A Erva Mate: O "Chá" Sulamericano
Há muito tempo,os índios guaranis recorreram a mastigação de folhas de erva-mate para sustentar
suas forças debilitadas pelas viagens e seus trabalhos penosos. Quando foram colonizados por
jesuítas,eles passaram as propriedades destas folhas aos missionários,que utilizando procedimen-
tos conhecidos por eles, prepararam uma bebida confortante que foi aceita por todos, indígenas e colonizadores.
A erva-mate é um cultivo que se dá somente no sul do Brasil, Paraguai e na província de Misiones e nordeste da província de Corrientes, na Argentina. Com ela se realiza o “Mate” para os países de língua hispânica e o “Chimarrão” para os brasileiros, uma bebida estimulante e de sabor inigualável que hoje é consumida por milhões de pessoas na América do Sul, comparando-se com o chá na Grã-Bretanha e China e o café nos Estados Unidos.
A erva-mate é orginária da Bacia do Rio Paraná, onde foi descoberta e usada pelos índios guaranis, que com tempo passaram seu segredo para outras tribos da região. Quando chegaram os primeiros colonizadores já existia um intenso intercâmbio entre as distintas tribos do Paraná e aquelas que precisavam desta planta. A ponto de serem realizadas viagens difíceis atravessando os Andes, para levá-la até a Bolívia, Peru e Chile.
Em 1610, os Jesuítas se estabelecem no Paraguai e começam a se familiarizar com os costumes dos guaranis. A primeira reação diante do consumo da erva foi de rejeição. Alguns relatos dos padres da Companhia antes da Inquisição em Lima a apresentaram como “um vício diabólico”.
As mudanças produzidas pela chegada dos imigrantes europeus no início do século XX, longe de desterrar o velho costume guarani, a confirmou e estendeu. Os ditos populares dizem que “muitos imigrantes aprenderam a tomar mate antes de falar o idioma”.
Etimología e Lenda
Chá mate é o nome indígena da “erva-mate”, que foi traduzido pelos espanhóis literalmente. Este nome é uma mistura de dialetos indígenas. Por um lado guarani e por outro quichua. “Caá” é de origem guarani e significa “erva” - e mate, de origem quichua, significa “abóbora”. Isto porque com as abóboras se fabricavam os recipientes onde os índios a colocavam para bebê-la através de um extremo e com pequenos cortes verticais no outro por onde entrava o líquido sem deixar passar as folhas.
A origem da erva-mate tem inúmeras lendas, todas elas fundadas na hospitalidade exibida pelos indígenas. Juan B. Ambrosetti, estudioso do folclore de Misiones, atribui a origem da lenda aos jesuitas do século XVII.
“Deus, em companhia de São João e São Pedro, veio à terra para fazer uma viagem. Um dia chegaram a casa de um velho, pai de uma jovem bela, a quem amava tanto, que decidiu viver com ela no meio do bosque espesso, com a esperança de que nenhum homem a desejasse e quebrasse a sua inocência. Apesar de sua probreza, ao chegarem os forasteiros, ele matou a única galinha que possuía e a serviu no jantar. Quando ficaram sozinhos, Deus perguntou a seus acompanhantes como poderiam premiar esta atitude do ancião. Eles o chamaram para dizer que iria ser recompesado fazendo imortal a filha que tanto amava. E Deus a transformou na planta da erva-mate, que desde então existe, voltando a brotar quando os homens a cortam”.
Por outro lado, entre os guaranis conta-se a lenda da Caá-Yaríi (erva-mate em guarani). Segundo esta, um índio velho e cansado dos anos se refugiou na selva em companhia de sua filha Yaríi, que era muito bonita. Um dia chegou ao rancho um homem estranho que foi recebido com generosidade, oferecendo uma saborosa comida. Conta a lenda que o visitante era um enviado de Deus do bem que quis recompensar sua generosidade proporcionando algo que pudessem sempre oferecer aos visitantes e que também servisse para fazer as horas de solidão mais curtas. Para isso, ele fez brotar uma nova planta no meio da selva e deu o nome de Yaríi, deusa protetora da mesma e de seu pai, Cáa Yaráa, seu custódio, ensinando a preparar a infusão para oferecer a todos os visitantes dos lugares missionários.
