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A Medida Ideal
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17 de junho de 1998

Estudo mostra que a pressão de 13,8 por 8,2 reduz riscos de morte por infarto e derrame

Na semana passada, durante o encontro anual da Sociedade Internacional de Hipertensão, em Amsterdã, os cientistas anunciaram a descoberta da pressão arterial mais indicada para reduzir os riscos de morte por doenças vasculares cardíacas e cerebrais. Com a pressão "13,8 por 8,2" - abaixo da considerada normal e próxima da tida como ótima - as chances de ataques do coração e derrames diminuem até 45%.


"O estudo é de uma ajuda sem precedentes para o tratamento da pressão alta", comemorou Kenneth Jamerson, professor da Universidade de Michigan. "Agora sabemos até onde devemos ir." O trabalho, batizado de HOT, é o maior e mais completo estudo já feito sobre a doença. Por cinco anos, os pesquisadores acompanharam 18.790 hipertensos de 26 países.

Desde a década de 50 considerava-se que os hipertensos não poderiam ter suas pressões arteriais normalizadas, sob o risco de vir a sofrer problemas graves de saúde. "Agora sabemos que hipertensos podem e devem ter seus níveis de pressão rebaixados aos patamares ideais de uma pessoa normal. É possível e recomendado", explica Décio Mion Júnior, chefe da Liga de Hipertensão do Hospital das Clínicas, da Universidade de São Paulo. A pressão arterial mede a força do fluxo de sangue imposta às veias e artérias. É máxima quando o coração se contrai e bombeia sangue para o resto do organismo. E mínima, entre um batimento e outro, no momento em que o músculo cardíaco relaxa.

A hipertensão acomete 20% da população adulta do mundo. No Brasil, são 16 milhões de doentes, pessoas com 50% mais chances de morrer por ataque cardíaco ou 30% mais suscetíveis a um derrame cerebral (leia quadro ao lado). Apesar de tais riscos, 60% desconhecem que têm a doença, porque a hipertensão arterial é um mal traiçoeiro, que avança lenta e silenciosamente, sem dor ou sintomas evidentes nas suas fases iniciais. Quando se manifesta, sob a forma de um infarto, derrame ou insuficiência renal, muitas vezes já é tarde demais, e o paciente morre. É uma perda mais triste ainda, porque em grande medida é evitável.

Caracterizada por um espessamento das paredes dos vasos sanguíneos, que dificulta a passagem do sangue, a hipertensão pode ser facilmente diagnosticada com testes regulares de pressão arterial. O exame é feito sem dor e rapidamente, e uma vez constatada a pressão alta, bastaria que o paciente, entre outras medidas, mudasse seus hábitos alimentares, abandonasse algumas atividades estressantes e, em casos mais graves, usasse o imenso arsenal de remédios disponíveis para baixar a pressão.

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Pressão baixa

Altas temperaturas, uso inadequado de remédios e mudança repentina da posição do corpo são algumas causas da hipotensão. Quando ocorre, a pessoa fica pálida, sua frio, sente a vista escurecer, até desmaia, mas os sintomas em geral são passageiros. Caso a queda de pressão se repita insistentemente, porém, merece ser investigada, pois pode indicar a presença de doenças Não há um limite numérico que defina claramente a pressão baixa. Em princípio, qualquer patamar abaixo dos 140 x 90 mmHg (ou 14 por 9, como se diz) é considerado normal. É comum encontrar mulheres com níveis de pressão de 90 x 60 mmHg (ou 9 por 6). E elas vivem muito bem. Aliás, quem tem pressão baixa deve se considerar privilegiado, pois está mais protegido contra as doenças cardiovasculares.

Alguns fatores, porém, provocam quedas no patamar normal de pressão de uma pessoa, causando um mal-estar passageiro que inclui tontura, suor frio, palidez, escurecimento da vista, cansaço e até desmaio. A hipotensão acontece a qualquer um, mas, como a pressão arterial das mulheres naturalmente já é mais baixa que a dos homens, elas parecem sentir mais os seus efeitos. A pressão arterial é determinada pelo volume de sangue bombeado pelo coração e pela resistência que ele encontra para circular no organismo. Uma das situações que mais provoca sua queda é a mudança repentina de posição do corpo, especialmente da deitada para a sentada ou em pé.