Preceitos - Magazine Eletrônica
Preceitos - Magazine Eletrônica
Página Inicial
Índice
Cinema
Fotos Desktop
Tudo do Brasil
Arnaldo Jabor
Holocausto
Orient Express


 
 

01

02

03

04

05

06

07

08

09

10

11

12

13

14

15

16

17

18

19

20

21

22

23

24

25

26

27

28

29

30

31

32

 


Seus comentários e considerações sobre esta página:
 
Campos do Jordão - SP - Brasil
Pousada d'Ampezzo
Apartamentos com aquecedor a óleo, TV com controle remoto, rádio, telefone, frigobar e aquecimento central. Sala de jogos, sala de ginástica e estacionamento fechado. Ótima localização, a 4,5 km do centro. Brunch aos domingos com check-out às 15 hs.

Estadisticas y contadores web gratis
Oposiciones Masters
Caminho do Éden
Caminho do Éden


29 de julho de 1998


Uma estrada para turistas torna mais fácil e barato conhecer as belezas do Pantanal


A região do Pantanal Mato-Grossense é uma das jóias ecológicas mais espetaculares do planeta. Espalhada por uma área cinco vezes maior que o Estado do Rio de Janeiro, tem uma fauna exuberante com 32 milhões de jacarés, 2,5 milhões de capivaras, 35.000 cervos-do-pantanal e uma infinidade de pássaros, segundo um censo recente feito pela Embrapa. Mesmo assim, permanece pouco visitada. Fala-se muito no Pantanal, mas pouca gente se dispõe a conhecê-lo pessoalmente. Calcula-se que pouco mais de 100.000 turistas foram até lá no ano passado - apenas um décimo das pessoas que visitaram o Ceará. O reduzido número de visitantes se deve, principalmente, à dificuldade de acesso. Fazer turismo na região é caro e complicado. Só quem tem dinheiro para alugar um barco ou se hospedar num hotel-fazenda consegue ver mais de perto a paisagem e os animais. Uma iniciativa da prefeitura de Corumbá pretende mudar essa situação. No último sábado foi inaugurada a Estrada Parque, uma via de terra batida que descortina o esplendor da região, ao longo de 120 quilômetros. Andar por ela é a maneira mais simples e barata de conhecer o Pantanal. Os bichos estão por toda parte, às margens e também sobre a estrada.

A Estrada Parque tem seis mirantes com painéis explicativos sobre a fauna e a flora da região, placas indicativas da localização de pousadas e um centro de orientação aos visitantes, ainda em construção. Tudo é muito rústico, construído ao custo de 150.000 reais com madeiras caídas naturalmente. Mas é um avanço e tanto. Seguindo a trilha aberta pelo marechal Rondon no final do século passado, a estrada foi o único acesso rodoviário a Corumbá até a década de 80. Em 1993, o governo estadual publicou decreto determinando que as antigas rodovias MS-184 e MS-228 ganhassem o nome de Estrada Parque Pantanal e fossem consideradas Área Especial de Interesse Turístico. O nome pomposo pouco significou na prática. Só agora a estrada passa a ter como finalidade o turismo. Em alguns pontos existem pousadas e campings e locais para aluguel de barcos para pesca.

O passeio começa (ou termina) com uma vista da região a partir do Maciço do Urucum, uma serra logo na saída de Corumbá. Em seguida, a ampla vista divide a atenção com a fauna. Embora os animais estejam espalhados ao longo de toda a estrada, cada espécie aparece com mais facilidade em determinados trechos. Mamíferos e jacarés ficam mais concentrados entre o Rio Paraguai e a Curva do Leque, uma área que costuma ficar submersa na época das cheias, de fevereiro a junho. Os pássaros estão nas partes mais secas da Curva do Leque até o entroncamento com a BR-262 no fim da estrada. A viagem permite uma avaliação curiosa do comportamento dos animais. Existem as espécies mais e as menos exibicionistas. As capivaras andam sempre em grandes grupos e são muito mansas. Por vezes, é necessário buzinar insistentemente para tirá-las do caminho. Jacarés são arredios e, a um movimento mais brusco, escondem-se na água.

Piracema

As margens das baías estão sempre repletas de tuiuiús, enquanto as cobras se enroscam nas árvores de um e outro lado da estrada. É necessário prestar muita atenção para vê-las. Já para encontrar um macaco-prego é preciso sorte. Topar com alguma onça-pintada é quase impossível. Elas nunca se aproximam da estrada. Também é importante saber escolher época e horário para fazer o passeio. A melhor temporada para ver a bicharada vai de agosto a novembro, período em que o Pantanal está vazando, mas ainda não está seco. Os melhores períodos são o nascer e o pôr-do-sol, quando os bichos buscam a estrada para se aquecer. Os peixes ficam aprisionados nas lagoas temporárias atraindo todos os animais que deles se alimentam.

A estrada pretende chamar a atenção de um novo tipo de visitante: aquele que gosta de contemplar a natureza. Por enquanto, mais da metade dos turistas que visitam Corumbá o fazem seduzidos pela pesca. "O turismo proporcionado pela pesca é muito importante para a cidade, mas está longe de ser suficiente", afirma Angelo Rabelo, secretário de Meio Ambiente de Corumbá. "Nos quatro meses de piracema, quando a pesca é proibida, uma estrutura de 60 milhões de reais fica ociosa e 3.000 empregos desaparecem", conta. Atributos naturais não faltam. O problema é o custo das viagens. "Queremos que a Estrada Parque mude isso." diz a bióloga Silvia Gervásio, diretora executiva para o turismo da prefeitura de Corumbá.