São Paulo no Passado

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A REPÚBLICA DO CAFÉ

O antagonismo do novo (urbano-industrial e abolicionista) com o arcaico (agro-exportador e escravista), associado a outras questões estruturais, como as restrições que a igreja e o exército passam a fazer ao centralismo monárquico, determinam a passagem da monarquia para república, através de um golpe de Estado, articulado pela aristocracia rural e pelo exército no dia 15 de novembro de 1889.


Para finalizar esse momento histórico, vale destacar o apoio (meramente circunstancial) da oligarquia tradicional escravista ao movimento republicano. Essa aparente contradição, deve-se ao fato do regime monárquico ter abolido a escravidão sem indenização para os proprietários de escravos, que percebendo a inevitável morte da monarquia, ingressaram de maneira oportunista no movimento republicano, visando participar do novo governo e garantir seus privilégios de classe.

Os cafeicultores paulistas governam o Brasil. Muitos dizem que o "café com leite" era o governo de São Paulo e Minas. Quase isso. Era o governo dos cafeicultores paulistas, aliados aos cafeicultores mineiros (mais tarde pecuaristas), ou seja, era o governo das elites agrárias. No caso de São Paulo, as elites que concentravam suas terras no oeste e que desde o final dos tempos monárquicos havia se organizado no Partido Republicano Paulista, o PRP.




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A influência do PRP sobre o poder pode ser percebida praticamente desde a Proclamação da República. Apesar das contradições que marcaram esses dois primeiros governos do Brasil republicano, e de, muitos pretenderem a continuidade do "poder militar", a renúncia de Deodoro e a retirada de Floriano, mostram a força dos grandes cafeeicultores e de setores ligados a exportação. Esa força se mostrava crescente desde a proclamação da República e era percebida também entre os políticos civis: a política "industrialista" de Rui Barbosa, baseada no emissionismo, encontrou forte oposição das oligarquias, principalmente a paulista.

Apesar do forte controle exercido pelo poder central, as oligarquias estaduais tinham importância no mecanismo de sustentação política. No entanto, a maior contradição do período não estava na relação envolvendo as oligarquias centrais e regionais e sim os interesses rurais e os interesses urbanos. O desenvolvimento da produção e exportação de café foi responsável - desde o final do século anterior - pela acumulação de capitais, que foram investidos em diversas atividades econômicas, em especial na indústria, que, em um primeiro momento, tinha como função sustentar a sociedade cafeeira. È certo que o país não possuía um projeto de industrialização, ao contrário, enquadrava-se na "divisão internacional do trabalho", segundo o desenvolvimento do modelo expansionista e imperialista dos países europeus e EUA


A INDUSTRIALIZAÇÃO

Com os capitais gerados pela economia cafeeira a indústria paulista se desenvolveu, mesmo que lentamente, intensificando a vida urbana. No entanto, no período da I Guerra Mundial (1914 - 18) o número de indústrias aumentou assim como a produtividade, num processo conhecido como "substituição de importações", uma vez que a indústria européia e estadunidense se concentraram na produção de guerra, forçando o Brasil a maior produção nas áreas têxtil e de alimentos (note que, apesar do termo "substituição de importações", a indústria nacional não produzirá o que até então comprava).


A agitação caracterizava o cotidiano da cidade de São Paulo em julho de 1917, marcada pela greve geral que paralisou completamente a capital paulista, explicitando o choque entre o operariado - liderado principalmente pelo movimento anarquista - e o Estado oligárquico - através de um forte aparato repressivo. Primeiro grande movimento grevista da história sindical no Brasil que paralisou a cidade de São Paulo em 1917, iniciou-se com greves localizadas em fábricas têxteis, ainda no mês de junho nos bairros da Moóca e do Ipiranga. Os líderes grevistas reivindicavam melhores salários e melhores condições de trabalho, além da exigência de supressão da contribuição “pró-pátria” (campanha de apoio financeiro à Itália, desenvolvida pela burguesia imigrante de São Paulo, chegando até a fazer descontos dos salários dos trabalhadores, como foi o caso do Cotonifício Crespi). As manifestações de rua foram duramente reprimidas pela polícia, culminando com o assassinato do sapateiro anarquista Antonio Martínez. Durante um mês a cidade de São Paulo viveu a agitação dos comitês de greves, que apesar de mostrar uma considerável capacidade de mobilização do operariado, não serviram para sensibilizar o Estado.

Ao longo de toda República Velha (1889-1930) os governos oligárquicos tratavam a questão social como “caso de polícia”, preferindo assim, adotar medidas arbitrárias, como espancamento e prisão das lideranças grevistas e expulsão dos estrangeiros do país.

Se durante a República Velha a classe operária se organizou de forma independente, não podemos dizer o mesmo sobre o período seguinte, a "Era Vargas".


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