Sinopse:
Jovem engenheiro em viagem de férias envolve-se com garoto que tem estranha relação com o vento. A amizade dos dois acaba gerando suspeitas na cidadezinha. José Roberto Nery é o engenheiro vivido por Enio Gonçalves, julgado na cidadezinha de Bela Vista pelo desaparecimento e presumida morte do garoto Zeca da Curva (Luiz Fernando Ianelli). Baseado no conto O Iniciado do Vento, de Anibal Machado, com roteiro e diálogos de Millôr Fernandes, são de uma beleza espantosa as cenas em que o vento intervém como uma força telúrica superior às leis e paixões humanas. O argentino Christensen aportou aqui em 1954 para uma carreira extensa, variada e irregular, do semidocumentário (Rei Pelé, 1962) ao terror (Enigma para Demônios, 1974) e à comédia urbana (Crônica da Cidade Amada, 1965).
O homossexual protagonista é um engenheiro bem-sucedido financeiramente, interpretado sem traços efeminados ou vestuário extravagante. O filme trata da relação do protagonista com um garoto que, após despir-se e abraçá-lo, desaparece no alto de uma montanha. O engenheiro, acusado do desaparecimento do menino, é levado a julgamento e ali descreve de forma poética a natureza da sua relação com ele. Por toda a trama o engenheiro é descrito como ingênuo, puro, alguém que não aceita compactuar com tramóias, pois acredita em sua inocência e que vai ser compreendido e absolvido. Durante o seu depoimento ele nega qualquer tipo de contato homossexual, enfatizando que a sua relação com o garoto se dava pela beleza do vento que ele representava e invocava. Ao final, em um clima fantástico, uma enorme ventania toma conta do tribunal. Os objetos caem, as pessoas fogem. Sozinho no salão, o engenheiro acha então a camisa do menino. Ele a apanha. Fica com ela entre as mãos, numa atitude de querer acariciá-la e ao mesmo tempo não, assim como alguém que de repente descobre algo muito intenso sobre si mesmo.
Drama/101 min.