Preceitos - Magazine Eletrônica
Preceitos - Magazine Eletrônica
Página Inicial
Índice
Cinema
Fotos Desktop
Tudo do Brasil
Arnaldo Jabor
Holocausto
Orient Express


 
 

01

02

03

04

05

06

07

08

09

10

11

12

13

14

15

16

17

18

19

20

21

22

23

24

25

26

27

28

29

30

31

32

 


Seus comentários e considerações sobre esta página:
 
Campos do Jordão - SP - Brasil
Pousada d'Ampezzo
Apartamentos com aquecedor a óleo, TV com controle remoto, rádio, telefone, frigobar e aquecimento central. Sala de jogos, sala de ginástica e estacionamento fechado. Ótima localização, a 4,5 km do centro. Brunch aos domingos com check-out às 15 hs.

Estadisticas y contadores web gratis
Oposiciones Masters
A Beleza do Abismo
A Beleza do Abismo

20 de maio de 1998

Com guias e melhor infra-estrutura, Aparados da Serra deixa de ser paraíso só de mochileiros

Fortaleza, na Serra Geral: cachoeiras e cascatas em profusão e uma vista magnífica que alcança até o litoral


Na região dos parques nacionais da Serra Geral e de Aparados da Serra, entre os Estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, a natureza produz um dos maiores espetáculos no Brasil. Ali, a terra é dividida por um abismo, cujos recortes formam assombrosos desfiladeiros em meio a pastagens verdejantes. Da borda dos penhascos caem centenas de cachoeiras. Algumas, como a do Véu de Noiva, na garganta rochosa do Itaimbezinho, despencam de até 720 metros - quase duas vezes a altura do Pão de Açúcar, no Rio de Janeiro. Em alguns pontos, como no Cânion Fortaleza, na Serra Geral, pode-se avistar o litoral gaúcho, de um lado, e o catarinense, de outro. Apesar da beleza do cenário, os parques sempre sofreram com a falta de infra-estrutura para receber turistas, o que limitava sua freqüência aos mochileiros e aventureiros ocasionais. Essa situação está começando a mudar. No próximo dia 30, o Parque de Aparados da Serra, que abriga o pedaço central da região onde ficam os despenhadeiros, será reinaugurado depois de uma reforma que levou dois anos para ser completada.

Numa parceria do governo gaúcho com o Ibama, Aparados da Serra ganhou um centro de visitantes com lanchonete, lojas, espaço cultural, auditório para cinqüenta pessoas, ambulatório e sanitários. Foram demarcadas trilhas para caminhadas e destacados 38 guias para orientar e acompanhar os turistas. O parque também foi quase todo cercado e ganhou cordões de isolamento para proteger os visitantes das perigosas bordas dos penhascos. A reforma custou 3,5 milhões de reais. Outro tanto será aplicado na forma de financiamento para a criação de hotéis e serviços do município mais próximo, Cambará do Sul, com o objetivo de estimular o desenvolvimento de um novo pólo turístico (veja quadro). A exemplo do que já ocorre em treze dos 36 parques nacionais, a partir de agora será cobrado ingresso dos turistas que visitarem Aparados da Serra. Serão 6 reais por pessoa. Desde que o parque foi criado, há quarenta anos, é a primeira tentativa de explorá-lo de forma organizada. "Aparados agora é o parque nacional com a melhor infra-estrutura do país", diz seu diretor, Fernando Athayde Nóbrega.

Localizado num planalto conhecido como Campos de Cima da Serra, Aparados da Serra tem 10.250 hectares. Contando o parque ao lado, o da Serra Geral, criado em 1992 e ainda sem organização turística, são ao todo 27.550 hectares de reserva ecológica, área quase do tamanho do município de Salvador. Acima dos desfiladeiros, o cenário lembra um gigantesco campo de golfe, com sua vegetação uniforme, verde e rasteira. Os cânions surgiram ao longo de 130 milhões de anos, com a escavação da rocha porosa pela água. Isso explica por que não há interesse dos alpinistas em escalar suas paredes - ao colocar nelas um grampo, esfarinham-se como bolacha. Distante cerca de 40 quilômetros de Aparados da Serra, o Parque Nacional da Serra Geral ainda sofre com a falta de organização. O acesso ao parque é livre e o acampamento, permitido.

Além do Desfiladeiro Fortaleza, ali ficam a Cachoeira do Tigre Preto e a Pedra do Segredo, uma rocha de 5 metros de altura incrivelmente equilibrada em uma base de apenas meio metro. Conhecê-las requer disposição para caminhadas de até uma hora e o auxílio de um guia, pois não existem placas no caminho. É um exemplo de como um mínimo de ordem poderia resultar num grande benefício para os turistas e para o próprio parque. A melhoria da infra-estrutura nos parques nacionais é ainda uma novidade no Brasil, que só agora começa a seguir a tendência mundial de aproveitar essas reservas naturais para promover o ecoturismo. No Parque Nacional do Iguaçu, onde estão as cataratas da Foz do Rio Iguaçu, somente com a cobrança de ingressos são arrecadados 4,2 milhões de reais ao ano. O mesmo pode vir a acontecer em Aparados da Serra, sem contar os benefícios para a economia das redondezas que o turismo ecológico produzirá.

O serviço vai melhorar

Com pousadas limpas e agradáveis, mas longe de oferecer um serviço de primeira linha, as cidades próximas de Aparados da Serra estão recebendo investimentos do governo federal, que pretende transformar a região em um pólo de ecoturismo. São cerca de 2 milhões de reais que serão emprestados pela Financiadora de Estudos e Projetos, Finepe, instituição de fomento do Ministério da Ciência e Tecnologia, para pessoas dispostas a fazer hotéis, pousadas, restaurantes e agências de turismo. Desse dinheiro, 80% estão reservados à cidade de Cambará do Sul, no Rio Grande do Sul. O restante vai para Praia Grande, em Santa Catarina. Por enquanto, o serviço na região ainda é precário. Dos 183 quilômetros de Porto Alegre a Cambará do Sul, cidade mais próxima dos parques, 23 são de terra. Até o fim do ano será concluído o asfaltamento da rodovia, que está em obras. Vindo pela BR-101, de Santa Catarina, o trecho de terra é de 20 quilômetros. A partir de Cambará do Sul, são mais 13 quilômetros até Aparados da Serra e 23 quilômetros para o Serra Geral em estradas de terra sem sinalização. Com os investimentos e a reinauguração do Parque de Aparados da Serra, Cambará do Sul, com apenas 7.000 habitantes, está eufórica à espera de visitantes. Existem agências de ecoturismo que organizam viagens para a região, a maioria com saída a partir de Porto Alegre. Os pacotes são de, pelo menos, dois dias e incluem transporte em ônibus ou vans e acomodação em pousadas de Cambará do Sul ou fazendas da região. Podem-se também fazer passeios a cavalo pela vizinhança dos parques, com hospedagem em fazendas.