Preceitos - Magazine Eletrônica
Preceitos - Magazine Eletrônica
Página Inicial
Índice
Cinema
Fotos Desktop
Tudo do Brasil
Arnaldo Jabor
Holocausto
Orient Express


 
 

01

02

03

04

05

06

07

08

09

10

11

12

13

14

15

16

17

18

19

20

21

22

23

24

25

26

27

28

29

30

31

32

 


Seus comentários e considerações sobre esta página:
 
Campos do Jordão - SP - Brasil
Pousada d'Ampezzo
Apartamentos com aquecedor a óleo, TV com controle remoto, rádio, telefone, frigobar e aquecimento central. Sala de jogos, sala de ginástica e estacionamento fechado. Ótima localização, a 4,5 km do centro. Brunch aos domingos com check-out às 15 hs.

Estadisticas y contadores web gratis
Oposiciones Masters
Último a Saber
Último a Saber

29 de novembro de 2000

Um terço da população adoece porque dorme mal e não se trata porque não sabe disso

O sono é uma necessidade vital que, na mitologia grega, tem status de divindade. Hipno, filho de Nix, a noite, é o deus do sono e, junto com seu filho Morfeu, deus dos sonhos, o responsável pelo descanso diário dos seres humanos. Quando o poder de Hipno falha, o resultado é uma série de distúrbios que atormentam um terço da humanidade, com conseqüências graves. Pessoas que dormem mal estão mais sujeitas a acidentes de trânsito e de trabalho, têm menos resistência a doenças, são mais propensas a hipertensão e problemas de coração e, como se não bastasse, envelhecem mais cedo. Mas o que mais preocupa os especialistas é que boa parte dos médicos simplesmente passa ao largo desses problemas. "É uma das epidemias mais graves da virada do século e, no entanto, os distúrbios ainda são mal diagnosticados", diz David Rapoport, diretor médico do Centro de Estudos do Sono da Universidade de Nova York, que participou na semana passada de um congresso de especialistas sobre sono no Rio de Janeiro.

O comerciante carioca Abraão Abramovitz, de 69 anos, foi tomado há seis meses por um cansaço avassalador, que começou a prejudicar todas as suas atividades cotidianas. Procurou seu médico, que lhe receitou vitaminas. Não adiantou. Foi a pelo menos mais três profissionais e acabou recorrendo a um especialista por indicação de um amigo. O diagnóstico foi apnéia do sono, mal que ataca entre 4% e 10% da população, índice muito mais alto que o do diabetes, por exemplo. Apnéia significa interrupção da respiração. Abramovitz descobriu que parava de respirar - e acordava, embora não percebesse - de doze a quinze vezes a cada hora. É claro que no dia seguinte era um morto-vivo. Hoje essa história é passado, graças a uma máscara acoplada a um compressor computadorizado, que lhe custou 2.400 reais. Ela bombeia o ar pelo nariz durante toda a noite, regularizando a respiração. Para quem não sofre do problema, parece a coisa mais incômoda do mundo, mas o comerciante nem liga. "O tubo tem mais de 1 metro, eu me mexo à vontade", diz.

Quem cuida de Abramovitz é o neurologista Michele Dominici. Diretor do Sleep Laboratório dos Distúrbios do Sono, do Rio de Janeiro, ele atribui boa parte das falhas de diagnóstico à complexidade do sono e dos distúrbios relacionados a ele. Para se ter uma idéia, a equipe de um laboratório de sono tem um núcleo formado por neurologistas, psicólogos, psiquiatras e pneumologistas, mas trabalha em conjunto com muitos outros especialistas, como otorrinos, dentistas, cardiologistas e endocrinologistas. A mesma queixa - sonolência diurna em decorrência de noites maldormidas - pode ter várias causas, entre elas depressão, apnéia do sono e até um aparentemente simples, mas não incomum, ranger de dentes.

Contar carneirinhos - A dificuldade não se esgota aí. "A vida moderna tem muito mais elementos que conspiram contra o sono reparador do que motivos para descansar em paz", diz Marco Túlio de Mello, professor da Escola Paulista de Medicina. Uma pesquisa apresentada há quinze dias no Congresso Latino-Americano de Sono, realizado em São Paulo, mostrou que 36% dos entrevistados atribuíram sua dificuldade de dormir à falta de dinheiro. A competição no mercado de trabalho, o medo de perder o emprego, a violência nas grandes cidades e o stress do corre-corre cotidiano completam o quadro. Segundo pesquisa realizada pela Escola Paulista de Medicina, da Universidade Federal de São Paulo, nada menos que 82% dos paulistanos têm queixas sobre a qualidade de seu sono.

Antes, quem não conseguia dormir tinha como única opção de tratamento, além de truques bobos como contar carneirinhos, o uso de remédios com efeitos colaterais terríveis no dia seguinte. Além de tudo, esses medicamentos causavam dependência. Só no fim da década de 60 foram descobertas a existência das etapas do sono e a importância da fase mais profunda, na qual acontecem os sonhos. Hoje existem exames que registram minuciosamente tudo o que ocorre no organismo do primeiro ao último minuto do sono e é possível fazer um diagnóstico preciso do mal a ser atacado.

Para quem tem problemas respiratórios e ronca, há desde a máscara usada por Abramovitz até aparelhos que corrigem a mandíbula, passando por cirurgias nos casos mais graves. Os que estão sofrendo de insônia por causa de um stress de origem conhecida, como prova de vestibular, perda de parente ou divórcio, contam com um leque de medicamentos de novíssima geração, com poucos efeitos colaterais e menor risco de dependência. Para quem padece de ansiedade e depressão, existem remédios e terapias específicas. Felizmente para a maioria, uma boa noite ainda depende mais de coisas simples, como horários regulares de dormir e de se alimentar, exercícios físicos e uma cama confortável.