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A Vida no Freezer
A Vida no Freezer

25 de federeiro de 1998

Americana dá à luz gêmeo de menino nascido há sete anos

Uma criança, cujo nome é mantido em segredo, tornou-se uma celebridade mundial horas depois de nascer no Estado americano da Califórnia, na semana passada. O bebê ficou famoso porque é irmão gêmeo de um menino que hoje tem 7 anos. Ele foi gerado a partir de um embrião que estava congelado desde 1989, ano em que seu irmão foi concebido. Embora a implantação de embriões seja um procedimento corriqueiro na medicina moderna, até hoje não havia notícia de gestação bem-sucedida com um ovo mantido em congelamento durante tanto tempo.

Com dificuldade para ter filhos, os pais do bebê fizeram um tratamento de fertilidade no Centro de Reprodução Humana em Tarzana, na Califórnia, em 1989. Depois de fecundar um ovo in vitro, os médicos implantaram o embrião no útero da mulher, que, nove meses depois, deu à luz um filho bonito e saudável. Para surpresa dos pais, no entanto, no ano passado o laboratório telefonou avisando que, por segurança, tinha guardado no freezer um segundo embrião produzido durante o tratamento. Queria saber o que fazer com ele. A mulher, agora com 44 anos, decidiu implantá-lo. A criança nasceu na semana passada com 4 quilos, 53 centímetros e ótima saúde. "O casal concordou em correr um risco", explicou Michael Vermesh, o médico responsável pela operação. "Apesar de todos os testes feitos durante a gestação, não havia plena garantia da boa formação do feto até o nascimento da criança."

Depois de divulgado o êxito do embrião de sete anos, outro hospital reivindicou o recorde na semana passada. Segundo Mary English, diretora do Hospital da Pensilvânia, sua equipe de reprodução humana implantou no ano passado um embrião de oito anos em uma mulher de 44 anos que deu à luz uma menina. Essas notícias reacenderam a polêmica sobre a interferência da tecnologia na reprodução humana. O congelamento de embriões permite que mulheres possam ter filhos em idade avançada sem correr grandes riscos. Acredita-se que embriões podem ficar no congelador sem sofrer alterações por até 200 anos. Enquanto estão congelados, são formas de vida que os cientistas ainda não conseguem definir nem sabem como tratar. "Embriões são mais do que simples tecidos, mas são menos do que seres humanos", diz Paul Root Wolpe, da Universidade de Pensilvânia. "Ninguém sabe dizer se é correto congelar embriões aos montes e depois guardá-los ou destruí-los aleatoriamente." Apesar das dúvidas, os laboratórios americanos de reprodução humana têm um estoque de 10.000 embriões congelados.

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Congelar embriões é eficiente?

O congelamento é muito eficiente e não há limite de tempo estabelecido pois nenhuma atividade biológica conhecida ocorre em células congeladas em nitrogênio líquido. Os únicos tipos de reações que poderiam ocorrer a esta temperatura seriam fotofísicas, como a radiação ionizante. Assim, um problema potencial da estocagem prolongada seria a possibilidade de dano genético como resultado da exposição prolongada à radiação. No entanto, experimentos usando radioatividade em embriões de ratos criopreservados, simulando um longo período de radiação ionizante, mostrou que os embriões poderiam ser estocados pelo equivalente a 200-1000 anos antes que existisse uma redução significativa na sobrevida própria da acumulação de dano genético causado pela radiação.

É provável que embriões humanos se comportem similarmente a outras espécies de mamíferos com relação a sobrevida na estocagem. Se congelados sob condições corretas, podem sobreviver pelo tempo de vida reprodutiva do casal do qual originaram, sem risco de existir efeitos mutagênicos aparentes.

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Pais abandonam embriões

Centro de reprodução faz campanha para casais doarem sobras para estudo, mas pais abandonaram 233 embriões congelados. Abandonado pelos pais, o embrião congelado mais antigo do Brasil chega no próximo ano à maioridade. Ele é o único que restou de um total de 48 embriões congelados em 1991, quando o centro de reprodução humana Franco Júnior, de Ribeirão Preto (SP), iniciou o seu programa de criopreservação. A clínica perdeu o contato com o casal que deixou o embrião congelado há 17 anos. Depois do tratamento de fertilização in vitro, eles mudaram de endereço e não informaram o novo destino. Isso acontece com outros 233 embriões que estão congelados na clínica, segundo o diretor José Gonçalves Franco Júnior. "A gente manda carta, telefona, mas não acha."

O banco de embriões congelados do centro é o maior do país e reúne mais de 90% dos embriões disponíveis para pesquisa com célula-tronco, segundo censo feito pela SBRA (Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida) em 2005. De 1991 até agora, a clínica Franco Júnior congelou 13.925 mil embriões e hoje tem um saldo de 4.657. Em 17 anos, 402 crianças nasceram a partir de embriões criopreservados.