A planta de erva-mate pode viver até 140 anos
A erva-mate ou Ylex-Paraguayensis é uma árvore que cresce naturalmente nos bosques da Mesopotâmia na América do Sul. De bonita aparência, se parece com a laranja e louro, sempre coberta de folhas, verdes em sua parte superior e de um amarelo esverdeado em sua parte inferior. Tem um talo que chega a medir 8 metros de altura, em seu estado selvagem, de uma cor cinza e uma casca grossa, e brotam pequenas flores brancas e uns frutos vermelho-sangue que logo se transformam em sementes. O Ylex-Paraguanyensis pode viver até uns 140 anos, estes cálculos foram realizados com árvores que foram plantadas pelos jesuítas durante a colonização. A planta é explorada a partir de sua quarta temporada.
Os efeitos benéficos e terapêuticos da erva-mate foram confirmados ao longo de séculos de observação e utilização, por inúmeros estudos científicos. Suas propriedades químicas são similares às do chá verde (chinês), apesar de ser muito mais nutritiva. Há quantidades significativas de potássio, sódio, magnésio e manganeso, que estão presentes tanto nas folhas como na infusão. Também são encontradas vitaminas B1, B2, C, A, riboflavina, caroteno, colina, ácido pantotênico, inositol e 15 tipos de aminoácidos.
A existência de poderosos antioxidantes que elevam as defesas naturais do organismo e o protegem contra a destruição celular que causa com que o corpo se deteriore e desenvolva sintomas de doença, faz com que a erva-mate seja totalmente saudável. A mateína também é própria da erva-mate. Sua estrutura química é similar a da cafeína, mas com os efeitos diferentes sobre o organismo já que não modifica os padrões do sono e é também um diurético suave.
Quanto aos seus efeitos, observa-se um aumento de energia e vitalidade, maior capacidade de concentração, diminuição do nervosismo e maior resistência a fatiga física e mental, assim como uma melhora no ânimo, especialmente em casos de depressão.
Além de prover ao organismo minerais essenciais como potássio, sódio e magnésio, retarda a acumulação de ácido láctico nos músculos. Isto a transforma em um excelente energizante natural para as pessoas que praticam esportes ou outras atividades fisicas.
A erva-mate é um belo símbolo da generosidade sulamericana
Na Argentina, Paraguai e Uruguai, é típico que as pessoas bebam mate, a família se reúne em uma hora determinada para bebê-lo. Assim como a hora do chá na Inglaterra. Também é normal na Argentina tomar o mate da maneira que se prepara um chá, quer dizer, em xícara, o que se denomina mate cozido. Além disso, pode adicionar leite e açúcar para suavizar seu sabor amargo.
Muitos paraguaios o tomam derramando água fria diretamente na erva, o que é chamado de “terere”. No Uruguai, o mate também é a bebida nacional, os uruguais lhe fizeram justiça realizando a primeira Feira do Mate. O mate é parte da índole uruguaia, conta com um museu próprio e é motivo até de culto em poesia e canções.
Preparação do Mate
O mate é tomado nas primeiras horas da manhã, ou à tarde, antes do almoço ou em noites intermináveis. Com ele, gera o diálogo, circula de mão em mão, é o companheiro de horas de espera. O mate faz parte da vida.
Entre os "materos" existem regras para tomá-lo, doce, amargo, tíbio, quente e ainda que a preparação possa parecer simples, tem seus segredos: Primeiro deve-se aquecer a água, sem deixar ferver, porque se não “queima” a erva e em seguida perde o sabor. Deve-se encher as ¾ partes do mate, por a mão em cima de sua boca, dar a volta e sacudir suaveamente (para tirar o pó que tem a erva). Logo a erva é umedecida com pouca água fria. Posteriormente, coloca-se a bomba e começa a derramar suavemente a água quente no mate.
Enquanto o líquido sobe, deve-se formar uma espuma muito sutil, se isso ocorre o mate é um sucesso, se não, irá “tomando a mão”, como diriam os materos.