo dos 1.600 quilômetros que separam o extremo norte do sul. "É como se, em poucas horas, o visitante saltasse da Europa para a Patagônia", diz Mauro Chwarts, diretor da Highland Adventures, operadora especializada em turismo de aventura. Para quem passeia pelo país, a possibilidade de se arriscar em alguma experiência audaciosa é uma tentação. "Num mero passeio, enfrentam-se situações de muita adrenalina quase sem querer", afirma o neozelandês Craig Bavinton, dono da agência de viagens Canguru Tours, de São Paulo. É o que acontece no centro da Ilha Norte, onde fica o Parque Nacional de Tongariro. As atrações do lugar são literalmente explosivas: os vulcões Ngauruhoe e o Ruapehu, pico culminante dessa parte do país com 2.297 metros. Ao chegar ali, os desavisados levam um duplo susto. Além do iminente risco de erupções, nas encostas do vulcão - pasmem - os neozelandeses construíram um badalado complexo turístico, com estação de esqui e dezenas de hotéis, lojas e restaurantes.

Exceto pelos extremos que a natureza oferece ou pelo que os neozelandeses inventam, a vida na ilha é um tédio. No último ano, a população festejou a queda no índice internacional de corrupção como se fosse o fim da caretice. Tudo isso porque a Nova Zelândia caiu do primeiro para o segundo lugar no ranking dos países mais honestos do mundo. Com padrão de vida de Primeiro Mundo e sem os desafios das grandes metrópoles industriais, os neozelandeses cuidam dos jardins e cultivam hábitos ingleses que os próprios ingleses já abandonaram há décadas. Tudo é de impecável "politicamente correto". Preocupado com a perda de identidade cultural dos 500.000 maoris, descendentes da população original da ilha, o governo elegeu um representante nativo para saudar os visitantes ilustres com o hongi, tradicional cumprimento da tribo. Trocando em miúdos, significa esfregar o nariz maori no nariz visitante. Os neozelandeses também se preocupam com o dano que a flatulência de 47 milhões de ovelhas, espalhadas pelas paisagens irretocáveis do país, causa à camada de ozônio. O lado bom disso é que, se não fosse esse talento especial para coisas estranhas, certamente esse país de gente bem de vida e indiscutível nível de civilidade jamais chamaria a atenção do resto do mundo.