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À Beira do Saara
À Beira do Saara

17 de maio de 2000

Praia do Mediterrâneo: resorts e hotéis de padrão europeu Um dos motivos que levaram o filme O Paciente Inglês a se transformar em sucesso de bilheteria foram as espetaculares cenas rodadas no Deserto do Saara. Dunas perfeitas, de areia alaranjada contra um céu azul profundo, sobrevoadas por um minúsculo avião, deram considerável empurrão ao tórrido romance vivido por um espião e uma inglesa grã-fina na II Guerra. O que pouca gente sabe é que esse espetacular cenário natural é acessível a qualquer turista e está a onze horas de vôo direto de São Paulo. Um passeio exótico que pode ser ainda desdobrado em visitas a ruínas romanas, praias paradisíacas do Mar Mediterrâneo e uma das mais cosmopolitas capitais do mundo árabe. É a Tunísia, um país pouco maior que o Estado do Ceará, localizado no norte da África e que desde o início do ano já foi visitado por cerca de 1.000 turistas brasileiros. Há dois anos, eram 200.

Além de ser um lugar lindo, a Tunísia é um país barato. Com 880 dólares é possível passar sete dias em um resort por lá. Por um pouco mais, pode-se trocar de cenário em deslocamentos que raramente ultrapassam 100 quilômetros de distância. Não é muito mais que uma semana na Argentina e se ganha em aventura. Assim, um passeio que começa num resort à beira-mar, de padrão internacional, pode acabar em um oásis cercado de tendas berberes em pleno deserto, passando por incursões a mercados árabes, mesquitas e sítios arqueológicos, como a cidade de Cartago, destruída pelos romanos em 146 a.C. Parece um pequeno milagre, mas a principal razão para um preço tão acessível é a forma como se chega lá: um Ilyushin da companhia russa Aeroflot. Desde o ano passado, a empresa escolheu Túnis como ponto de sua escala técnica no vôo que sai de São Paulo para Moscou. Foi a senha que as agências brasileiras precisavam para criar os pacotes.

Uma vantagem desse pequeno país norte-africano é a ausência de risco para turistas. Ex-colônia francesa, é bem diferente de vizinhos como a Argélia, atolada em conflitos sangrentos e onde amiúde visitantes estrangeiros são massacrados por fanáticos muçulmanos. A Tunísia é hoje um dos países árabes de costumes mais liberais e, desde que deixou de ser protetorado da França, em 1956, adotou uma versão mais branda da legislação islâmica. A poligamia é proibida por lei, as mulheres podem votar, não são mais obrigadas a usar o véu para cobrir o rosto e o álcool chega até a ser tolerado nos hotéis e bares para turistas. Alguns hábitos são bastante diferentes dos nossos, contudo. Não há violência, mas turistas menos avisadas que abusem dos decotes e das transparências ainda podem causar confusão nas ruas. Com um pouco de bom humor, esses costumes dão sabor exótico ao passeio. Nada que perturbe a paz nos resorts da Praia de Hammamet ou a beleza de um pôr-do-sol no Saara.


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