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A França e suas Invenções
A França e suas Invenções

O Champanhe

A uns 100 quilômetros ao noroeste de Paris, se estende a região de Champanha, que deu nome ao vinho espumante mais conhecido do mundo. De fato, legalmente só os vinhos produzidos ali podem ser chamados de “Champanhe”, os demais são apenas “fabricados por método champanhês”. Nesta comarca crescem gordas e doces as uvas de cepas “Pinot Noir”, “Pino Blanc”, e Pinot Chardonnay”. Foi com essas uvas que um frade do século XVII, chamado Dom Perignon, descobriu por acaso na Abadia Beneditina de Hautvillers a forma como se podia ajudar a natureza a fermentar vinho comum para transformá-lo em champagne borbulhante.

Hoje em dia, os champanheiros da região, em cavernas subterrâneas construídas há séculos, cumprem desde a primeira até a última etapa do processo, tal como fazia o notável frade. Durante a segunda fermentação, que é a que produz as bolhas, as garrafas são colocadas com o gargalo de cabeça para baixo, em posição inclinada sobre estantes de madeira, para reunir pouco a pouco o vinho sobre a tampa que logo, ao ser congelado, é expulsa. Posteriormente, se agrega a cada garrafa certa quantidade de açúcar dissolvido em vinho velho, já que este detalhe determina o tipo de vinho, seja seco, semi-seco ou doce... E pensar que o humilde frade morreu sem saber o prodígio que havia descoberto por acaso.

Napoleão e o "Frango a la Marengo"

Napoleão I sabiamente fomentou a gastronomia durante seu império. Popularizou o café para satisfazer sua amada Josefina, declarando a bebida oficial de seus exércitos e, por outro lado, encarregou o Marquês de Sussy, consumado gourmet, a confecção dos menus imperiais. E através de oficiais elegantes e das damas que os acompanhavam, impulsionou a indústria dos restaurantes.

Mas a lembrança de Napoleão Bonaparte ficaria eternamente vinculada a um prato improvisado nas vésperas de uma das batalhas mais compridas da história, a de Marengo no Piamonte italiano. Segundo a lenda, o imperador, esfomeado como um lobo, ordenou ao cozinheiro combinar os restos que havia na despensa: azeitonas e anchovas, guisado de frango e ovos fritos com tomate. O resultado? Nada mais do que o “Frango Marengo”.

As "Batatas Soufflé"

Outra invenção acidental foram as saborasas “Batatas Soufflé”. Dizem que por volta de 1837, nos maravilhosos Alpes franceses, um trem de luxo com um grupo de personagens importantes convidados pela empresa ferroviária teve dificuldades para chegar até o topo da montanha, em Pecq, onde se oferecia aos passageiros um elegante almoço no restaurante rococó da estação. Lá, o chefe estava preparando umas batatas fritas como de costume com uma abundância de azeite quente.

O chefe da estação entrou na cozinha para dar parte da demora inesperada. O chefe de cozinha ficou preocupado porque a preparação dos soufflés e outros pratos estava cuidadosamente cronometrada e a espera iria prejudicar. A primeira coisa que fez foi retirar do fogo a frigideira com as batatas e colocá-la de lado. A demora do trem continuava, e o azeite esfriou. E quando finalmente o trem chegou e os passageiros chegaram ao restaurante, o chefe a duras penas teve tempo de jogar as batatas em uma panela cheia de azeite que fervia. Foi uma surpresa ao ver que as batatas inflavam como que por encanto, gordinhas e douradas: descobriu-se assim as “Pommes Soufflés”.

A maionese

A maionese foi criada em 1756 pelo chef francês do duque de Richelieu. Enquanto o duque derrotava os ingleses no Porto Mahon, o chef criava uma festa vitoriana que incluía um molho feito de creme de ovos. Quando o chef percebeu que não havia mais creme na cozinha, improvisou, substituindo-o por óleo. Nascia, então, uma nova técnica culinária e o chef chamou-a de ‘mahonnaise’ em homenagem à vitória do duque. Em 1905, um imigrante alemão, Richard Hellmann, foi aos EUA levando a receita de maionese e abriu uma delicatessen em Nova Iorque. Sua esposa utilizava a receita em saladas vendidas na loja.

A maionese ficou tão popular que começou a ser comercializada em potes acondicionados em caixas de madeira. No início, eram vendidos dois tipos de receitas e, para diferenciar as duas, eles utilizavam um laço azul em uma das receitas. Como havia uma demanda muito grande pela receita ‘do laço’, em 1912 Hellmann batizou seu produto de ‘A Maionese do Laço Azul’, símbolo que acompanha até hoje a marca Hellmann’s. O sucesso foi tanto que, em pouco tempo, o negócio se expandiu. Assim, a maionese passou a ser produzida em pequenas fábricas e distribuída por uma frota de caminhões até que, em 1962, Hellmann’s chegou ao Brasil revolucionando o mercado.